A moda sustentável brasileira iniciou, nesta
quarta-feira (9), uma trajetória que levará dez marcas nacionais a um dos
principais palcos da moda mundial. Lideradas por mulheres e selecionadas por
seus atributos de sustentabilidade, design e inovação, as empresas apresentaram
à imprensa, em São Paulo, peças das coleções que desembarcam na Itália ainda
neste mês. O preview marca o início do Brazilian Sustainable Fashion in Milan,
iniciativa promovida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos
(ApexBrasil) e pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção
(Abit), no âmbito do Texbrasil, com participação da Associação Brasileira da
Moda Sustentável (Abrimos), que terá como ponto alto um desfile exclusivo no dia
22 de setembro, durante a Semana de Moda de Milão.
Mais do que levar coleções brasileiras ao
exterior, a iniciativa busca dar visibilidade internacional a empresas que
transformam práticas sustentáveis, saberestradicionais e matérias- primas
brasileiras em produtos design, inovação e alto valor agregado.
Depois do desfile,as marcas tambémparticipam,
nos dias 23 e 24 de setembro, de um showroom de negócios, ampliando a
oportunidade de aproximação com compradores, parceiros e outros agentes do
mercado internacional.
Para a diretora de Negócios da ApexBrasil,
Maria Paula Velloso, o encontro em São Paulo é o início de um percurso que
combina visibilidade, posicionamento e oportunidades concretas de
internacionalização para as marcas brasileiras.
“Essa iniciativa marca o início da presença que
o Brasil levará a Milão. No dia 22, apresentaremos um desfile dedicado à moda
sustentável, reunindo dez marcas brasileiras lideradas por mulheres de
diferentes regiões do país, selecionadas a partir de critérios que consideram, de
forma integrada, sustentabilidade, design e inovação. Nos dias seguintes, essa
experiência se desdobra em um showroom de negócios, criando um ambiente
estratégico para que essas empresas apresentem seus produtos, ampliem sua
visibilidade internacional e estabeleçam conexões com potenciais compradores.
Temos uma oportunidade concreta de posicionar o Brasil na vanguarda de uma moda
mais consciente, em que sustentabilidade, criatividade e inovação se traduzem
também em valor e vantagem competitiva para a indústria brasileira ",
destacou Maria Paula.
A seleção das participantes foi resultado de um
processo estruturado, que buscou identificar empresas efetivamente comprometidas
com práticas sustentáveis em diferentes dimensões. As propostas incluem
matérias-primas de menor impacto, fibras certificadas, materiais biodegradáveis,
tingimento vegetal, upcycling, reaproveitamento de resíduos, técnicas
artesanais, biodiversidade e saberes tradicionais.
Para a superintendente de Marketing e Negócios
da Abit, Lilian Kaddissi, o compromisso efetivo das empresas com essas práticas
foi um dos pontos centrais da seleção.
“Fizemos um processo estruturado de mapeamento
e lançamos um edital, a partir do qual dez marcas foram selecionadas. São
empresas que efetivamente trabalham com práticas de sustentabilidade em
diferentes aspectos. Temos essa preocupação porque, além de contar uma
história, queremos empresas que estejam de fato comprometidas com a prática. É
também a primeira vez que realizamos uma iniciativa como essa, levando um
evento próprio do Brasil para Milão”, afirmou Lilian.
Sustentabilidade, reconhecimento e valor
O compromisso com a sustentabilidade envolve um
trabalho que muitas vezes começa anos antes de uma coleção chegar às
passarelas. Para Francisca Vieira, presidente da Abrimos e fundadora da Natural
Cotton Color, uma das dez marcas selecionadas, construir uma moda
verdadeiramente sustentável exige investimento, adequação de processos e
reconhecimento.
“Sustentabilidade é um valor fundamental para o
futuro da moda, mas exige compromisso e investimento. A certificação GOTS
(Global Organic Textile Standard), por exemplo, demandou um investimento alto e
um trabalho consistente para adequar toda a nossa estrutura aos seus rigorosos
padrões. Esse é um processo que vai muito além da matéria-prima: envolve toda a
cadeia produtiva e a forma como a empresa opera. Mas acreditamos que a
sustentabilidade, para realmente se traduzir em negócios, precisa estar
associada a desejo, identidade e design. Moda é criação e expressão. É essa
combinação entre responsabilidade, estética e inovação que transforma propósito
em valor e abre espaço para a moda brasileira no mercado internacional”, afirmou
Francisca.
A Natural Cotton Color tem como protagonista o
algodão orgânico naturalmente colorido, cultivado pela agricultura familiar no
sertão da Paraíba e utilizado sem processo de tingimento. A produção também
incorpora rendas e bordados. A trajetória ajuda a traduzir um dos pontos
centrais da iniciativa: não basta comunicar sustentabilidade; é preciso
demonstrá-la por meio de práticas e processos e, ao mesmo tempo, transformar
esses atributos em produtos capazes de competir, gerar desejo e conquistar
reconhecimento no mercado internacional.
Esse olhar também está presente no trabalho da
consultora especializada Geni Ribeiro, responsável pela curadoria da
iniciativa. Para ela, o desafio está justamente em transformar a riqueza das
matérias-primas, técnicas e saberes brasileiros em produtos que aliem
identidade e design e possam ocupar espaço no mercado internacional.
“Não adianta a gente ir só com a boa vontade do
artesanato. O artesanato é lindo, mas existe artesanato no mundo todo. Nós
temos que transformar o nosso artesanato em design e, através do design, em
produtos de moda desejáveis. O que vemos aqui hoje é resultado de um trabalho
de desenvolvimento de produto, modelagem e, especialmente, design, que é o que
o Brasil precisa mostrar no exterior”, destacou Geni.
