domingo, 28 de julho de 2019

QUALIDADE DO VINHO BRASILEIRO PASSOU POR REVOLUÇÃO, AFIRMA PROFESSOR DA FGV


Valdiney Ferreira, autor do livro Vinho e mercado: fazendo negócios no Brasil, que será lançado pela Editora FGV no dia 5 de agosto, diz que a qualidade dos vinhos brasileiros passou por verdadeira revolução nas últimas décadas. Mas o acordo entre Mercosul e União Europeia, vantajoso para o consumidor brasileiro de vinhos, precisa trazer, também, algum tipo de compensação para os produtores nacionais. Na obra, Ferreira, que é professor do curso Mercado e Negócios do Vinho, reúne análises de líderes empresariais e especialistas desse mercado. Seu objetivo é responder a uma questão central: a produção brasileira pode suprir a demanda interna e até competir no cenário mundial, ou seremos reconhecidos apenas como um grande importador de vinhos?

A produção nacional tem condições de prevalecer no mercado interno e ser competitiva internacionalmente?

Valdiney Ferreira: Do ponto de vista da qualidade, tem totais condições. O problema é que os vinhos brasileiros sofrem taxações superiores não apenas na comparação com os europeus, mas também em relação aos produtos similares do Mercosul. Cerca de 45% dos vinhos importados pelo Brasil em 2018 foram chilenos.

E como o acordo do Mercosul com a União Europeia vai afetar o mercado brasileiro?

VF: Para o consumidor terá um impacto positivo, pois pode tornar os vinhos europeus muito mais acessíveis. Afinal o imposto de importação de 27% será reduzido a zero. Pelo lado dos produtores brasileiros, será preciso algum tipo de compensação, porque o "custo Brasil" ainda é muito alto. As tarifas pagas pelos produtos europeus chegarão a 0%, em até 12 anos, então será preciso usar bem esse tempo para melhorar a competitividade da indústria do vinho do Brasil.

Há políticas públicas que atendam a essa necessidade?

VF: Temos que esperar ainda para avaliar com mais propriedade o que será na prática o fundo de R$150 milhões que foi anunciado. Em termos de comparação na UE os produtores têm um programa com recursos anuais de € 1.1 bilhão. Houve e há iniciativas na área fiscal. O Governo do Rio Grande do Sul, por exemplo, zerou o ICMS para operações dentro do Estado. Seria importante que outros estados que são grandes consumidores fizessem o mesmo. É possível e têm sido discutidas facilitações de IPI, pelo Governo Federal. No entanto, mais do que medidas pontuais, é fundamental que tenhamos uma política definitiva para o setor. Portugal, por exemplo, é um país que tem dado incentivos importantes para a indústria de vinhos, o que muitas vezes não quer dizer dinheiro e, sim, facilitar a tomada de capital para financiamento da renovação de vinhedos, ou pesquisa e tecnologia.

O senhor foi muito enfático ao responder que os vinhos nacionais são competitivos em termos de qualidade. Houve uma evolução nas últimas décadas?

VF: Não diria evolução e, sim, revolução. Na década de 90, com a abertura do mercado brasileiro, as multinacionais que operavam aqui decidiram sair do país. Com isso perdemos empregos e investimentos. Ao mesmo tempo, ficou a mão-de-obra, extremamente qualificada, que passou a criar os próprios negócios. De lá para cá, houve um salto em termos de tecnologia, técnica, conhecimento e diversificação. Hoje se produz, de acordo com as características do local, em todo o Rio Grande do Sul; em Santa Catarina; e em Minas e São Paulo, os vinhos de inverno; na Bahia e em Pernambuco, no Vale do São Francisco. Nossos vinhos conquistaram reconhecimento internacional.

Esse mercado, então, tem perspectivas de expansão?

VF: Com certeza. Vale inclusive fazer uma ressalva. Os espumantes nacionais avançaram tanto que já conseguem ser competitivos até do ponto de vista do custo-benefício, dentro e fora do Brasil. Esse processo pode se aprofundar e se estender para os vinhos tranquilos (como são chamados os vinhos sem espuma), que têm reconhecimento, mas perdem pelo custo. Hoje o mercado de vinhos no Brasil movimenta em torno de R$ 14 bilhões (off-trade + on-trade) com potencial para aumentar muito. O livro, aliás, será lançado durante o Seminário Vinho&Mercado 2019, que trará diversos especialistas para debater essas perspectivas.

Serviço

Lançamento do livro Vinho e mercado: fazendo negócios no Brasil

Data: 5/8/19

Horário: 17h30

Local: Seminário Vinho & Mercado 2019, parte da programação do Rio WineandFood Festival, no Centro Cultural FGV, na Praia de Botafogo 186. 

Fonte: Assessoria de Imprensa

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