segunda-feira, 30 de novembro de 2020

FESTIVAL NOVAS FREQUÊNCIAS COMEMORA 10 ANOS COM JOCY DE OLIVEIRA E TRABALHOS INÉDITOS DE 60 ARTISTAS

 

10ª edição do Festival Novas Frequências, considerado o principal evento sul-americano de música experimental e arte sonora, irá acontecer entre os dias 01 e 13 de dezembro de 2020. O formato digital apresenta 43 propostas comissionadas, ou seja, realizadas especialmente para o Novas Frequências, de artistas provenientes de 13 estados do país, que poderão ser assistidas no próprio site do festival.

Num momento onde a arte performática presencial se encontra em estado de suspensão devido à pandemia de Covid-19, a estratégia adotada pelo festival é de não realizar “lives” ou outros formatos de música ao vivo, mesmo que virtuais, com fins de buscar novos formatos de apresentação. Respeitando um dos conceitos mais caros ao Novas Frequências, que é o alargamento das fronteiras sonoras, a decisão encontrada é a de não substituir o presencial através de emulações ou simulacros — mas criar outras formas de apresentação apoiadas em vídeos pré-produzidos e conteúdos multilinguagem: trabalhos audiovisuais, videoarte, curta-metragem, vídeo-ensaios, experimentos com som imersivo, podcasts, websites, dentre outros.

“O Oi Futuro reafirma seu apoio ao Festival Novas Frequências, que, ao longo desses dez anos, se consolidou como importante plataforma de renovação da música e da arte sonora. Neste momento de pandemia, em que a arte e a cultura se tornaram ainda mais importantes na vida de todos, nosso objetivo é fortalecer festivais e incentivar artistas brasileiros que buscam se reinventar e experimentar novas formas de interação com o público”, afirma Roberto Guimarães, gerente executivo de Cultura do Oi Futuro.

O tema central e o conceito que pauta a programação do Novas Frequências 2020 é a letra “X”. Segundo o diretor e curador Chico Dub, “chegar aos 10 anos é uma marca histórica para a cena de música experimental no país e isso precisa ser grifado com todas as cores. Não foi fácil chegar até aqui, 2020 não está sendo fácil e não será nada fácil continuar no futuro próximo. E é por isso que o Novas Frequências chega aos 10 anos trazendo como tema central o ‘X’. Referência imediata ao número romano, mas também ao ‘X’ de indefinição, de incógnita, de oposição, de enfrentamento, de ruptura, de negação, de colaboração, de pluralidade, de feminino, de não-binarismo e de tantos significados imbuídos neste símbolo tão rico e potente”.

Como é notável que vivemos um momento de crise não apenas devido à pandemia, mas também por novos arranjos culturais e de redefinição do espaço público, as obras presentes no festival surgiram como reflexões político-sociais. Elas abordam temas como a emergência e potências de corpos dissidentes, antes invisibilizados; trazem à superfície as raízes mais profundas de toda a música, pautadas nas pesquisas dos sons da diáspora africana; a conexão literal com a terra na reflexão sobre abismos, tremores e abalos sísmicos; delineiam e expandem os limites traçados entre a palavra e a voz; mergulham em temporalidades lineares e não-lineares; e apresentam investigações cotidianas sobre os sons da quarentena, criados e percebidos na impossibilidade dos encontros presenciais.

Pela primeira vez na história do Novas Frequências, a programação é 100% brasileira. De acordo com Chico Dub, a razão é política: “no momento onde a já naturalmente fragilizada cena de música de invenção se apresenta de forma ainda mais delicada, se faz completamente necessário o apoio à classe artística local”. Ainda assim, parte da programação traça pontes com outras cenas e geografias convidando (também) artistas brasileiros residentes no exterior. Thessia Machado é artista visual/sonora, construtora de instrumentos e performer residente em Nova Iorque. Baseada em Tel Aviv, Maya Dikstein investiga o espaço como um lugar praticado e sua construção através de movimentos e usos. Vivendo em Havana, Renata Roman transita entre instalação, música experimental, arte radiofônica e paisagens sonoras. Radicada em Viena, Luiza Schulz Vasquez desenvolveu para o festival um trabalho em parceria com Celina Kuschnir, atualmente morando em Buenos Aires, onde as duas, em comunhão com o Quinteto de Cordas da Camerata de Laranjeiras, refletem sobre as mudanças climáticas em contexto de aquecimento global. Ambos em Berlim, Manuel Pessôa de Lima e Lola Lustosa criaram um podcast sobre a própria 10ª edição do Novas Frequências, um misto de programa educativo, talk showhumorístico e espaço de reflexão sobre a cena de música experimental. Em peça inédita para o Novas FrequênciasMarcela Lucatelli, moradora de Copenhagen, apresenta uma leitura performática de trechos do livro A Verdade Seduzida, do jornalista, sociólogo e pesquisador Muniz Sodré, obra que traça um panorama dos processos de cultura hegemônica e como isso foi assimilado pela comunidade negra no Brasil.

