segunda-feira, 4 de março de 2019

CHOQUE CULTURAL APRESENTA COLETIVA NO ITAIM



Mostrar o mundo como uma estrutura passível à mudança e posicionar-se como resistência diante da profusão de contradições formais, políticas e socioculturais. Enquanto artista, colocar-se como um radar de seu tempo, sempre trazendo à tona uma reflexão daquilo que vive. É neste contexto que nasce Em Choque, coletiva que a Choque Cultural estreia no dia 16 de março no Projeto Estúdio|Itaim, com trabalhos recentes e inéditos de Alê Jordão, coletivo Bijari, Daniel Melim, Jaca, Mariana Martins, Narcélio Grud, Rafael Silveira e Tec.

A exposição marca um novo momento da galeria. No ano em que completa 15 anos em atividade, a Choque Cultural consolida seu espaço na arte pública e fortalece seu manifesto embrionário por atuar no coletivo. Como um projeto híbrido, as exposições extrapolam as paredes da galeria e ocupam as vias urbanas e espaços expositivos complementares. Os artistas abrem seus estúdios e os transformam em partes do todo. É o chamado Projeto Estúdio, que na ocasião da mostra ocupa o galpão industrial onde também funciona o ateliê de Alê Jordão.

Os estúdios onde criam os artistas Tec e Bijari também se juntam ao projeto, que atende ainda a uma demanda por fortalecer um canal direto entre público e criadores. No futuro, tais espaços também funcionarão como ambientes expositivos temporários. "O corpo de artistas da Choque tem uma visão cultural independente, ora distinta, ora similar, mas sempre complementar", afirma Laura Rago, curadora que se junta à equipe da Choque Cultural. "Funcionamos como um organismo vivo, colaboratório e pautado na inclusividade", acrescenta Baixo Ribeiro, fundador da galeria.

Em diálogo com o cenário atual que o Brasil atravessa, o corpo de artistas toma como um de seus objetivos aproximar o espectador dos fatos históricos que o rodeiam. As memórias encapsuladas de Mariana Martins, materializadas em obras com resina transparente, preservam e passam adiante suas lembranças. Ela também exibe trabalhos da série Diplomas, feitos a partir da combinação de linguagens que a acompanha todo o tempo: o desenho, a pintura, a caligrafia e a colagem. Com eles, a artista levanta questionamentos sobre o sistema educacional tradicional.

Em suas diversas singularidades, a arte também surge como ferramenta para o desenvolvimento de novas perspectivas de dinâmicas sociais e de poder entre a cidade e seus habitantes. Com trabalhos da série Navalha Estética e Política, o coletivo Bijari, grupo multidisciplinar e de postura politizada, instiga o público a refletir sobre as circunstâncias políticas do presente. Exibem, ainda, Poderes, obra na qual juntam dois cassetetes formando uma cruz em referência às organizações que detêm o poder.

A cidade também é base recorrente para estes artistas. O argentino Tec, autor de uma obra que reafirma sua relação com a metrópole, convida o espectador a uma interação pela transgressão de escalas. Na exposição, ele reflete sobre temas que reverberam nas ruas paulistanas e exibe uma videoinstalação inédita, posicionada no piso de um ringue que ocupa parte do espaço expositivo. O artista apresenta ainda vídeos da série Culatra, uma sequência de desenhos recentes, feitos no asfalto e registrados com o auxílio de um drone - ferramenta inserida nos últimos anos em sua obra.

A desconstrução e a ressignificação de objetos surgem no trabalho do cearense Narcélio Grud aliadas ao convite por interações com o ambiente expositivo. No conjunto inédito Fé Cega, Faca Amolada, o artista apresenta uma série de objetos construídos com tábuas de carne e facas que, combinadas, formam kalimbas. Em suas mãos, as lâminas se tornam esculturas sonoras e evidenciam sua relação com a cinética.

Os clichês usados na publicidade que, quase sempre, remetem a um mundo ingenuamente feliz, aparecem na pesquisa de Daniel Melim. O artista criado no ABC Paulista, palco de importantes acontecimentos políticos do País, cria resíduos de imagens desfocadas e borradas, por vezes desfiguradas e transformadas em ruído visual. Se assemelham aos muros mal-acabados e construções míseras de sua cidade natal. Na exposição, o artista apresenta telas inéditas, nas quais transforma os clichês em estêncil a partir da combinação de acrílica, látex e spray.

O imagético pop e ligado ao mundo da propaganda volta a parecer nas narrativas criadas por Alê Jordão. O artista constrói estruturas frágeis a partir da desconstrução de estruturas de metal e apresenta, ainda, trabalhos em neon, muitos dos quais tangenciam o universo do consumo.

Mesmo diante da realidade atual que o País atravessa, o espectador é convidado a entrar Em Choque e se deixar tomar por um universo onírico e ambíguo. Jaca, artista que transita entre o desenho, a pintura, o design gráfico, a caligrafia e a colagem, incita o público a entrar em seu universo através de personagens fantásticos, cenários e situações imaginárias que abriga em suas telas. Rafael Silveira reforça a necessidade de falarmos dos sonhos, mesmo em tempos difíceis. O artista passeia pela intimidade dos pensamentos e apresenta obras inéditas - de suas já características telas surrealistas até crochês e bordados produzidos em parceria com a artista Flávia Itiberê.

Além de reunir a produção recente de todos os artistas representados, a mostra apresenta uma obra inédita, de autoria do corpo artístico. "Acreditamos que a arte é uma potência transformadora capaz de incitar a ação crítica do público e queremos propor uma imersão em novos meios de experienciá-la", diz a curadora.

Em sintonia com este novo momento, Laura Rago, além de se juntar a galeria, anuncia que, em breve, deve coordenar um programa curatorial de caráter institucional encabeçado pela Choque Cultural.

Serviço:

Em Choque, com Alê Jordão, Bijari, Daniel Melim, Jaca, Mariana Martins, Rafael Silveira e TEC

Local: Choque Cultural - Projeto Estúdio | Itaim

Abertura: 16 de março, sábado, a partir das 11h

Período expositivo: de 16 de janeiro a 03 de maio

Horário de visitação: de terça a sábado, das 11h às 18h (fecha durante o carnaval)

Legenda: Detalhe da obra La Dolce Vita, de Rafael Silveira e Flávia Itiberê

Fonte: Assessoria de Imprensa

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