FESTIVAL DE CINEMA FAZ HOMENAGEM A ZITA CARVALHOSA E DESTACA MUDANÇAS CLIMÁTICAS, CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO, COLONIALISMO E POVOS ORIGINÁRIOS, ATIVISMO FEMINISTA, SAÚDE MENTAL E EDUCAÇÃO

 

Com um total de 104 filmes, representando 27 países, a 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema destaca temas relacionados às mudanças climáticas, conflitos no Oriente Médio, ameaças aos territórios dos povos originários, lutas feministas e questões de gênero, saúde mental, entre outros. Na programação está uma homenagem à produtora paulista Zita Carvalhosa, falecida em 2025; uma retrospectiva histórica dedicada à trajetória do Seminário Flaherty, espaço privilegiado de reflexão sobre o cinema documentário e independente, com destaque para o papel central de sua fundadora, Frances Hubbard Flaherty; uma mostra contemporânea com os destaques do cinema socioambiental internacional; duas competições exclusivas para filmes brasileiros de longa e curta-metragem; e vários outros programas. São dirigidas ou codirigidas por cineastas mulheres 59 - ou 56,7% - das obras. 

 

Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival acontece de 28 de maio a 10 de junho na cidade de São Paulo, ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita. Além das exibições de filmes, estão agendados debates, encontros, bate-papos com realizadores e críticos de cinema, oficinas e uma masterclass com o convidado internacional Sami van Ingen. Seleções de filmes ficam disponibilizadas também em duas plataformas de streaming parceiras, ambas com acesso gratuito: Itaú Cultural Play e Spcine Play. 

 

A grande homenageada desta edição da Mostra Ecofalante de Cinema é a produtora Zita Carvalhosa (1960-2025). Importante nome da área audiovisual brasileira, ela assina a produção executiva de 59 séries, longas e curtas-metragens. Também comandou o Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo e as Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual. A seleção de sua produção com temáticas socioambientais exibida na Mostra inclui os longas "O Cineasta da Selva", de Aurélio Michiles, “Carvão”, de Carolina Markowicz, e “Fé”, de Ricardo Dias, ao lado dos curtas “Distraída para a Morte”, (Jeferson De), “A Alma do Negócio” (José Roberto Torero) e “Onde São Paulo Acaba” (Andrea Seligmann).

 

A atração de abertura do evento, em 27/05, exclusiva para convidados, é “O Urso Inconveniente”, uma coprodução entre os EUA e o Reino Unido ainda inédita no Brasil. O longa causou forte impacto no Festival de Sundance deste ano, quando venceu o grande prêmio do júri para documentários. Dirigido por Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman, o filme acompanha o caminho tradicional de migração de um urso polar, que se aproxima de áreas povoadas, gerando conflitos entre os interesses humanos e a natureza selvagem.

 

Entre os destaques da programação estão filmes que têm entre seus produtores executivos o ator Leonardo DiCaprio e o diretor Ang Lee. DiCaprio está na equipe de “O Grande Lago Salgado”, longa dirigido por Abby Ellis inédito do Brasil que foi premiado no Festival de Sundance. A obra descreve o secamento do Grande Lago Salgado (Great Salt Lake), em Utah (EUA), liberando componentes depositados em seu fundo sob a forma de poeira tóxica e contaminando o ar da região. Já Ang Lee é um dos responsáveis por “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”, uma abordagem da epopéia do velejador Steven Callahan, que sobreviveu 76 dias sozinho em um bote salva-vidas cruzando o Atlântico.

 

Uma série de debates discutem questões urgentes ligadas às questões socioambientais e dialogam com filmes da programação. O encontro “Emergência Climática & Crise Ambiental”, agendado para 28/05, reúne o físico Paulo Artaxo (USP), a advogada pública e pesquisadora Erika Pires Ramos, da Rede Sul-Americana para as Migrações Ambientais (RESAMA), e o cientista José Antonio Marengo Orsini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais - Cemaden/MCTI, com mediação da jornalista Daniela Chiaretti. O filme exibido antes do debate é o espanhol “Bangladesh Submersa”, de Lucía Benito. Vencedora do prêmio de melhor filme socioambiental no Festival de Guadalajara e inédita no Brasil, a obra acompanha uma família de Bangladesh se preparando para escapar do clima extremo que assola a região em que vivem.

 

No dia 29/05, o tema do debate é “Colonialismo, Território e Povos Originários: Histórias de saques e violências”, sendo que o filme exibido é “Nossa Terra”, primeiro documentário dirigido pela aclamada cineasta argentina Lucrecia Martel (de “O Pântano” e “A Menina Santa”). Ainda inédito em São Paulo, o longa foi lançado no Festival de Veneza, venceu o BFI London Film Festival e foi premiado no Festival de Locarno. A revista The Hollywood Reporter definiu o filme como uma “crônica contundente” e um “documentário visualmente esplêndido”, destacando a forma meticulosa e expressiva com que o cinema de Martel retrata o roubo histórico das terras da comunidade indígena Chuschagasta e a sua resistência. A programação reserva ainda espaço para outras três obras relacionadas a esse debate. Vencedor do prêmio de patrimônio cultural imaterial no festival Cinéma du Réel (França), “Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro”, de Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander, acompanha um barqueiro quilombola na floresta tropical do Suriname que navega entre as tradições ancestrais e o capitalismo moderno. É inédito no Brasil, assim como o peruano “Runa Simi”, no qual Augusto Zegarra foi eleito como o melhor diretor de documentário estreante no Festival de Tribeca. No filme, um dublador peruano tenta convencer a The Walt Disney Company a dublar o filme “O Rei Leão” (1994) para o quíchua, na esperança de salvar sua língua nativa. Já a coprodução de Uganda e Suécia elogiada por seu tratamento visual “O Sal de Katwe”, de Nima Shirali, focaliza as duras condições de trabalho e vida de extrativistas de sal na região de Katwe, em Uganda. Em outros tempos, seu lago salgado foi massivamente explorado por colonizadores alemães, mas hoje o local e seus habitantes encontram-se abandonados à própria sorte.

