terça-feira, 22 de agosto de 2017

KITTY PARANAGUÁ TRAZ POÉTICA DO RIO DE JANEIRO À JANAINA TORRES GALERIA

Autora de um trabalho que transborda poesia, fruto de sua relação com as pessoas, lugares e objetos que fotografa, a carioca Kitty Paranaguá apresenta, a partir desta terça-feira, 22 de agosto, Campos de Altitude, sua primeira individual na Janaina Torres Galeria. Com uma carreira estabelecida há mais de 20 anos, Kitty expõe pela primeira vez em São Paulo, abrindo também a programação oficial paralela da SP-Arte/Foto/2017.

Além da série que dá nome à mostra, a artista também apresenta ao público paulistano Copacabana. Os dois ensaios trazem uma visão emocionante e original da fotógrafa sobre sua cidade natal, o Rio de Janeiro.

Campos de Altitude revela a cidade através de personagens que vivem na tensão morro-asfalto. Ao longo de um ano e meio, Kitty subiu os morros em busca de vistas que trouxessem a impressão das transformações urbanas ocorridas ao longo do tempo. As comunidades de Pavão Pavãozinho, Tavares Bastos, Chapéu Mangueira, Cantagalo, Vidigal e Rocinha foram algumas das representadas pela fotógrafa.

Para obter novos ângulos, a Kitty entrou na casa dos moradores das favelas e descobriu ali algo além de uma boa vista: pessoas, histórias, memória e afetividade. Como numa câmera escura, Kitty projetou as imagens capturadas dentro das casas e sobre os corpos dos próprios moradores. Sob o seu olhar, crianças, adultos e idosos ganharam novos contornos e suas casas, novas cores.

Como resultado, a artista alcançou um retrato inédito do Rio de Janeiro, obtido a partir da linha sutil entre a relação - ou dissolução - do exterior com o interior, com alto impacto estético e emocional. Kitty Paranaguá registrou também os depoimentos dos personagens, que integram a exposição por meio de um áudio aberto no espaço da galeria.

“A série se debruça sobre a ideia de mostrar a paisagem do Rio de Janeiro e saber quem são os personagens que, mesmo vivendo no limite da exclusão social, possuem as melhores vistas da cidade do Rio de Janeiro”, afirma Kitty. “A comunidade é uma extensão das moradias, as vidas se entrelaçam, o limite entre o privado e o público é bem tênue”, completa.

O título do ensaio vem de uma expressão usada na botânica, que se refere às "relíquias de vegetação", onde vivem plantas raras e isoladas em um contexto distinto da flora dominante, assim como são os personagens, dentro da sua criação.

Com a curadoria de Diógenes Moura, Campos de Altitude foi um dos destaques da 10ª edição do FotoRio, encontro internacional de fotografia no Rio de Janeiro, cujo intuito é valorizar a fotografia como bem cultural, dando visibilidade aos grandes acervos e coleções públicas e privadas, assim como à produção fotográfica contemporânea brasileira e estrangeira. Em outubro, a exposição segue para a China – foi eleita como representante do evento carioca no Festival Internacional de Fotografia de Pequim, cujo tema deste ano será ‘Origem e Imaginação’. A iniciativa é resultado de uma parceria entre as duas instituições. Recentemente, fotografias da série foram ainda doadas para o Museu de Arte do Rio (MAR).

Copacabana

Também compõe a exposição a série Copacabana, outro importante trabalho da fotógrafa, que acaba de ser incorporado pelo acervo da Maison Européenne de la Photographie, em Paris, um dos principais espaços dedicados à fotografia contemporânea.

O ensaio retrata muitas Copacabanas, a partir de aspectos subliminares como paixões, humores e crenças, a série, feita na mítica praia, se distancia do aspecto estético da beleza natural, para incluir o fator humano e sensível, que cativa o olhar.

Para o artista Marco Antonio Portela, Kitty “nos coloca dentro de seus devaneios poéticos, em uma Copacabana que não é um lugar geográfico, mas um lugar dentro de todos nós”.

A série foi ainda eternizada em livro lançado em 2011, que traz não apenas os registros de Kitty, mas também textos do escritor e colunista Joaquim Ferreira dos Santos.

Sobre Kitty Paranaguá

Kitty Paranaguá iniciou sua carreira como repórter fotográfica no Jornal do Brasil. Em 2010, fundou o Ateliê Oriente. Suas obras retratam aspectos e espaços geográficos a partir da conexão que estabelece com suas paixões, crenças, humores e memórias. A fotógrafa tem obtido reconhecimento internacional. Exemplo disso é a já citada incorporação de 10 de seus trabalhos da série Copacabana no acervo da MEP, em Paris.

Serviço

Campos de Altitude, de Kitty Paranaguá

Local: Janaina Torres Galeria

Endereço: Rua Joaquim Antunes 177, sala 11

Abertura: 22 de agosto, terça-feira, das 19h às 22h

Período expositivo: de 22 de agosto a 30 de setembro

Horário de Funcionamento: seg a sex - das 10h às 19h e sábados - das 11h às 15h

Entrada gratuita

SP-Arte/Foto: Stand 24 | de 23 a 27 de agosto

Legenda: Filhas da Lica, Cantagalo (da Série Campos de Altitude), 2016 | Pigmento sobre papel de algodão | 100x100cm

Fonte: Assessoria de Imprensa

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