segunda-feira, 23 de março de 2020

CORDEL SOBRE CORONA VÍRUS


O corona vírus, ou Covid-19, é uma praga que está ameaçando o mundo. Sua primeira vítima foi anunciada em 17 de novembro de 2019, na China. De lá pra cá, milhares e milhares de pessoas foram infectadas e mortas na própria China, Europa e mundo todo.
Depois da China, a Itália é o país que mais tem sofrido com esse mal, seguida da Espanha. 
É comum os artistas da cultura popular, incluindo músicos, registrarem as mazelas que desabam sobre um país ou o planeta.
O jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo, paraibano de João Pessoa radicado na capital paulista desde 1976, foi o primeiro autor a escrever um folheto de cordel contando as diabruras do vírus. O folheto Piolho do cramunhão faz o mundo todo tremer acaba de ser publicado pela editora especializada Tupynanquim, do Ceará. A capa é assinada por Antônio Klévisson Viana, autor de centenas de folhetos, entre os quais A quenga e O delegado, este adaptado pela TV Globo, em 2001. Assis é autor de vários livros sobre cultura popular e presidente do Instituto Memoria Brasil (IMS ).
Esta não é a primeira vez que um vírus enche o mundo de medo.
Do século XIV, na China surgiu a Peste Negra. Essa praga estendeu-se pela Europa e mundo todo, incluindo o Brasil. Até hoje há registros de pessoas ainda vitimadas por essa peste, inclusive no Nordeste brasileiro. No seu auge, dizimou 1/3 da população europeia.
A cólera também foi uma praga que assustou mundo, no século XVIII. Milhões de pessoas morreram ou ficaram cegas após contraírem esse mal. A varíola também matou muita gente.
A Gripe Espanhola, que surgiu nos Estados Unidos, também matou milhões de pessoas entre 1918 e 1920. O dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) contou em crônica no jornal carioca O Globo o que lembrava desse mal na infância.
O compositor baiano Assis Valente (1911-1958), autor da canção de natalina Boas Festas, deixou registrado na Discografia Brasileira o samba-choro E o mundo não se acabou, gravado originalmente em 9/3/1938 e lançado à praça em abril do mesmo ano, pela Odeon.
Trechos do folheto Piolho do cramunhão faz o mundo todo tremer:
Filho da Peste Negra
Terror, horror, danação
O Bicho Feio mata
Pela boca, pela mão
Já nem se pode beijar
Isso é fato, meu irmão!
Ele anda por aí
Em Paris, Berlim, Milão
Com uma foice nas costas
Ataca de supetão
Tra-lá-lá ele pegou
Bem pra lá de um milhão
Apanhar o maldito vírus
É ganhar condenação
É ganhar um passaporte
Só de ida num caixão
O Bicho pega e mata
Sem qualquer explicação
Especialistas pedem
Pra o povo lavar mão
Pra o povo se cuidar
Pra não dar bobeira, não
Indícios fazem crer
Ser o Bode a maldição
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Ouvi repórter falar
No rádio, televisão
Terrível é esse vírus
Que maltrata cidadão
Que põe fim a bom abraço
E impede apertar mão
Porém há bobo que diz
Ser tudo isso invenção
Ser apenas fantasia
De repórter de plantão
Quanta bobagem é dita
Pra se chamar atenção!
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Corona vírus veta
Donald Trump em eleição
Por evitar reconhecer
A força do Cramunhão
No brasil, o presidente
Diz ser vírus invenção
A língua do Bolsovírus
Não cabe num caminhão
Pois diz tanta besteira
De arrepiar o Cunhão
Que continua preso
Cumprindo condenação...

Fonte: Assessoria de Imprensa

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