 

Os conflitos na região do Oriente Médio também são temas de dois dos debates programados em 2026. “Oriente Médio: Conflitos, Guerra e Memória” e “Palestina: Apagamentos e Resistências”. O primeiro, programado para 1/06, tem a participação da professora Safa Jubran (USP) e de Mariana Duccini, pesquisadora da área de cinema e arquivo com doutorado pela ECA-USP. Na data, está programada a exibição do longa “Você Me Ama”, no qual a cineasta Lana Daher partiu de mais de 20 mil horas de material de arquivo para contar uma história recente do Líbano através de imagens que ajudaram a formar o imaginário e a identidade de seus habitantes. Lançado no Festival de Veneza e premiado nos festivais Doc Point (Finlândia) e Hamburgo, trata-se de uma viagem íntima por 70 anos de memórias audiovisuais do Líbano, reunindo desde filmes a vídeos caseiros, passando por programas de tv e fotos. Dois outros títulos em exibição, ambos inéditos no Brasil, dialogam com o tema. “Os Leões do Rio Tigre”, uma coprodução Noruega/Países Baixos dirigida por Zaradasht Ahmed, mostra uma cidade devastada durante a batalha pela libertação do Estado Islâmico, e sua luta para curar e preservar sua identidade, cultura e arte, tendo sido selecionado para os importantes festivais de documentários CPH:DOX (Copenhague), DOC NYC (Nova York) e no alemão DOK Leipzig. Finalmente, “Jerusalém, a Lei da Pedra”, de Danae Elon, promove uma análise aprofundada e instigante da arquitetura israelense e do tipo de pedra que moldou a Jerusalém moderna e foi usada para controlar a cidade, tendo sido recebido com elogios nos festivais de documentários IDFA – Amsterdã e DocAviv (Israel).


Já o debate “Palestina: Apagamentos e Resistências”, em 3/06, tem inspiração no filme “Partition”, de Diana Allan, que mescla imagens de arquivo da Palestina sob ocupação britânica com áudios de refugiados palestinos no Líbano. Selecionado para o prestigioso Festival de Roterdã e inédito no Brasil, o longa revela os fios invisíveis que conectam o passado e o presente da região utilizando uma montagem dialética e uma banda de som assíncrono. Também focado na Palestina, “Os Gêmeos de Gaza”, é dirigido por diretor por Mohammed Sawwaf, uma das vozes decisivas para que muitas das histórias de apartheid, guerra e genocídio em Gaza chegassem ao Ocidente. Também inédito no Brasil, o filme acompanha uma mãe que enfrenta obstáculos angustiantes e barreiras militares enquanto luta para se reunir com seus gêmeos recém-nascidos. No sueco “Yalla Parkour”, exibido no Festival de Berlim, a cineasta palestina-jordaniana-americana Areeb Zuaiter cruza o caminho de um atleta de parkour em Gaza, dando início a uma jornada onde aspirações conflitantes se cruzam. 

 

O tema do encontro em 4/06 é “Feminismos, Corpo e Lutas de Gênero”, com quatro filmes da programação a ele relacionados. Em “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes”, a realizadora francesa Claire Simon aborda os diferentes olhares marcados por um forte viés de gênero de jovens estudantes sobre a obra de Annie Ernaux, autora vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Selecionado para o Festival de Tribeca, “Artista dos Rejeitos”, de Toby Perl Freilich, focaliza o trabalho e o percurso da artista visual Mierle Laderman Ukeles, que combina arte e engajamento para falar do importante tema da gestão de resíduos urbanos e toda sua cadeia de trabalho invisível. Já “Rompendo Rochas”, dirigido por Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, foi indicado ao Oscar de melhor documentário e venceu o grande prêmio do júri para documentário internacional no Festival de Sundance. Sua protagonista é a primeira mulher eleita para o conselho local de seu conservador povoado no noroeste do Irã, gerando reações adversas e acusações sobre suas motivações. Por sua vez, no longa “Sem Dó Nem Piedade”, a realizadora Isa Willinger questiona se o cinema feminino se caracteriza por uma dureza particular. O filme, que investiga poder, violência e representação, mesclando história, crítica e manifesto, conta com participação das cineastas Céline Sciamma, Virginie Despentes, Nina Menkes, Catherine Breillat, Apolline Traoré e Joey Soloway.