Depois das participações no ano passado de Beatriz Ferreyra e Èliane Radigue, duas das principais pioneiras da música eletroacústica em todo mundo, chegou a vez do Novas Frequências finalmente receber Jocy de Oliveira, o grande destaque desta 10ª edição. Pianista, compositora, precursora no Brasil em obras multimídia e a primeira mulher a ter uma ópera encenada no Theatro Municipal de São Paulo, a artista, com 84 anos, ganha uma releitura imagética com assinatura da artista visual e radiofônica Lilian Zaremba de duas de suas peças para voz e eletroacústica – La Loba e Naked Diva, respectivamente de 1995 e 1998 –, regravadas especialmente para o Novas Frequências no estúdio do LabSonica, o laboratório de experimentação sonora e musical do Oi Futuro.

O flerte do festival com outras linguagens artísticas, para além da música, é outro ponto alto da 10ª edição. Romancista e cineasta, João Paulo Cuenca vem realizando vídeos na quarentena baseados em entradas de um diário. Para o Novas Frequências, ele intensifica a experiência em uma peça audiovisual composta em parceria com o músico e compositor Barulhista. Doutrinada em templos batistas, a cantora evangelista, escritora, compositora e artista visual Ventura Profana tem seu corpo sonorizado, através de microfones de contato, pelo produtor musical e DJ Podeserdesligado. A dupla de artistas performers Irmãs Brasil projeta narrativas de diversas partes do mundo onde os direitos humanos são violados. Artista multimídia com passagens pela Bienal do Mercosul e Bienal de São Paulo Thiago Rocha Pitta desenvolve, junto ao artista sonoro Paulo Dantas, um vídeo a partir de Abismo sobre Abismo, obra que avança sobre vista para precipício na cidade de Petrópolis. Um dos nomes mais incensados do teatro e cinema nacional nos últimos anos, Grace Passô cria uma imaginação sonora da peça radiofônica Para acabar com o julgamento de Deus, de Antonin Artaud, em parceria com os convidados Thelmo CristovamMaurício Badé e Barulhista. Mergulhada na noção de não-lugar de experiências diaspóricas, Ficção Sônica, título do trabalho de Grace, é uma construção conjunta do Novas Frequências com a 34ª Bienal de São Paulo: a obra nasce com a 10ª edição do festival e se re-configura como instalação sonora em setembro de 2021.

Outra parceria desta edição se dá com a Veneno, rádio e plataforma digital criada em São Paulo, em 2018, que traz seis de seus artistas residentes para criarem duplas e estimularem o diálogo entre as diferentes linguagens trabalhadas por cada um: Acaptcha x DESAMPACarla Boregas x AkinERAM x EPX.

Com a programação recheada de artistas ligados ao Rio de Janeiro – ainda que muitos estejam ou vivendo em outras localidades, ou sejam residentes, porém naturais de outros Estados – três deles se configuram como importantes destaques da cena. Comumente associados a uma estética tropicalista e sonoridade no waveThiago Nassif Negro Leo produziram trabalhos que de alguma forma se associam ao reflexo e ao espelhamento de questões político-sociais. No curta metragem de Leo, dois personagens que são a mesma pessoa conversam entre si e são replicados de forma infinita numa TV desligada. Por outro lado, o trio de música eletrônica apocalíptica Tantão & Os Fita traz uma proposta não-performática, mas desenvolveram um banco de samples em formato de sequenciador eletrônico onde o público pode compor batidas utilizando trechos do recém lançado álbum Piorou.

