terça-feira, 25 de junho de 2019

CENTRO DE MEMÓRIA BUNGE RESGATA HISTÓRIA DOS PRIMEIROS IMIGRANTES NO BRASIL



Durante o mês de junho é celebrado o Dia do Imigrante e da Imigração Japonesa, duas datas que destacam a importância do imigrante na constituição da força de trabalho do Brasil, bem como na cultura, gastronomia, hábitos e, até mesmo, a língua. Para contar um pouco dessa história, o Centro de Memória Bunge, um dos mais importantes acervos de memória empresarial, mantido pela Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, destacou alguns materiais relacionados à chegada dos imigrantes, a partir dos mais de 1,5 milhão de documentos que contam a história do país.

Os movimentos migratórios alavancaram diversos segmentos da economia com a participação de italianos, alemães, ucranianos, poloneses, espanhóis, russos, africanos e japoneses que chegaram entre os séculos XVIII e XIX. Esses trabalhadores atuaram nas primeiras fábricas e indústrias locais, sendo igualmente protagonistas do desenvolvimento do setor.

Outra nacionalidade de destaque é a japonesa. O Brasil é o país com a maior comunidade destes imigrantes fora do Japão. Os primeiros registros localizados são do início do século XX e em 18 de junho é celebrado o Dia do Imigrante Japonês, que marca a chegada do primeiro navio, Kasato Maru, trazendo 165 famílias ao Brasil, que superariam, décadas depois, a marca de dois milhões pessoas. Desde o início deste processo migratório a cidade de São Paulo sempre registrou a maior concentração de comunidades orientais.

A imigração se deu por um acordo firmado entre o governo dos dois países que encontraram uma oportunidade com o cenário de recessão registrado no Japão e a necessidade de mão de obra no Brasil para as lavouras de café, algodão, exploração da borracha na Amazônia e plantações de pimenta no Pará, entre outras. O último navio a aportar no país ocorreu em 1973 e hoje a colônia japonesa tem gerações isseis, os nascidos no Japão; nisseis, primeira geração nascida no Brasil, sanseis e yoseis, segundas e terceiras gerações.

Nos últimos anos o tema da imigração passou a ter uma nova mecânica discutida mundialmente. Condições adversas como crises, violências e graves problemas econômicos locais registrados em muitos países causaram o deslocamento em massa de refugiados para lugares como o Brasil. Hoje, ainda mais comuns, são pessoas que migram em busca de refúgio político ou fugindo de guerras. A viagem, ainda mais delicada, movimenta famílias inteiras por conta das perseguições ou por falta das mínimas condições de sobrevivência no país de origem.

Em 2017, segundo o Comitê Nacional para os Refugiados, foram totalizados 10.145 refugiados reconhecidos no Brasil, sendo a Síria a nacionalidade com maior número (39%).

Entre 2010 e 2017, o País recebeu 52.243 solicitações de refúgios de haitianos. Deste número, apenas dois foram reconhecidos como refugiados no Brasil, um em 2008 e outro em 2016, segundo o relatório Refúgio em Números 3ª edição. A crise humanitária na Venezuela também trouxe muitos exemplos: de 2015 a 2018 a Polícia Federal registrou 54,1 mil pedidos de refúgio no Brasil.

Pensando na importância desses movimentos e na necessidade de reconhecimento deste povo que a Assembleia Geral das Nações Unidas, órgão ligado à ONU, decretou 20 de junho foi decretado o Dia Mundial do Refugiado.

De acordo com Polícia Federal, no ano de 2018, 94 mil pessoas chegaram ao País também em busca de novas oportunidades de emprego e de vida. Por isso, recontar a história da chegada de imigrantes e suas contribuições para o crescimento do Brasil, contribui para o entendimento de que, em diversos momentos, esses movimentos migratórios são inevitáveis e indispensáveis.

Sobre:

Centro de Memória Bunge

O Centro de Memória Bunge foi criado em 1994 e desde então é um dos projetos da Fundação Bunge. Referência na área de preservação da memória empresarial, o local tem como objetivo a guarda e preservação de documentação histórica, a disseminação do conhecimento e a utilização de seu acervo como um instrumento estratégico de gestão.

Para facilitar o acesso ao público e compartilhar com a sociedade o aprendizado construído, o CMB disponibiliza seu acervo online (www.fundacaobunge.org.br/acervocmb/) e conta com atividades gratuitas como Atendimento a Pesquisas, Exposições Temáticas, Visitas Técnicas e Benchmarking. Além disso, promove as Jornadas Culturais, série de palestras e oficinas gratuitas com objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação de acervos históricos e patrimoniais.

Fundação Bunge

A Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, há mais de 60 anos atua em diferentes frentes com o compromisso de valorizar pessoas e somar talentos para construir novos caminhos. Suas ações estabelecem uma relação entre passado, presente e futuro e são colocadas em práticas por meio da preservação da memória empresarial (Centro de Memória Bunge), do incentivo à leitura (Semear Leitores), do voluntariado corporativo (Comunidade Educativa), do desenvolvimento territorial sustentável (Comunidade Integrada) e do incentivo às ciências, letras e artes (Prêmio Fundação Bunge).

Fonte/Imagens-reprodução-divulgação: Assessoria de Imprensa – Legenda: *Lavoura de Algodão. Local não identificado. Autoria não identificada. Ampliação em P&B. Anos 1950. Acervo Centro de Memória Bunge. * Trabalhadores migrantes nacionais e estrangeiros trabalhando no cais do porto de Santos (SP), no início da década de 1920 (Arquivo do Centro de Memória Bunge).

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