 

Educação, tema discutido em “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes”, está no centro de outro título assinado por Claire Simon, “Aprender”. Inédito no Brasil, o longa tem como protagonistas professores e seus desafios diários. Reconhecido mundialmente como um dos mais importantes pensadores da pedagogia, o brasileiro Paulo Freire (1921-1997) criou uma pedagogia crítica e libertadora, que transforma a educação em ferramenta de conscientização e transformação social, rompendo com o modelo tradicional de ensino. Ele tem seu projeto de alfabetização de adultos recuperado em “Lendo o Mundo”, obra dirigida por Catherine Murphy e Iris de Oliveira eleita como o melhor documentário no Festival de Gramado e vencedor do Prêmio Corazón Feliz no Festival de Havana. Já “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, foi a atração de abertura da mostra Generation do Festival de Berlim 2026. Nele, meninas no sertão do Piauí equilibram a infância lúdica com a transição para a adolescência, incluindo seus sonhos e as diferenças de gênero. Educação também está presente nos curtas-metragens brasileiros “Da Aldeia à Universidade”, “Mestrinhos”, “Nioladi”, “Saber Brincar”, “Ser Cria” e “Um Pé de Caju”.

 

Saúde mental é discutido em 5/06 no debate “Sociedade do Cansaço: Solidão, Trabalho e a Reconstrução do Comum”, que conta com a presença da professora e pesquisadora Ludmila Costhek Abílio. O encontro está ancorado na exibição de “Querido Amanhã”, obra dirigida por Kaspar Astrup Schröder que focaliza três indivíduos isolados no Japão que encontram consolo por meio de um serviço de bate-papo patrocinado pelo governo. Também conectado com o tema do encontro, o filme francês “A Vida Real”. Nele, os diretores Ekiem Barbier e Guilhem Causse propõem a um jovem ator habitar um avatar virtual e explorar uma simulação de vida online. Ambas as produções são inéditas no Brasil.

 

Debate organizado em parceria com a Anistia Internacional, “Democracia, Ética e Justiça” acontece em 2/06 e está ancorado no longa “O Silêncio da Terra”, produção da Espanha juntamente com a França e a Bélgica dirigida por Frank Gutiérrez que trata dos assassinatos de quatro defensores do meio ambiente latino-americanos: Berta Cáceres (Honduras), Paulo Paulino Guajajara (Brasil) e Ildefonso e Aldo Zamora (México). Inédito no Brasil, o filme é apresentado “como um testemunho direto da luta de comunidades e famílias que continuam a enfrentar ameaças, criminalização e impunidade”. Duas produções alemãs, inéditas em telas brasileiras, também dialogam com o tema do encontro. “Desmascarando Elon Musk”, de Andreas Pichler, utiliza informações vazadas de 100 GB de documentos internos da Tesla para denunciar como a empresa tem repetidamente reduzido a segurança em favor de experimentos e tecnologias inovadoras, e traça a ascensão meteórica de Musk e sua guinada em direção a Donald Trump. Já “Soldados da Luz” explora o crescente cenário de influenciadores, coaches e curandeiros autoproclamados que espalham narrativas conspiratórias e mantêm laços estreitos com movimentos antidemocráticos. Dirigida por Julian Vogel e Johannes Büttner, a obra foi selecionada para os festivais de documentários Visions du Réel (Suíça) e DOK.fest (Alemanha).

 

Um total de 51 títulos brasileiros recentes foram selecionados para as duas mostras competitivas do evento. São produções representando o Distrito Federal e mais 19 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Para a competição Territórios e Memórias, voltada a curtas e longas-metragens que discutam temas sociais e ambientais no Brasil, estão selecionados 12 longas e 19 curtas-metragens. Um dos destaques é “Arquivo Vivo”, dirigido por Vincent Carelli (de “Corumbiara” e “Martírio”) que é exibido em première mundial. A obra recapitula os 40 anos de atuação junto a comunidades indígenas pelo projeto Vídeo nas Aldeias, reunindo um acervo histórico e devolvendo essas imagens às novas gerações das primeiras populações visitadas. Os demais longas da competição são “A Fabulosa Máquina do Tempo” (de Eliza Capai), “Amazônia Oktoberfesta” (Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer), “Até Onde a Vista Alcança” (Alice Villela e Hidalgo Romero), “Futuro Futuro” (Davi Pretto), “Minha Terra Estrangeira” (Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles), “Movimento Perpétuo” (Leandro Alves), “Na Passagem do Trópico” (Francisco Miguez), “Nimuendajú” (Tania Anaya) e o inédito no Brasil “Mounir”, de Juliana Borges, além de outras duas estreias mundiais: “Benvindos” (Luana Cabral) e “O Jardim de Maria” (Jade Rainho). Por sua vez, o Concurso Curta Ecofalante é uma competição exclusiva para curtas-metragens realizados por estudantes (ensino superior, técnico, livre ou médio) e teve 20 obras selecionadas.

 

Em 2026, a Mostra Ecofalante de Cinema dedica seu Panorama Histórico ao legado do Flaherty Film Seminar, iniciativa sediada em Nova York que presta homenagem a Robert J. Flaherty (1884-1951), pioneiro realizador que definiu o cinema documental em “Nanook, o Esquimó” (1922). Criado em 1955 por Frances Hubbard Flaherty, esposa e colaboradora de longa data do cineasta, o seminário tornou-se referência entre cineastas, artistas, curadores e críticos. Intitulada “The Flaherty Way e os Contra-cinemas”, a programação reúne cinco títulos icônicos que passaram pelo seminário, abrangendo diferentes décadas. O grande destaque é “Harlan County: Tragédia Americana” (1976), obra da diretora Barbara Kopple, que venceu o Oscar de documentários e registra, de forma comovente da luta de treze meses entre uma comunidade que luta para sobreviver e uma corporação dedicada aos resultados financeiros. Estão programados ainda o clássico “Nanook, o Esquimó”; o vanguardista “Para Sempre Condenadas” (1987), de Su Friedrich, sobre desejos reprimidos, a culpa católica e a sexualidade lésbica; “Remontagem” (1983), no qual a diretora Trinh T. Minh-há desafia os métodos documentais etnográficos convencionais para desconstruir a representação colonial; o iraniano vencedor do prêmio Câmera de Ouro e o prêmio da crítica internacional no Festival de Cannes “Tempo de Embebedar Cavalos” (2000), de Bahman Ghobadi, “Sombras Reveladas” (2025), longa que, a partir de material de arquivo inédito, examina a trajetória de Frances Hubbard Flaherty e seu papel fundamental na construção da obra e do legado do cineasta Robert J. Flaherty. Frances foi uma colaboradora decisiva em diversos filmes do diretor, atuando na produção, na escrita, na edição e, posteriormente, na preservação e difusão de sua obra. Seu diretor, Sami van Ingen, bisneto de Robert J. Flaherty e de Francis Hubbard Flaherty, tem presença confirmada em São Paulo, onde ministra masterclass sobre o processo de pesquisa do filme “Sombras Reveladas”.