Desde 2015, o Novas Frequências se aprofunda em obras de arte sonora, trabalhos que, em geral, desenvolvem outras relações do som com o espaço. Dentro desse contexto, além dos já citados artistas Thessia Machado, Renata Roman e Paulo Dantas, está O Grivo, dupla mineira que cria percursos sonoros que são, além de uma nova maneira de ouvir, uma nova maneira de ver os mecanismos de produção do som. Para o festival, prepararam um vídeo onde a montagem de uma instalação se configura como a própria obra de arte. Já Paulo Vivacqua exibe alguns de seus desenhos-partituras (da série memo) que tomam corpo e forma na interpretação dos artistas convidados Mariana CarvalhoDidac Tiago e Adriano Motta de acordo com o instrumento de cada um.

A improvisação livre, a música ambiente e a música eletrônica, por motivos distintos, se manifestaram como algumas das práticas mais instigantes no ambiente da suspensão da atividade performática trazido pela pandemia. O duo de São Paulo Radio Diaspora, formado pelo trompetista Romulo Alexis e o baterista Wagner Ramos, se alia à artista e improvisadora vocal Paola Ribeiro em TRIGRAMA, um experimento sobre as múltiplas possibilidades associadas ao número “3”, abraçando simultaneamente o caos, o equilíbrio e a iconoclastia de reminiscências afro-diaspóricas do free jazz. Os discos de vinil preparados ou destruídos da soteropolitana May HD ganham outros contornos ao interpretar, sonora e visualmente, uma reflexão contraditória à utopia explícita nas letras dos principais hinos do Brasil: Hino Nacional, Hino da Independência, Hino da Proclamação da República e Hino à Bandeira. A partir do inusitado improviso de quatro artistas de diferentes localidades, Flora Holderbaum (violino), Marina Mapurunga (cello), Nanati Francischini (guitarra) e Tânia Neiva (cello), cruzam-se imagens e sonoridades que refletem a impossibilidade dos encontros, os obstáculos que atravessam e as singularidades que ocupam um espaço cotidiano de invenção.

A música ambiente tem se destacado neste período da humanidade caracterizado pelo isolamento e pela ansiedade da incerteza, onde diversos artistas do gênero têm criado com a ideia de que ela é uma trilha adequada para um período em que tensão e ansiedade podem aflorar mais facilmente. Os brasilienses MYMK e Drendiela são artistas dentro dessa seara: o primeiro criou um estudo sobre a arquitetura de Brasília a partir dos blocos da Unidade de Vizinhança São Miguel, na Asa Norte: cinza, brutalista, geométrica, poética, reclusa; a segunda, influenciada na Astrologia dos Vedas, contempla um lugar fora do tempo concebido, um tempo circular e não linear, onde passado, presente e futuro coexistem.

dance music ou música eletrônica de pista talvez tenha sido a que mais soube se adaptar aos novos tempos pandêmicos — até porque, na verdade, “lives” e DJ sets em streaming já eram uma constante antes da pandemia e com o surto da Covid-19 só fizeram aumentar. Ainda assim, o Novas Frequências preferiu optar, seguindo o formato-conceito da 10ª edição, por outros vieses. Associadas às cenas de vogue e ballroom, Aya Ibeji e EVEHIVE propõem estudos ligados às danças performáticas e contemporâneas. Já Kakubo e Mexo buscam, cada um à sua maneira, encontrar a sua essência ou raio x, seja em relação a laços familiares, seja em relação à sua aura interior.

As sonoridades mais extremas se fazem presente via Deafkids e Test. Ícones do underground mais experimental de São Paulo, ambos trazem vídeos que partem de formatos mais tradicionais, ou seja, que mostram as bandas se apresentando com seus instrumentos, para depois mergulharem no caos e na fragmentação. Entre o punk e o techno, G. Paim, um dos articuladores mais importantes da cena do sul do país, expõe um diário audiovisual de colagem sonora e spoken word que explora as possibilidades de criação, fracasso e experimentação sob o gesto da rasura. Vindo da cena de noise e black metal, o carioca Cássio Figueiredo cria um manifesto tendo em vista o conceito de nigredo (a primeira etapa da jornada iniciática que o alquimista deve seguir para alcançar a Pedra Filosofal) e putrefação.

A pesquisa acadêmica permeia boa parte do line-up deste ano. b-Aluria e Isabel Nogueira, por exemplo, possuem estudo que perpassa a voz, a palavra, o ruído e a escuta. Projeto de Gabriela Nobre, o b-Aluriase inspira visualmente no teatro de sombras para deslocar a palavra xenoglossia de seu usual contexto religioso e psiquiátrico. Isabel Nogueira, também conhecida como Bel_Medula, propõe um vídeo-poema-sonoro com participação do público do festival a partir de disparadores de explosões de escuta.

