terça-feira, 17 de janeiro de 2017

BIBLIOTECA DA ESCRITORA RACHEL DE QUEIROZ RETORNA AO CEARÁ E PASSA A FAZER PARTE DO ACERVO DA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA

Após 10 longos anos distante do povo e da terra que inspiraram suas obras, a escritora Rachel de Queiroz retorna ao Ceará graças à parceria entre a Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza, e o Instituto Moreira Salles (IMS). Composta de 3.063 itens, sendo 2.800 livros e 263 periódicos –, a biblioteca da autora, abrigada na sede do IMS na Gávea, Rio de Janeiro, foi transferida para a Biblioteca Central e a Biblioteca de Acervos Especiais da Universidade de Fortaleza (Unifor) e estará disponível para o público a partir de fevereiro.

O acervo traz obras raras de literatura, poesia, críticas e estudos literários. Entre elas estão às primeiras edições dos livros “Claro Enigma” (José Olympio, 1951) e “Fala, amendoeir’a” (Editora do Autor, 1957), de Carlos Drummond de Andrade; “Mafuá do malungo: jogos onomásticos e outros versos de circunstância” (Editora O Livro Inconsútil, 1948), de Manuel Bandeira, edição especial de 110 exemplares em papel de linho impressa por João Cabral de Melo Neto para os amigos do poeta e uma edição limitada de 50 exemplares de “O defunto”, (Editora Macunaíma, 1967), de Pedro Nava, assinada pelo autor.

A coleção destaca também dedicatórias de alguns dos principais nomes da literatura brasileira à autora de “Memorial de Maria Moura”. Graciliano Ramos, na edição de “Angústia” (José Olympio, 1947), escreveu: “Rachel, este livro não é meu: é nosso. O seu trabalho para arrancá-lo foi pelo menos igual ao meu, sem exagero. Diga-me uma coisa: por que é que v. não transforma em romance o 'Retrato de um brasileiro'? Seria admirável. Abraços, Graciliano. Rio, 1947”. O mesmo autor, em “Insônia”, publicado no mesmo ano pela José Olympio, registrou: “Rachel, as histórias não prestam, mas foi necessário publicá-las. abraço, Graciliano. Rio, 1947.”

Para a reitora da Unifor, Fátima Veras, a iniciativa da Universidade e do IMS se reveste da maior importância ao permitir o acesso dos cearenses a um acervo de valor histórico inestimável e de grande relevância para a pesquisa e preservação da literatura brasileira. “Na Unifor, ela se unirá a outros grandes e importantes acervos, mas certamente esta biblioteca receberá carinho especial de alunos, professores e colaborares da Universidade e do público em geral por toda a sua relação com a história de todos nós, cearenses”, diz a reitora.

Elvia Bezerra, do IMS, afirma estar bastante feliz com a doação da biblioteca, apesar de ter que se desfazer de um acervo tão valioso. O motivo é também de ordem natural e afetiva. Isso porque Elvia é cearense, natural de Mombaça, “bem pertinho de Quixadá”, terra natal da autora de “O Quinze”. “Rachel de Queiroz dormiu de rede até a sua morte, conservou o sotaque cearense e se manteve fiel às raízes ao longo da vida”, afirma Bezerra. Segundo ela, a ideia de devolver o acervo ao estado natal da autora foi prontamente atendida pelo IMS. “Conhecemos a Unifor e sabemos que a Universidade é qualificada para manter o alto padrão de cuidados estabelecido pelo IMS. Trata-se de uma bela parceria”, enfatiza.

A doação foi homologada pelo IMS à Maria Luíza de Queiroz Salek, irmã da escritora. “Visitei-a em novembro de 2016, e ela concordou plenamente com o destino do acervo de Rachel”, declara Elvia. Mesma posição teve o bibliófilo José Augusto Bezerra, presidente da Academia Cearense de Letras e dono de vasto acervo sobre Rachel de Queiroz. “Todos reconhecem que a Unifor tem condições não só de preservar, mas também de difundir esse rico material de pesquisa”, salienta.
 
Foto-reprodução/divulgação - legenda:Rachel de Queiroz, década de 1990 (Acervo Rachel de Queiroz Instituto Moreira Salles).
 
Fonte: A4&Holofote


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