Prevista para acontecer de 8 a 17 de junho de 2027, a 16ª Quadrienal de Praga (Prague Quadrennial - PQ’27) receberá a Mostra dos Estudantes com obras brasileiras que serão selecionadas a partir de convocatória com inscrição gratuita até 31 de outubro. Podem concorrer à seleção obras de estudantes ou egressos de cursos livres, técnicos, de graduação e pós-graduação em Cenografia, Teatro, Dança, Circo, Indumentária, Moda, Cinema, Artes Visuais, Design, Arquitetura e Música. Serão escolhidos projetos de artistas maiores de 18 anos de todas as cinco grandes regiões do Brasil, priorizando pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, com deficiência e/ou mulheres.
Realizadas através da equipe curatorial Cenografias do Avesso em parceria com a associação Grafias da Cena Brasil e com a Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura, as inscrições podem ser feitas através do preenchimento de formulário on-line de forma gratuita - detalhes do edital podem ser conferidos em www.cenografiasdoavesso.com. Nesta edição brasileira da Mostra dos Estudantes serão selecionadas 35 obras nos formatos de videoarte, videoperformance, adereços (objetos cenográficos, têxteis, máscaras), estandartes e paisagens sonoras, que tenham sido criados e desenvolvidos de 2021 a 2026. Visando a representatividade de todo território nacional, a seleção contará com pelo menos quatro obras de cada grande região do Brasil, sendo aceita uma inscrição de obra por artista solo ou coletivo.
A edição que vem priorizando a diversidade cultural e étnica está sendo desenvolvida por Cleiton Almeida, Mayara Assis, Mery Horta e Yasmin Coelho. Com o título Cenografias do Avesso: corpos, territórios e pedagogias do silêncio, a proposta curatorial se ancora na noção de corpo como arquivo e superfície de inscrição de memórias, em diálogo com o pensamento de Leda Maria Martins.
A partir dessa perspectiva, emerge o conceito de adereço como campo expandido da cenografia. “As obras partilham o interesse em ativar o corpo como espaço cenográfico e em tensionar as fronteiras entre corpo e espaço, arte e vida, visibilidade e apagamento”, reforça a curadora Mayara Assis, natural do Rio de Janeiro. Longe de operar como elemento decorativo, o adereço é compreendido como extensão do corpo, como uma prótese - uma tecnologia sensível que produz espacialidades, desenha movimentos e ativa relações entre memória, materialidade e território.
Para Yasmin Coelho, “a proposta de curadoria do Cenografias do Avesso se configura como um campo de experimentação. A exposição é concebida como um ambiente expositivo-performativo em que presença e ausência, som e silêncio, matéria e memória coexistem em permanente tensão”, afirma a curadora brasiliense.
A proposta também afirma uma dimensão pedagógica: o processo curatorial se estrutura de forma coletiva e formativa, incluindo ações como oficinas, debates públicos e acompanhamento dos artistas participantes. Nesse contexto, “a curadoria é entendida não apenas como seleção, mas como prática de escuta, mediação e construção de conhecimento”, analisa a curadora carioca Mery Horta.
A iniciativa investiga as artes da cena a partir de uma inversão de perspectiva: deslocar o olhar daquilo que historicamente foi centralizado para aquilo que permaneceu à margem — os silêncios, as ausências e os saberes não legitimados como linguagem cenográfica. Em diálogo com o tema da edição — Ausências e Silêncios como espaços de potencial para futuros cenográficos (Absences and Silences as spaces of potential for new scenographic futures), a proposta compreende que aquilo que foi silenciado não indica falta de produção, mas resultado de processos históricos de apagamento. Nesse sentido, o silêncio deixa de ser ausência e passa a ser entendido como campo de potência, escuta e invenção.
Ao integrar a Quadrienal de Praga, “a proposta inscreve no debate internacional perspectivas oriundas do Sul Global, destacando a produção brasileira como um campo plural, atravessado por corporalidades diversas, saberes afro-indígenas, práticas periféricas e tecnologias de criação que emergem da relação entre corpo, escassez e invenção”, pondera o curador Cleiton Almeida, que traz o olhar de um artista nascido em Rondônia.
Partindo do contexto brasileiro, a curadoria reconhece que práticas fundamentais de organização do espaço cênico emergem em territórios muitas vezes desconsiderados pelas narrativas hegemônicas: festas populares, rituais, ruas, terreiros e cotidianos coletivos. São nesses espaços, que corpo, objeto, som e ambiente se articulam de maneira indissociável, produzindo experiências performativas complexas e situadas.
SERVIÇO
Mostra dos Estudantes – 16ª Quadrienal de Praga
Inscrições até 31 de outubro de 2026
Link das Inscrições: Link
Equipe curatorial Mostra dos Estudantes: Cleiton Almeida, Mayara Assis, Mery Horta e Yasmin Coelho
Instagram da Curadoria: @cenografiasdoavesso
Imagem/Divulgação: Kryštof Kalina
Fonte/crédito: Assessoria de Imprensa

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