Um dos eixos mais significativos desta 10ª edição diz respeito a temas associados a questões afro-diaspóricas. Além dos já mencionados trabalhos de Grace Passô, Radio Diaspora e Marcela Lucatelli, Abenç0ada - um dos codinomes de Bartira, atração presente na edição anterior do Novas Frequências - apresenta um podcast que mescla sound design com histórias de encruzilhadas. Marta Supernova, artista visual e DJ, pesquisa padrões rítmicos que funcionam como guia na música de matrizes africanas. O trio formado pelo músico e produtor MONASSTEREO (Lucas Carvalho), o designer de som Pedro Sodré e a pesquisadora das tradições culturais negro-africanas Nathalia Cipriano imagina uma carta ancestral onde são discutidas cosmo-percepções afrobrasileiras através de uma ritualidade que evoca sons do passado e do futuro definindo um plano sonoro do agora. MahalPita, ex-BaianaSystem, cruza improviso sonoro, spoken word e investigações mediúnicas (transcomunicação instrumental, fenômeno eletrônico de voz) partindo do estudo simbólico do eco enquanto camadas de presenças, energias, traumas e memórias acumuladas.

Duas obras buscam visualidades - ou materialidades - distantes do elemento virtual. Ainda que também se manifeste na forma de vídeo. CLARÃO, da dupla Fronte Violeta, também pode ser experienciado em meio à queima de incensos especiais concebidos pelas próprias artistas, trazendo outras camadas sensoriais para a proposta. Em mais um proposição que investiga a palavra - só que agora dentro do contexto de uma arte sonora não-coclear (que se refere ao som, mas de forma silenciosa, sem o componente de áudio) - Camila Proto cola lambe-lambes pelas ruas do Centro do Rio e propõe uma espécie de zona de escuta onde cada cartaz apresenta frases de textos emblemáticos da literatura brasileira - obras, dentre outros, de Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Mário de Andrade.

Festival Novas Frequências é viabilizado com o patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e da empresa Oi, através da correalização do Centro Cultural Oi Futuro. Apoio institucional do ICAS – International Cities of Advanced Sound e da Abrafin. Realização: Outra Música.

www.novasfrequencias.com

https://www.facebook.com/novasfrequencias

Vídeos dos últimos anos:

Novas Frequências X 10 anos: programação

01/12 - 13/12

  • Abenç0ada: viver no mundo exige que se dê partes de sua confiança as outres (BA)
  • Camila Proto: Zonas de Escuta (RS)
  • Luiza Schulz Vazquez x Celina Kuschnir: Trust the Wind (RJ/Áustria, RJ)
  • Manuel Pessôa de Lima x Lola Lustosa: Análise de frequências (SP/DE, RJ/DE)
  • May HD: Vinil (dest)ruído, distopia e quarentena (BA)
  • Naves Cilíndricas: Tempo Real (CE/RJ)

01/12, 20h

  • Jocy de Oliveira x Lilian Zaremba: La Loba e Naked Diva (PR/RJ, RJ)
  • Irmãs Brasil: Pink (SP/RJ)

02/12, 20h

  • MONASSTEREO x Pedro Sodré x Nathalia Cipriano: Yangui - Memória para o Futuro (BA/RJ, RJ/Estados Unidos, RJ)
  • Renata Roman: Ou ver dentro (SP/Cuba)

03/12, 20h

  • Deafkids: Código Pictorial (SP)
  • Drendiela: Tempo circular (MG/DF)

04/12, 21h

  • EVEHIVE x MAIWSI AYANA: Pito do Pango (RJ/SP, SP)
  • Kakubo: LAYA:TAMESHIGIRI (Tempo: Teste de Corte) (PR/SP)
  • Aya Ibeji: KWEEN (RJ/SP)

05/12, 21h

  • Ventura Profana y Podeserdesligado: TRAQUEJOS PENTECOSTAIS PARA MATAR O SENHOR(BA/SP, RJ/SP)
  • Tantão & Os Fita: Piorou samples (RJ)
  • Test: Confundir x Informar (SP)
  • Mexo: rragrfrRrr (PB)

