segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A NOVA EDIÇÃO DO CORREIO DAS ARTES TRAZ COMO MATÉRIA DE CAPA O NOVO ROMANCE DA ESCRITORA PARAIBANA MARÍLIA ARNAUD “LITURGIA DO FIM” (TORDESILHAS, 2016)

O jornal A União lançou a nova edição do Correio das Artes. O suplemento traz como matéria de capa o novo romance da escritora paraibana Marília Arnaud, Liturgia do fim (Tordesilhas, 2016), que se destaca, entre outras qualidades, pela linguagem rebuscada e a densidade humana. A obra foi muito bem acolhida pelos leitores e a crítica e coloca a autora entre os nomes de maior expressão da literatura brasileira contemporânea.

Liturgia do fim narra o “drama de ascendência bíblica” da família Boaventura, centralizado no conflito entre o patriarca Joaquim e o filho Inácio. Após uma briga violenta com o pai, que acabara de espancar uma de suas duas filhas, no caso, Ifigênia, Inácio abandona a fazenda Perdição, onde moram, e, após um atormentado exílio de mais de trinta anos, na capital, retorna à terra natal, para o que seria uma espécie de acerto de contas com Joaquim.

No romance de Marília chama atenção a urdidura engenhosa da trama, o vocabulário inusual e a frase requintada, cujos efeitos semânticos, rítmicos e sonoros aproximam a estrutura geral do texto dos territórios da música e da poesia. A atmosfera é o da cultura patriarcal nordestina, na qual predominam, entre outros aspectos, o machismo, o autoritarismo paterno, a sexualidade reprimida, a hipocrisia religiosa, a submissão e exploração da mulher.

Prosseguindo na sua missão histórica de analisar, criticamente, a produção artística contemporânea, como também de publicar textos, assegurando espaço editorial para autores novos ou já consagrados, sejam da Paraíba, de outros estados brasileiros ou até do exterior, o Correio oferece, ainda, aos seus leitores, na edição deste mês, uma pauta variada de ensaios, artigos, resenhas, contos e crônicas, além de um rico acervo de fotos e ilustrações.

Em suas respectivas colunas, o professor Milton Marques Júnior comenta a segunda edição do livro de crônicas Café Alvear (A União, 2016), do jornalista Gonzaga Rodrigues; o professor Expedito Ferraz Júnior publica suas notas sobre Zarabatana, terceiro livro da poeta Anna Apolinário; o professor Hildeberto Barbosa Filho analisa o ensaísmo crítico de Ivan Bichara, e a artista Lívia Costa faz sua leitura personalíssima das “tramas sociais”.

Ainda no campo da resenha literária, O peso da gota, novo livro do poeta Jairo Cézar, é analisado pelo jornalista Linaldo Guedes. Já o advogado Eduardo Luna sintetiza os valores do romance Tocaia grande, de Jorge Amado. No âmbito da resenha cinematográfica, a escritora Ana Adelaide Peixoto comenta Julieta, de Pedro Almodóvar, e o escritor Thiago Andrade Macedo explica os motivos que fizeram de Operação França, de William Friedkin, um cult.

Artigo do poeta Guilherme Delgado destaca o silêncio como matéria-prima da poesia. Na sessão de ensaios, a escritora Neide Medeiros aborda as relações de José Lins do Rego com a elite intelectual alagoana nos anos 1930; os graduandos da UFCG, Heloísa Costa de Oliveira e Guilherme Arruda do Egito, analisam A bagaceira, de José Américo de Almeida, e o professor Francisco Júnior Damasceno discute a importância da filosofia na poética de Manoel de Barros.

Fechando a edição de agosto do suplemento de literatura e artes de A União, duas crônicas: “Hino a João Pessoa”, do escritor Roberto Menezes, e “Quase”, de Jerony Cavalcanti de Souza Silva, além de um conto: “Assombração”, do escritor Thiago Lia Fook Meira Braga. Os dois últimos textos foram ilustrados, respectivamente, pelos artistas plásticos e cartunistas Tonio e Domingos Sávio, ambos dos quadros de A União.

Texto/fonte: William Costa - Editor do Correio das Artes.

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