Boa noite meus senhores
E as senhoras também
Confesso que saí do Teatro Lima Penante, bastante gratificado.
Depois de ter assistido, junto a magnetizado público espectador teatral.
Singular, risonhos, festivos, quão preciosos flertes ciosos, entre palco e platéia, perceptíveis.
Em pleno desenlace, do Tempo comum, queda penumbra em Resistência à rara abertura do ciclo pastoril que, no calendário litúrgico se inicia, acesas luminárias para com o Tempo do Advento, encontrará, outros melhores momentos. Clímax, durante o transcurso das Festas do Natal e/ou ápice, na Festa da Epifânia que nos revela a vinda do Menino Deus, que veio para salvar o mundo, assim que, Nele, o Divino Espírito Santo, se manifesta.
Qual pacificadora ave/Mística consiga apaziguar, por fim. Distintos povos e nações soberanas, neste Plano temporal. Vem para semear a paz do mundo inteiro, assim, o nosso simbólico Rebento, deixa tudo de amargo para trás. Ele vem nos oferecer doce-seco e outras delícias como sugere outro alegórico balé Quebra-Nozes com múltiplas iguarias e júbilos.
Por evocar movediças épocas que mudam a cada Estação, a cada semana, nas suas mutantes cores, tons e respectivas matrizes, seletivo a cada alternada folha soprada, em ambos os calendários. Em seus pretérito-passados. Vem anunciar, neste por vir, nas suas flâmulas bramir.
Aos vivos
Em suas
respectivas cores: verde, lilás, roxo, vermelho e rosa. Prosseguem até o dia de
Santo Reis quando ocorre a queima da Lapinha, e logo depois, por sobre A
Terracota e o Lábaro estrelado. Nele, reencarna-se O Verbo esperançar, nessa
rubro encenada Écloga, sob o Anil celestial. Tudo, logo se tornariam cinzas.
Para depois, tudo renascer, ágil, feito a Fênix
.
Bel encantador, renovo, a outros longevos esperanto
O natal é a Semente da paixão. É o broto, ornado em torno das flores que aninha e dá amparo aos seres, animados ou vegetais. Crescem, se multiplicam. Fenece misteriosamente, onde? Entre céus e terra; mares e Ares; tendas ou Gare; assim, o eterno povo cristão vive brincando de se esconder.
Na primeira parte assistimos ao Reisado Mirim, vindo de Bayeux. Maravilha de encontro marcado com a figura do jaguará. Enxertos com o seu rabo de jacaré com pescoço de girafa se alia ao pai do mangue em defesa das marés e dos siris na lata.
E que não nos falte, no verão ou no inverno, a dadivosa lama misturada com farinha e muita mandioca que tanto nutrem de manipueira os manguezais, as barrigas e hidropsia dos nossos povos e úmido Lagares.
Nessa contradança dos arcos, floridos em papéis crepom. Aparecem e fazem desaparecer pueril, o bumba meu boi.
Valei-nos Ó Meninos Deus, poetinha de calças curtas
Ele jamais usaria fraldinhas nem geriátricos grandões descartáveis. Não esqueci do tempo que os lavabo de nossos cueiros foram mais duradouros.
Epa. Lá vem a burrinha faceira, trazer mais alegria às mais belas pastorinhas a dançar. No que foi antes, a Avenida Liberdade, agora, se expande no binário dos atores/ Brincantes, sênior Zé I e II.
Fantasmagórico, ressurge debaixo da Ponte do Baralho. Vem nos desafiar a jogar.
Infinito enquanto truque
O pastoril da longevidade, vem ressuscitar a eterna juventude às ternuras de Dona Creuza Pires.
A esposa do sênior Adrião Pires continua a servir de coroinha ao Dom José Maria, sem pires em suas mãos.
Muito além do alto do céu
São Naif composições in Natura, tudo funciona a contento.
Porfia, no enredado por o ator/ histrião Marcos Vinícius e suas duas netinhas lindas. Acende cenográficos gravetos apenas com o atrito de pedras/ artifícios nos seixos encontrados na praia do Seixas.
Oxente
Créditos para a rústica cenografia de Valdir Santos que se une aos esmeros do áudio offmaik, a coreografia, a direção, performances, sintéticas instalações, em face de bem sucedida Produção cênica, enaltecendo formidável Elenco da melhor Idade da Razão às Artes cênicas.
Ad referenda espontâneos aplausos, em cenas abertas, também não dispensaria alguns níqueis de troco, em moedas ou Notas maiores. Ao alcance do tablado, viria corroborar com mais incentivos a Lei Paulo Gustavo, somar melhor apurado ao solidário Elenco, movido à recíproca de nossos afetos por sobre suado vapor.
Assoalho
Tem cenas que deveriam se impor melhor perante alguns excessos narrados.
Nossa Senhora, de óculos?
Ou seria mero golpe de vista. ah ah ah
Invertida situação etária. Dá para perceber. São José é um jovem mancebo. Ih, Maria, que se percebe, por demais, A Vitalina assume transversalmente, ao papel que conclama Santa Isabel, fica congelado. A brincar de estátua!
Estórias de Trancoso, parado no Ar
Ou seria implícito comunicado, sem o gelo-seco, irrecusável, pelo nosso inesquecível diretor de artes Roberto Cartaxo, emborcado, nesse tacho.
E vamos parando por aqui
Pois, quem não vier assistir a este Auto de Natal, se não for a mulher do saco do cristão. Ainda anda com medo de vir ao teatro com receio daquela tremenda pandemia?
Eu vou te falar, carambas!
Ah Índia está na sacristia sem ver as misuras no saco do cristão. Pergunte ao sacristão.
Epa. Quando a classificação, esta dramatização destina-se à plateia de São Severino.
Contempla meninas e meninos. Homens, mulheres e crianças fazem rir até pessoas que se imaginarem adultas. Podes crer.
Agrada até embrião no ventre
Por isso, chouriço. Jesus nasceu para nos salvar.
Concluo com os versos de Manoel, deu Barra-Bandeiras:
Sinos de Belém
batem bem, bem, bem
Sinos de Sião
batem bão, bão, bão
Sinos do Bonfim
-- o quê será de mim?
Feliz Natal
e um próspero 2026
a todos e todas.
Evoé 
POR EDILSON DIAS - JORNALISTA, ATOR, ARTISTA*
Foto/crédito: Dani Costa

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