 

Cinco filmes integram os Programas Especiais em 2025. Além de “Aprender”, de Claire Simon, e “Lendo o Mundo”, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira, estão incluídas mais três outras produções. As belezas e os problemas críticos do mais importante rio paulista estão em foco em “Tietê: Águas Verdadeiras”, longa inédito em festivais dirigido por Rodrigo Campos. Projeto idealizado por Guilherme Brammer e dirigido por Sylvio Rocha, “A Economia da Esperança” é um road movie inédito que tenta descobrir, no Brasil e na Coréia do Sul, se é possível construir negócios que regenerem o planeta e ainda sejam viáveis. Completa a seção a produção francesa “Longe dos Holofotes”, de Jérémie Battaglia, que focaliza aqueles que trabalham para a marca VEJA no Brasil. A marca francesa de tênis sustentáveis é reconhecida pelo uso de materiais ecológicos, como borracha da Amazônia e algodão orgânico, e focada no comércio justo.

 

Finalmente, uma seção é dedicada ao programa Ecofalante Educação, promovido pela mesma organização social responsável pela Mostra Ecofalante de Cinema. A iniciativa promove de forma permanente a integração entre cinema, educação e cidadania, levando o audiovisual a escolas e universidades de todo o Brasil por meio de um catálogo de filmes, curadorias temáticas, debates e atividades formativas. Conta ainda com a plataforma gratuita Ecofalante Play, que oferece a educadoras e educadores acesso a mais de 300 filmes, materiais de apoio e acompanhamento da equipe Ecofalante para a realização de exibições em instituições de ensino. Nesta edição do festival estão programadas 12 produções, cinco delas resultado de parceria com o evento francês FIFE - Festival International du Film d’Éducation: “Aqui” (de Aurélia Hollart, (França), “Kuap” (Nils Hediger, Suíça), “Matilda” (Vito Palmieri, Itália), “Meu Amigo Nietzsche” (Fáuston da Silva, Brasil) e “Meu Avô Estranho” (Dina Velikovskaya, Rússia). Voltado ao público infantil, o longa brasileiro “Sete Cores da Amazônia”, de Ana Lígia Pimentel, acompanha uma menina que vive em uma palafita da periferia de Manaus e embarca em uma jornada de descoberta de suas raízes indígenas. Completa a programação para espaços da Secretária Municipal de Educação de São Paulo a série de filmes com o título de “Narrativas do Clima: Os Caminhos para o Lixo Zero”. Nela estão reunidos o curta-metragem norueguês “Um Sonho de Havaí” (de Thomas Smoor Isaksen) e os brasileiros “A Incrível Aventura das Sonhadoras Crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira” Beatriz Ohana), “Cata” (Lucas Sá), “Os Pequenos Mundos, uma Aventura com Caixas” (Sandra Coelho) e “Tsuru” (Pedro Anias).


sobre os programas


Homenagem Zita Carvalhosa


A homenageada desta edição da Mostra Ecofalante de Cinema é a produtora Zita Carvalhosa, precocemente falecida em 2025. Importante nome da área audiovisual brasileira, ela criou e comandou iniciativas pioneiras que ser tornaram referências, coo o Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo e as Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual. Foi também produtora executiva de 59 obras, entre séries, longas e curtas-metragens. Uma pequena mostra dessa produção está representada na programação da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, reunindo seis títulos realizados no período de 1994 a 2022 e que conta com apoio da Cinemateca Brasileiro.


"O Cineasta da Selva" (1997), dirigido por Aurélio Michiles, é um documentário vencedor de quatro prêmios no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro que narra a vida e obra de Silvino Santos (1886-1970), um cineasta português pioneiro que registrou a Amazônia. O filme aborda sua trajetória desde a chegada ao Brasil, seu envolvimento com o cinema e sua dedicação em filmar a região amazônica, tendo se tornado um mito da selva e um dos pioneiros do nosso cinema.


Longa de estreia da diretora Carolina Markowicz, o perturbador “Carvão” (2022) acompanha uma família no interior que decide hospedar um traficante argentino para ganhar dinheiro. Estrelado por Maeve Jinkings, Romulo Braga, Camila Márdila e César Bordón, a obra foi vencedora dos prêmios de melhor roteiro, direção de arte e atriz coadjuvante no Festival do Rio e do prêmio da crítica e Prix Lycéen de la Fiction no Cinélatino - Festival de Latino-americano em Toulouse (França), entre outras láureas internacionais.