A consultora acompanhou de perto processos de
desenvolvimento que vão além da criação das peças e envolvem diferentes etapas
da cadeia. “É preciso um trabalho completo, com design, integração da cadeia,
formação de preço e desenvolvimento de produto. Acho que hoje isso ficou provado
aqui e vamos ter uma experiência em Milão bastante produtiva e vitoriosa”,
completou.
Dez mulheres, diferentes expressões do Brasil
Participam da iniciativa Alina Amaral, Ana de
Jour, Camila Machado Ateliê, Celeste, Ludimila Heringer, Lybethras, Natural
Cotton Color, Proposta Verde, Val Valadares e Villa Dharma. As empresas vêm de
diferentes regiões do país e apresentam diferentes caminhos para uma moda que
combina sustentabilidade, identidade brasileira e criação contemporânea.
Além dos atributos relacionados à
sustentabilidade e à criação, as participantes têm outro ponto em comum: todas
são lideradas por mulheres. São empresárias e criadoras que transformam
referências culturais, biodiversidade, técnicas artesanais, conhecimento
tradicional e inovação em produtos com potencial de inserção internacional.
Entre elas está a Celeste, marca de resortwear
autoral inspirada na biodiversidade e no patrimônio artesanal brasileiro. A
empresa utiliza materiais como poliamida biodegradável e algodão orgânico
certificado e mantém parcerias com comunidades artesãs.
Para a co-fundadora e diretora criativa da
marca, Juliana Spirandelli, chegar a Milão ao lado de outras empresas
brasileiras é uma oportunidade de apresentar ao mercado internacional a
diversidade dessa produção.
“Foi uma alegria ser selecionada e passar por
esse edital promovido pela ApexBrasil e pelo Texbrasil para levar o melhor da
moda nacional sustentável para o mundo. A nossa expectativa é maravilhosa. O
Brasil tem muito a mostrar”, afirmou Juliana.
De São Paulo a Milão
O próximo passo dessa trajetória será na
Itália. No dia 22 de setembro, as dez marcas apresentarão suas coleções em um
desfile exclusivo no Chiostri di San Barnaba, em Milão. Nos dias 23 e 24,
participarão de um showroom de negócios voltado à aproximação com compradores,
parceiros e outros agentes do mercado internacional.
A escolha de Milão combina projeção
internacional e oportunidade comercial. Em 2025, a Itália foi o segundo
principal destino na União Europeia para as exportações brasileiras do complexo
de moda, respondendo por 16,9% das vendas do segmento destinadas ao bloco.
Naquele ano, o Brasil exportou US$ 42,3 milhões em produtos do complexo de moda
para o mercado italiano. Entre janeiro e julho de 2026, as vendas somaram US$
24,4 milhões. A ApexBrasil identificou ainda 14 oportunidades comerciais para
produtos do segmento no país.
A iniciativa integra uma atuação mais ampla da
ApexBrasil para apoiar a internacionalização das empresas brasileiras, em
parceria com entidades que conhecem as características e necessidades de cada
setor. No segmento têxtil e de confecção, esse trabalho é desenvolvido com a
Abit por meio do Texbrasil, que, em mais de 25 anos, já apoiou cerca de 2 mil
marcas na trilha da exportação e alcançou US$ 11 bilhões em negócios.
A presença brasileira em Milão continua entre
os dias 24 e 27 de setembro, quando 23 marcas participam da White Milano, na
Zona Tortona, por meio do Fashion Label Brasil – Programa de
Internacionalização da Moda Brasileira de Valor Agregado, desenvolvido pela
ApexBrasil em parceria com a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST). Três marcas
— Ludimila Heringer, Lybethras e Villa Dharma — estarão nas duas agendas.
Sobre
Texbrasil
O Programa de Internacionalização da Indústria
Têxtil e de Moda Brasileira (Texbrasil) atua junto às empresas do setor têxtil
e de confecção no desenvolvimento de estratégias para conquistar o mercado
global. Ao longo de mais de 25 anos, já auxiliou cerca de 2 mil marcas a entrar
na trilha da exportação, conquistando US$ 11 bilhões em negócios. O programa é
realizado por meio de uma parceria entre a ApexBrasil e a Abit.
ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações
e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover produtos e serviços brasileiros
no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da
economia brasileira. A Agência realiza ações de promoção comercial voltadas à
ampliação das exportações e à valorização dos produtos e serviços brasileiros
no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio
à participação de empresas em grandes feiras internacionais e visitas de
compradores estrangeiros e formadores de opinião.
Abit
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e
de Confecção (Abit), fundada em 1957, representa a força produtiva de 25,7 mil
empresas instaladas em todo o território nacional, de diferentes portes, que
empregam mais de 1,34 milhão de trabalhadores.
Abrimos
A Associação Brasileira da Indústria, Comércio,
Serviços e Educação para Moda Sustentável (Abrimos) atua no desenvolvimento da
moda sustentável no país, conectando criadores, indústria e o ecossistema de
desenvolvimento têxtil engajado em práticas de impacto positivo. Sua atuação
prioriza o apoio aos pequenos negócios, a disseminação de inovações e insumos
sustentáveis e a preservação do artesanato e das técnicas tradicionais.
Fonte/Imagem-divulgação: Assessoria de Imprensa Ricardo
Viveiros & Associados Oficina de Comunicação

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