06/12, 17h

  • Barulhista x J.P. Cuenca: Descarrego (MG/SP, RJ/SP)
  • Marcela Lucatelli: Crise (SP/Dinamarca)
  • b-Aluria: Xenoglossia (RJ)
  • G. Paim: f̸u̸t̸u̸r̸o̸ (MG/PR)

07/12, 19h

  • Veneno x Novas Frequências: Acaptcha x DESAMPA (MG, SP) / Carla Boregas x Akin (SP, SP) / ERAM x EPX (RS, PE/SP)

08/12, 20h

  • Paulo Vivacqua: música prescrita (ES/RJ)
  • Sofia Galvão x Henrique Vaz: VIDA MORTE VIDA (PE/SP, PE)

09/12, 20h

  • Cássio Figueiredo: Necrose Manifesto (RJ)
  • MYMK: Gris (DF)

10/12, 20h

  • Radio Diaspora x Paola Ribeiro: TRIGRAMA (SP)
  • Marta Supernova: Na Era da redenção dos Unicórnios: possíveis sotaques, possíveis diásporas (RJ)

11/12, 20h

  • O Grivo: Constelação (MG)
  • Thessia Machado: everydayeveryday (PR/Estados Unidos)
  • Flora Holderbaum x Marina Mapurunga x Nanati Francischini x Tânia Neiva: (In)fleXos (SC, CE/BA, SP, SP/PB)

12/12, 21h

  • Negro Leo: Nenhuma Fantasia (MA/RJ/SP)
  • Thiago Nassif: Reflexão (SP/RJ)
  • MahalPita: M8TADATAH (BA)
  • Isabel Nogueira: Estilhaço (RS)

13/12, 19h

  • Grace Passô: Ficções Sônicas (MG)
  • Paulo Dantas x Thiago Rocha Pitta: Silêncios, assim como as montanhas, serão consumidos pela vida (eventualmente) (RJ, MG/RJ)
  • Fronte Violeta: CLARÃO (SP)
  • Maya Dikstein: Treme (RJ/Israel)

Line-up em ordem alfabética:

  • Abenç0ada (BA)
  • Aya Ibeji (RJ/SP)
  • b-Aluria (RJ/MG)
  • Barulhista x J.P. Cuenca (MG/SP, RJ/SP)
  • Camila Proto (RS)
  • Cássio Figueiredo (RJ)
  • DEAFKIDS (RJ/SP)
  • Drendiela (MG/DF)
  • EVEHIVE x MAIWSI AYANA (RJ/SP, SP)
  • Flora Holderbaum x Marina Mapurunga x Nanati Francischini x Tânia Neiva (SC, CE/BA, SP, SP/PB)
  • Fronte Violeta (SP)
  • G. Paim (MG/PR)
  • Grace Passô (MG)
  • Irmãs Brasil (SP/RJ)
  • Isabel Nogueira (RS)
  • Jocy de Oliveira x Lilian Zaremba (PR/RJ, RJ)
  • Kakubo (PR/SP)
  • Luiza Schulz Vasquez x Celina Kuschnir (RJ/Áustria, RJ/Argentina)
  • MahalPita (BA)
  • Manuel Pessôa de Lima x Lola Lustosa (SP/DE, RJ/DE)
  • Marcela Lucatelli (SP/Dinamarca)
  • Marta Supernova (RJ)
  • May HD (BA)
  • Maya Dikstein (RJ/Israel)
  • Mexo (PB)
  • MONASSTEREO x Pedro Sodré x Nathalia Cipriano (BA/RJ, RJ/Estados Unidos, SP/RJ)
  • MYMK (DF)
  • Naves Cilíndricas (CE/RJ)
  • Negro Leo (MA/RJ/SP)
  • O Grivo (MG)
  • Paulo Dantas x Thiago Rocha Pitta (RJ, MG/RJ)
  • Paulo Vivacqua (ES/RJ)
  • Radio Diaspora x Paola Ribeiro (SP)
  • Renata Roman (SP/Cuba)
  • Sofia Galvão x Henrique Vaz (PE/SP, PE)
  • Tantão & Os Fita (RJ)
  • Test (SP)
  • Thessia Machado (PR/Estados Unidos)
  • Thiago Nassif (SP/RJ)
  • Veneno x Novas Frequências: Acaptcha x Desampa (MG/SP) / Carla Boregas x Akin (SP, SP) / ERAM X EPX (RS, PE/SP)
  • Ventura Profana y Podeserdesligado (BA/SP, RJ/SP)

 Um pequeno histórico: 2011-2019

Fruto da parceria entre o curador Chico Dub e a gestora cultural Tathiana Lopes, o Novas Frequênciassurgiu em 2011 com a proposta de reunir artistas que rompem fronteiras pré-estabelecidas em busca de novas linguagens sonoras. Para o festival, a exploração dos limites do som e a ampliação da escuta, a questão processual e a tentativa de se construir algo inédito são questões mais relevantes do que gêneros e estilos musicais.