  

Dirigido por Ricardo Dias, o documentário “Fé” (1999) focaliza a religião e a fé no Brasil atual. Estão em destaque o poder da fé, as grandes festas religiosas, os rituais marcantes das diferentes religiões, seitas e cultos, os pastores e os fiéis. A obra foi premiada no Festival Biarritz Amerique Latine (França) e foi selecionada para o IDFA-Amsterdã e para o Festival de Havana, entre outros.


Exibido em festivais no Brasil, na Alemanha e em Burkina Fasso, o curta-metragem “Distraída para a Morte” (2001) aborda temas como racismo e exclusão social ao acompanhar três adolescentes negros que perambulam pela cidade de São Paulo. O diretor Jeferson De (de “Bróder” e “Doutor Gama”) é reconhecido por sua luta por representatividade e pela criação de narrativas protagonizadas por pessoas negras. Segundo ele, “Distraída paraa Morte” é um filme sobre “a força que provém da fragilidade”.


Assinado por José Roberto Torero – também escritor, com 69 livros publicados –, “A Alma do Negócio” (1996) é frequentemente citado como um clássico do curta-metragem brasileiro dos anos 1990. Premiado em eventos no Brasil, nos EUA e na Grécia, o filme é uma sátira do universo publicitário que acompanha um "casal propaganda" perfeito e sua vida idealizada.


Por sua vez, o curta-metragem “Onde São Paulo Acaba” (1994), dirigido por Andrea Seligmann, acompanha um dia na vida de dois amigos moradores do bairro de Grajaú, na periferia sul da cidade de São Paulo. Entre os temas abordados estão o rap, futebol, violência e drogas. Vencedora do prêmio da crítica no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a obra foi exibida nos festivais de Roterdã, Havana, Barcelona e outros 11 eventos internacionais.


Panorama Internacional Contemporâneo


Seção que reúne os grandes destaques recentes do circuito mundial, o Panorama Internacional Contemporâneo exibe em 2026 um total de 24 filmes, representando 21 países. Entre as principais temáticas presentes na seleção estão emergência climática, conflitos no Oriente Médio, povos originários, gênero, colonialismo, educação e Inteligência Artificial, entre outros.     


“Nossa Terra” é o primeiro documentário assinado pela consagrada cineasta argentina Lucrecia Martel, diretora de “O Pântano” (2001), “A Menina Santa” (2004), “A Mulher Sem Cabeça” (2007) e “Zama” (2018). Exibido no Festival de Veneza e premiado no Festival de Locarno, o filme é uma crônica contundente que retrata a trajetória de uma liderança indígena e legado colonialista do roubo de terras e propriedades em toda a América Latina. 


Na produção alemã “Desmascarando Elon Musk” o diretor Andreas Pichler revela, a partir de dados vazados da Tesla, o padrão desse magnata da tecnologia: anunciar grandes planos, impulsionar a execução independentemente da precisão ou do impacto humano. O longa-metragem já foi descrito como um olhar sobre “o que acontece quando um homem poderoso começa a ver o mundo inteiro como seu parque de diversões”.


“À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar” tem entre os produtores executivos o cineasta Ang Lee, por duas vezes vencedor do Oscar de melhor diretor, por “O Segredo de Brokeback Mountain” e “As Aventuras de Pi”. Neste filme dirigido pelo norte-americano Joe Wein é abordada a epopeia do velejador Steven Callahan que, após uma baleia atingir seu barco, sobreviveu 76 dias sozinho em um bote salva-vidas cruzando o Atlântico.   


Um perturbador mergulho no mundo digital é proporcionado pelo longa francês “A Vida Real”. Seus diretores, Ekiem Barbier e Guilhem Causse, propuseram ao ator Victor Assié explorar uma simulação on-line da vida cotidiana como um avatar e conhecer seus usuários, interpretando a si mesmo. Através de suas peregrinações complicadas, mas hilárias, ele descobre um mundo novo, porém familiar.   


Arte combinada com gerenciamento de resíduos é foco da carreira da inovadora artista Mierle Laderman Ukeles, focalizada em “Artista dos Rejeitos”, do diretor Toby Perl Freilich. Ukeles é pioneira no ecofeminismo e na arte de prática social e trouxe o trabalho invisível da limpeza, do cuidado e da maternidade para o espaço público, tornando-o o foco de sua prática artística. 


Produção espanhola dirigida por Lucía Benito, “Bangladesh Submersa” alerta: até 2050, quase 20% do litoral sul desse país asiático estará inabitável e 30 milhões de pessoas serão deslocadas. O filme acompanha uma família que se prepara para escapar do clima extremo e fugir para Dhaka – a cidade que cresce mais rapidamente no mundo – e foi vencedor do prêmio de melhor filme socioambiental no Festival de Guadalajara. Na ocasião da premiação, o júri do evento reconheceu a obra “pelo seu profundo impacto emocional ao abordar uma questão que afeta famílias, comunidades e cidades inteiras, com uma clara ressonância global”.


“Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes” é um dos títulos dirigidos por Claire Simon presentes na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema deste ano, ao lado de “Aprender”, incluído nos Programas Especiais. Figura central do feminismo contemporâneo e vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Annie Ernaux personifica a emancipação individual e coletiva, entre o íntimo e o universal. O filme indaga o que os jovens veem nas obras dessa autora. O longa, uma produção francesa que esteve selecionada para o Festival de Veneza, acompanha discussões em sala de aula sobre feminismo, contexto social e suas próprias vidas. “A ideia era contar essa história sem Annie Ernaux, usando apenas seus livros”, explicou Simon à Variety.


