sábado, 3 de outubro de 2015

COMPLEXO DA PAMPULHA CONCORRE AO TÍTULO DE PATRIMÔNIO MUNDIAL

Terreno fértil para a criatividade de Oscar Niemeyer, o complexo arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, poderá ser reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial. Da prancheta do jovem arquiteto, saíram as curvas que inauguraram o novo jeito de se representar o Brasil moderno.
 
Os dossiê que solicita o reconhecimento está sendo analisado por técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Hoje (3 de outubro) eles se reúnem para longa avaliação da candidatura.

O dossiê de candidatura, com mais de 500 páginas, foi entregue ao Iphan em 2014 e contempla toda a documentação exigida para a inclusão do Conjunto Moderna da Pampulha na Lista do Patrimônio Mundial, da UNESCO. O pedido está em análise desde fevereiro e não há prazo para definição.
 
“A Pampulha foi o começo da arquitetura de Oscar Niemeyer”, lembra Carlos Ricardo Niemeyer, superintendente da Fundação que leva o nome do grande arquiteto. “Foi graças à Pampulha que ele pôde construir Brasília”, completa.
 
O conjunto inclui os edifícios e jardins da Igreja de São Francisco de Assis, o atual Museu de Arte da Pampulha (antigo Cassino), a Casa do Baile (atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte), o Iate Golfe Clube (hoje Iate Tênis Clube), além da residência de Juscelino Kubitschek, o espelho d’água e a orla da Lagoa no trecho que os articula.

Carlos Niemeyer explica que a candidatura é importante porque estabelece compromissos para a revitalização do espaço e da reconstituição do Iate clube da Pampulha e, também, contribui para aumentar a consciência sobre a importância de preservar o conjunto.
 
“Ao longo dos anos, o conjunto foi muito desconfigurado”, lamenta Carlos. “O compromisso que existe para obter esse registro é que seja reconstituído o projeto original e derrubado tudo que foi construído depois. Isso era uma reclamação constante do Oscar. Essa candidatura vai permitir a recuperação da obra dele e isso será um ganho fantástico”, avalia.

Hoje, participam do encontro entre os técnicos, a presidente do Iphan, Jurema Machado, o secretário de estado de Cultura de Minas Gerais, Ângelo Oswaldo e o prefeito de Belo Horizonte, Marcio de Araújo Lacerda.
 
MODERNIDADE
 
O conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha foi inaugurado em 1943, quando Juscelino Kubitscheck era prefeito de Belo Horizonte. Além de Oscar Niemeyer, o projeto contou com a participação do paisagista Roberto Burle Marx e possui painéis de Cândido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti.

A Igreja de São Francisco de Assis, incluindo suas obras de arte, tombada em 1947, destaca-se como o primeiro monumento moderno a receber proteção federal no país. Todo o conjunto foi tombado pelo Iphan, em 1997.
 
As formas curvas e as qualidades plásticas do concreto armado que compõem as construções da Pampulha representam a materialidade de um momento histórico para a arte e a arquitetura. Nessa época, ocorre no Brasil uma intensa produção cultural com novas linguagens de expressão arquitetônica, impulsionada pelas ideias revolucionárias e vanguardistas do modernismo, que influenciou as gerações posteriores, no Brasil e no mundo.

Texto: Cecilia Coelho | Assessoria de Comunicação/MinC

Foto: Reprodução/divulgação.

Fonte: http://culturadigital.br/mincnordeste/2015/10/01/complexo-da-pampulha-concorre-ao-titulo-de-patrimonio-mundial/


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