segunda-feira, 17 de maio de 2021

SEGURANÇA E RELAÇÕES DE PODER NA INTERNET SÃO TEMAS DO NOVO LIVRO DE CRISTÓBAL COBO

A consolidação da internet e das redes sociais, agora comuns na vida de significativa parcela da população mundial, traz também uma nova configuração de relações de poder e demanda novos parâmetros de segurança. Esse é o principal argumento defendido pelo professor e especialista em Tecnologia da Informação, Cristóbal Cobo, em seu novo livro, "Aceito as Condições - Usos e abusos das tecnologias digitais", que chega ao Brasil neste mês por meio da Fundação Santillana.

Na obra, Cobo detalha a popularização da internet - bem como o acesso facilitado a aparelhos digitais nos últimos anos - e como essas mudanças afetaram o comportamento social humano de forma geral. Cobo também aborda as implicações de uma circulação massiva de dados pelo meio digital, impactando não só na segurança dos usuários, mas também naturalizando a exposição de informações pessoais dos indivíduos, muitas vezes com autorização quase inconsciente dos próprios.

Segundo o autor, as configurações atuais de uso dos meios digitais acabam gerando novas e abusivas relações de poder, principalmente por conta de assimetrias geradas pela pouca quantidade de agentes que controlam os serviços disponíveis na rede e a imensa quantidade de indivíduos que cedem informações preciosas sem qualquer tipo de recompensação: "Vinte anos depois da massificação da internet, essa plataforma deixou de ser concebida apenas como uma ferramenta de inclusão. Hoje gera e amplifica novas formas de poder e controle: vigilância, influência e manipulação, extorsão, perda do autocontrole ou sobrecarga cognitiva. Ignorar esses assuntos estabelece novas brechas digitais. Vivemos um tipo de feudalismo digital no qual poucos administram os dados e uma grande população os entrega sem receber uma compensação econômica", defende Cobo na introdução do livro.

Durante todo o texto, Cobo explora quais são as brechas digitais geradas pelos "termos de aceite" e a suposta gratuidade de serviços oferecidos pela rede - cujo pagamento se dá indiretamente por meio da autorização de uso dos dados do usuário. A pouca clareza sobre como esses dados serão utilizados, mesmo que com o consentimento do usuário, faz com que se crie distorções que permitem relações de abuso de poder e crimes digitais dos mais diversos.

O autor também aborda como há pouco espaço para inclusão no meio digital, provocando desigualdades em diversos níveis: a rede, no atual estágio, tanto exclui (sobretudo nos locais com vulnerabilidade social e de infraestrutura, sem investimentos públicos ou privados em internet de qualidade e com preços acessíveis), como também diferencia os usuários que acessam o ambiente online, valorizando aqueles que possuem melhor formação e ajudando a criar monopólios que favorecem grandes grupos empresariais, tais como Google, Amazon, Google e Microsoft. "A atual concentração do poder digital em poucas companhias não está apenas gerando novas formas de poder e controle que exacerbam as já existentes, mas também criando novas formas de exclusão e periferia", explica Cobo.

Porém, como reforçado ao longo de toda a obra, a intenção do texto não é demonizar o sistema digital (que trouxe importantes revoluções no contexto social, facilitando e muito nossas rotinas e processos), mas promover a discussão crítica e democrática sobre o tema, elencando quais são os principais problemas em termos de acessibilidade e qual deve ser o papel de cada um para mudar o atual quadro.

Assim, por meio da união entre sociedade, instituições públicas e agentes privados, seria possível conceber um ambiente digitais mais inclusivo e seguro, onde usuários interagem com dados e algoritmos de forma consciente; gerando melhores oportunidades de negócios e fazendo com que as redes possam efetivamente ajudar a diminuir as muitas desigualdades presentes no mundo - online e offline.

Webinário de lançamento: com a presença de Thales Gomes, coordenador de compras públicas do Cieb (Centro de Inovação para a Educação Brasileira), Miguel Thompson, diretor Acadêmico da Fundação Santillana e André Lázaro, diretor de Políticas Púbicas. Assista no Facebook da Fundação Santillana ou no canal do YouTube da Moderna

Ficha técnica

"Aceito as Condições" - Usos e abusos das tecnologias digitais

Autoria: Cristóbal Cobo

Tradução: Maria Alice Manzone Rossi

Número de páginas: 170

Para mais informações, acesse: https://mod.lk/aceitoas

Sobre a Fundação Santillana

A Fundação Santillana dedica-se à produção, organização e difusão de informações que contribuam para que a Educação alcance os desejados padrões de qualidade e equidade. Constituída em 1979, atua na Ibero-América e no Brasil, aonde chegou em 2008. Por meio de suas publicações, cursos, seminários e oficinas e de parcerias com organizações nacionais e internacionais, busca compartilhar experiências inovadoras e difundir informações relevantes para a promoção do direito à Educação, componente indispensável para o fortalecimento de sociedades democráticas, justas e sustentáveis.

Fonte: Assessoria de Imprensa



 

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