No rigoroso inverno da Mongólia, dois amigos embarcam em uma missão assustadora para proteger 2.000 cavalos. A jornada deles, um teste de resistência e uma luta para manter vivos os costumes antigos em meio a uma paisagem em mudança, é retratada no australiano “Inverno Implacável”, de Kasimir Burgess. Uma obra imersiva e intimista”, o longa propõe uma análise aprofundada e instigante da arquitetura israelense e do tipo de pedra que moldou a Jerusalém moderna e foi usada para controlar a cidade.


Leonardo DiCaprio é um dos produtores executivos de “O Grande Lago Salgado”, longa dirigido por Abby Ellis que foi vencedor de prêmio especial do júri no Festival de Sundance. O filme descreve o secamento do Great Salt Lake (Utha, EUA) como uma "bomba atômica ambiental": se o lago secar completamente, seu leito exposto liberará poeira tóxica –contendo altos níveis de arsênico, chumbo e mercúrio – que se tornará aérea, contaminando o ar da região metropolitana em torno.


Grande vencedor do grande prêmio do júri para documentários no Festival de Sundance, “O Urso Inconveniente” acompanha o caminho tradicional de migração de um urso polar. O animal chega a áreas povoadas, gerando conflitos entre os interesses humanos e a natureza selvagem enquanto. Ao mesmo tempo, ele luta para sobreviver em um mundo em mudança. Em um retrato impactante, os diretores Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman mostram que quando um predador sagrado passa a ser rotulado como um incômodo, torna-se incerto quem realmente pertence a essa paisagem compartilhada. 


Em “O Sal de Katwe”, de Nima Shirali, uma fábrica de sal abandonada projeta a sombra de uma promessa não cumprida devido a inundações sazonais, preços em queda e trabalho tóxico, enquanto os políticos prometem libertar a comunidade da pobreza. De andamento espirituoso e impactante visualmente, o filme é uma coprodução entre a Suécia e Uganda que reúne um mosaico de personagens, revelando as dificuldades históricas dos trabalhadores do sal.


Uma coprodução Espanha/França/Bélgica, “O Silêncio da Terra” focaliza o assassinato de quatro defensores ambientais latino-americanos: o brasileiro Paulo Paulino Guajajara (1993-2019), Berta Cáceres (1971-2016), de Honduras, e os mexicanos Ildefonso (1961-2020) e Aldo Zamora (1985-2007). Esses ativistas ambientais foram brutalmente assassinados na América Latina por se opor a grandes corporações multinacionais e seus interesses. O diretor Frank Gutiérrez define o documentário como “um ato de reparação” que busca “não apenas denunciar, mas também proteger”. “O que é tornado visível é mais difícil de apagar”, afirma ele.


O cineasta Mohammed Sawwaf, tornou-se uma das vozes decisivas para que muitas das histórias de apartheid, guerra e genocídio em Gaza chegassem ao Ocidente. Seu mais recente filme, “Os Gêmeos de Gaza”, é uma das atrações da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema. O documentário conta a emocionante história de uma mãe que, no caos da Gaza em tempos de guerra, é separada de seus gêmeos recém-nascidos. O diretor acompanhou a família durante longos meses, registrando o crescimento dos bebés entre explosões, tendas improvisadas e fugas sucessivas. Em paralelo, o filme registra a espera interminável da mãe, presa no norte da região, exausta, faminta, sem notícias, consciente de que o tempo trabalha contra ela.  


No longa-metragem “Os Leões do Rio Tigre”, uma coprodução Noruega/Países Baixos, o diretor Zaradasht Ahmed narra uma história de esperança em uma cidade devastada pela guerra. A obra focaliza a bela e antiga cidade iraquiana de Mosul, que foi conquistada pelo Estado Islâmico e se tornou um dos lugares mais odiados do mundo. Na guerra de libertação, a Cidade Velha ficou em ruínas. Agora, a população da cidade tenta se reerguer.


Selecionado para o prestigioso Festival de Roterdã e vencedor do grande prêmio da competição nacional no Festival de Documentários de Montreal, no Canadá, “Partition” mescla imagens de arquivo da Palestina sob ocupação britânica com áudios de refugiados palestinos no Líbano. A diretora Diana Allan utiliza imagens de arquivo dos períodos colonial e sob Mandato Britânico da Palestina (1917-1948), além de gravações de áudio de refugiados palestinos no Líbano, trazendo à tona histórias que há muito tempo permanecem à margem da sociedade. O resultado é ousado, utilizando montagem dialética e som assíncrono.


Na coprodução Dinamarca/Suécia/Japão “Querido Amanhã”, o diretor Kaspar Astrup Schröder volta suas câmeras para três indivíduos isolados no Japão que encontram consolo por meio de um serviço de bate-papo patrocinado pelo governo, levando-os a explorar conexões significativas no mundo real. Com o apoio do serviço e o foco do governo japonês no combate à solidão, eles finalmente encontram um lugar para onde recorrer. Conscientes de sua necessidade de conexão humana, embarcam em uma jornada rumo à cura e à renovação. O longa-metragem tem circulado em vitrines importantes, como o Festival SXSW (EUA), entre outros eventos.


“Rompendo Rochas” acumula carreira de grande prestígio: a obra foi indicado ao Oscar de melhor documentário, venceu o prêmio de melhor documentário no Festival de Sundance e conquistou o prêmio do público no IDFA-Amsterdã e no Visions du Réel (Suíça), dois dos mais renomados festivais dedicados à produção documental. No centro do enredo está uma ex-parteira, divorciada e motociclista que se tornou a primeira mulher eleita para o conselho local de seu conservador povoado no noroeste do Irã. Corajosa e direta, ela pressiona por reformas ousadas e desafia abertamente as normas patriarcais, recebendo reações adversas e acusações sobre suas motivações. Os diretores do filme, Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, são os mesmos de “Convergence”, produção original da Netflix que recebeu uma indicação ao Emmy 2022.


Por sua vez, a produção peruana “Runa Simi”, de Augusto Zegarra, venceu o Prêmio Albert Maysles para melhor novo diretor de documentário no importante Festival de Tribeca (EUA), além de acumular o prêmio do público nos festivais de Miami, Lima PUCP e no Biarritz Amerique Latine (França). No filme, um dublador peruano embarca em uma missão audaciosa para convencer a The Walt Disney Company a dublar o filme “O Rei Leão” (1994) para o quíchua, na esperança de salvar sua língua nativa – mas descobre, ao lado de seu filho de oito anos, que essa jornada se tornará uma odisseia profundamente pessoal sobre paternidade e ativismo. 


Na produção alemã “Sem Dó Nem Piedade”, sua realizadora, a cineasta Isa Willinger, encontra diversas diretoras renomadas e pessoas não-binárias, de Alice Diop a Virginie Despentes e Céline Sciamma, para discutir cinema e examinar o que é chamado de “olhar feminino”. Uma investigação sobre poder, violência e representação, mesclando história, crítica e manifesto, o filme se constitui em um radical manifesto cinematográfico.


O crescente cenário de influenciadores, coaches e curandeiros autoproclamados que espalham narrativas conspiratórias está em foco no longa alemão “Soldados da Luz”, de Julian Vogel e Johannes Büttner. São dois os protagonistas principais da obra: um está ligado com movimentos de extrema direita; outro, que trabalha para esse influenciador vegano crudívoro, tenta curar seus delírios psicóticos com suplementos alimentares e jejum. O filme causou impacto por adotar estilo observacional, dispensando em grande parte comentários ou análises psicológicas.


Vencedor do prêmio de patrimônio cultural imaterial no importante festival de documentários Cinéma du Réel, na França, “Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro” acompanha um barqueiro quilombola na floresta tropical na fronteira entre o Suriname e a Guiana Francesa. Ele navega entre as tradições ancestrais e o capitalismo moderno enquanto entrega suprimentos para comunidades remotas, à medida que as mudanças ambientais e a mineração de ouro ameaçam seu modo de vida. Os diretores Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander mostram no filme que as mudanças climáticas e a mineração de ouro corroem constantemente as fontes de vida da população local: a terra, a floresta e o rio. 


No longa selecionado para o Festival de Veneza “Você Me Ama” a diretora Lana Daher promove uma viagem íntima por 70 anos de memórias audiovisuais do Líbano, tendo utilizado mais de 20 mil horas de imagens de arquivo, como filmes, vídeos caseiros e fotos. Entre alegrias e perdas, artistas e cidadãos reconstroem a história fragmentada de Beirute e celebram a expressão criativa. Essa jornada pessoal da cineasta e artista multidisciplinar radicada em Beirute reconstrói uma história fragmentada e celebra a expressão criativa como resistência, renovação e uma forma de preservar a memória. 


Na produção sueca “Yalla Parkour”, a cineasta palestina-jordaniana-americana Areeb Zuaiter registra seu encontro em Gaza com um atleta de parkour, dando início a uma jornada onde aspirações conflitantes se cruzam. Exibido no Festival de Berlim e vencedor do grande prêmio do júri no DOC NYC (EUA), o filme foi aclamado por encontrar beleza e liberdade nas façanhas, por vezes angustiantes, de seu personagem, sem se deixar sucumbir aos horrores da ocupação israelense.


Territórios e Memória


Para a edição deste ano, a mostra competitiva Territórios e Memória selecionou 12 longas e 19 curtas-metragens brasileiros nos quais se discute temas sociais e ambientais do país. 


Estão representados 15 estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins. 


As obras concorrem aos prêmios de melhor longa-metragem (no valor de R$ 20 mil), melhor curta-metragem (R$ 7 mil) e ao prêmio do público (troféu da edição de 2026). O júri que delibara a premiação é formado pela atriz e diretora Djin Sganzerla, o curador e cineasta Lorran Dias e Tide Borges, professora e técnica de som.


longas-metragens


Exibido em pré-estreia mundial no Festival de Berlim e vencedor do prêmio técnico-artístico no Festival de Guadalajara, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, retrata meninas no sertão do Piauí (Guaribas) equilibrando a vida difícil de suas mães com sonhos de futuro, focando na transição para a adolescência. Com tom lúdico e doce, o filme aborda questões sociais, de gênero e a pobreza, celebrando a infância através da imaginação. 


O documentário “Amazônia Oktoberfesta”, de Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer, investiga o projeto de colonização da ditadura militar nos anos 1970, discutindo a transferência de milhares de famílias sulistas para a região Norte e focando nas consequências sociais e ambientais desse "desbravamento".


Obra inédita em pré-estreia mundial na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, “Arquivo Vivo”, o mais recente longa-metragem dirigido por Vincent Carelli (de “Corumbiara”, “Martírio” e “Adeus, Capitão”), revisa a atuação junto a comunidades indígenas do projeto Vídeo nas Aldeias, do qual ele é um dos fundadores. O filme revela a devolução dos arquivos captados ao longo de 40 anos para as novas gerações das primeiras comunidades visitadas pelo projeto. 


Dirigido por Alice Villela e Hidalgo Romero, “Até Onde a Vista Alcança”, focaliza três gerações de indígenas Kariri-Xocó em um road movie político e espiritual. Munidos de câmeras, drones, cachimbos, cocares e maracas, os personagens percorrem os marcos geográficos de seu território


Por sua vez, “Benvindos” focaliza os herdeiros do fundador do Quilombo do Retiro, localizado em Santa Leopoldina (ES). Trata-se de uma comunidade remanescente que preserva a cultura e a resistência quilombola e o filme destaca a sua luta em defesa do território e pela preservação da memória. O encontro com a diretora Luana Cabral, descendente distante de um antigo fazendeiro da região, revela situações de conflito


Grande premiado no último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro; melhor fotografia e direção de arte no Festival Internacional de Cinema de Fronteira (Rio Grande do Sul (melhor filme, roteiro, montagem e menção honrosa), “Futuro Futuro”, de Davi Pretto, é uma distopia de ficção científica ambientada em um futuro próximo e brasileiro. Estão incorporadas à narrativa cenas filmadas durante a enchente de maio de 2024, o maior desastre natural da história do no Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil.


Obra que acompanha a candidatura de Almir Suruí a deputado federal e a atuação de sua filha, Txai Suruí, unindo a vivência na floresta às articulações políticas, “Minha Terra Estrangeira” é assinado por João Moreira Salles (de “Santiago” e “No Intenso Agora”) em parceria com Louise Botkay e com o Coletivo Lakapoy, formado por cineastas indígenas. A trama retrata a floresta amazônica sob ataque e a luta dos líderes indígenas contra o desmatamento e o cenário político de 2022 


Inédito no Brasil, “Mounir” é uma obra que acompanha a trajetória de dez anos de um refugiado centro-africano cujas narrativas embaralham as fronteiras entre realidade e ficção. As filmagens ocorrem em três continentes diferentes, incluindo momentos cruciais na cidade de São Paulo, onde o protagonista se estabelece e conhece a diretora do filme, Juliana Borges, e viagens à África.


O longa-metragem alagoano “Movimento Perpétuo” já foi definido por seu diretor, Leandro Alves, como sendo de “narrativa híbrida e etérea”. Seu Edvaldo, seu protagonista, se descobre necessitado da segunda cirurgia no coração e busca na natureza, na astrologia e no cinema as respostas para os mistérios da vida.  


“Na Passagem do Trópico”, de Francisco Miguez, parte de um personagem de ficção, um topógrafo encarregado de mapear as encostas de Ubatuba, no litoral de São Paulo, interpretado pelo ator Marat Descartes. Este interage com habitantes verdadeiros, que lhe falam a respeito dos problemas na região: os constantes deslizamentos de terra, as habitações em zona irregular, as ocupações e a mineração em área de proteção indígena. Segundo a crítica especializada, o roteiro do longa “toma atalhos lúdicos para proporcionar as conversas necessárias à exposição de seus temas de predileção”. 


Animação feita em coprodução com o Peru, “Nimuendajú”, de Tania Anaya, narra a história de Curt Unckel, alemão de nascimento, que se tornou um dos maiores cientistas sociais do Brasil. Ele chegou ao país aos 20 anos e viveu nele até sua morte, em 1945. Por 40 anos, Curt conviveu com diferentes povos indígenas, se dedicando a registrar línguas, mitos, rituais e sonoridades e acabou tomando posicionamento firme contra a violência de latifundiários, do governo e da opinião pública que ameaçavam os povos que estudava. O longa foi gravado ao longo de mais de 13 anos, incluindo filmagens em três aldeias, com participação ativa dos povos retratados. Essas gravações possibilitaram a aplicação da 


“O Jardim de Maria”, longa de estreia da diretora Jade Rainho, acompanha a matriarca Guarani Mbya, Maria, na luta para replantar um território ancestral na periferia de São Paulo. O filme, que destaca a resistência indígena na Terra Indígena do Jaraguá, teve destaque no festival DOC NYC, de Nova York. A obra que mereceu elogios da crítica, que destacou o seu olhar sensível para registrar costumes, espiritualidade e modos de vida.


Mais detalhes sobre a programação podem ser acessados através dos endereços https://ecofalante.org.br/ e https://www.instagram.com/mostraecofalante/.  


serviço

15ª Mostra Ecofalante de Cinema

www.ecofalante.org.br 

de 28 de maio a 10 de junho de 2026

entrada franca


locais

Reserva Cultural - avenida Paulista 900, Bela Vista - São Paulo

Sala Paulo Emílio / Centro Cultural São Paulo - rua Vergueiro 1000, Paraíso - São Paulo

e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine


Evento viabilizado por meio da Lei Rouanet e do ProAc ICMS, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas

patrocínio: Itaú, Spcine e White Martins

apoio: VEJA

produção: Doc & Outras Coisas

coprodução: Química Cultural

realização: Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura.


redes sociais

www.instagram.com/mostraecofalante 

www.facebook.com/mostraecofalante 

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www.youtube.com/mostraecofalante 

Fonte/Imagem-divulgação: Assessoria de Imprensa

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