Dos primeiros anos como um projeto de ocupação no Oi Futuro Ipanema ao formato descentralizado, o Novas Frequências já realizou um universo inteiro de shows, performances, instalações, festas, palestras, oficinas, residências artísticas, caminhadas sonoras, projetos comissionados e “site specific”. Entre 2011 e 2019, mais de 200 apresentações foram realizadas por artistas de aproximadamente 30 países. Dentre eles, alguns dos mais consagrados nomes da cena internacional de música experimental, como William Basinski, Stephen O’Malley, Tim Hecker, Ben Frost, Keiji Haino, Oren Ambarchi, Otomo Yoshihide, The Bug, Actress, Beatriz Ferreyra, Dean Blunt & Inga Copeland, Mika Vainio, Pole, Vladislav Delay, Julianna Barwick, Aisha Devi, Mark Fell, Aki Onda, Lawrence English, Lea Bertucci e Fèlicia Atkinson.

Segue abaixo um brevíssimo resumo do festival ano a ano.

2011

No ano de estreia do Novas Frequências, a programação de cinco dias no teatro do Oi Futuro Ipanemacontou com apenas seis artistas: Sun Araw, Andy Stott, Murcof, Com Truise, Pazes e Psilosamples. Mesmo tímida em tamanho, a relevância da programação causou forte impacto. Segundo o Estadão, por exemplo: “Pequenino porém valente, o festival Novas Frequências chegou aos 45 do segundo tempo para injetar entusiasmo na monotonia que permeou grande parte das excursões de bandas estrangeiras pelo país este ano.” A MTV afirmou que “O Festival Novas Frequências mostrou que veio para ficar no calendário carioca. Numa cidade escassa de eventos que buscam propor e trazer novidades, o Novas Frequênciasfoi um sucesso de público, organização e curadoria. Com certeza uma das experiências mais legais de 2011.”

2012

Em relação ao formato, a segunda edição do Novas Frequências manteve a ocupação no Teatro Oi Futuro Ipanema e cresceu de forma moderada para seis dias e oito artistas. Foi o suficiente para vencer o Prêmio Noite Rio na categoria de “Melhor Festival - até 5 mil pessoas”. A grande novidade do ano foi uma edição paralela que levou a São Paulo, numa parceria com o Queremos, as atrações Actress, Pole e Hype Williams (Dean Blunt & Inga Copeland). De acordo com o site URBe, “Novamente, a escalação é coisa que não se vê fácil nem em evento no exterior. Só coisa boa.” Via O Globo: “O festival chegou à sua segunda edição firmando-se como um valioso espaço para as novas tendências musicais.

2013

Somente a partir da 3ª edição, em 2013, é que o Novas Frequências começa a ganhar o formato adotado até 2019: um evento descentralizado, espalhado pela cidade. Foi também o ano de pesos pesados do experimental como Stephen O’Malley e Tim Hecker e, graças a uma parceria com o British Council, o festival pôde contar com as atrações britânicas David Toop, Heatsick, Lee Gamble, Demdike Stare e Miles. Além dos já tradicionais shows no Oi Futuro Ipanema, foram realizadas rodadas de discussões sobre música e processo no POP - Polo de Pensamento Contemporâneo e uma festa no extinto La Paz, na Lapa.

2014

Os 14 dias, 50 artistas e 8 espaços da 4ª edição solidificaram de vez o Novas Frequências como um festival amplamente diverso dentro do guarda-chuva do experimentalismo. As inovações na programação se deram através de residências artísticas, as primeiras realizadas pelo festival. O japonês Aki Onda, em busca de uma cartografia sonora do Rio de Janeiro, visitou espaços como a comunidade da Maré, a Floresta da Tijuca, ateliês de artistas, a Saara e diversos outros. A partir desta coleta, Onda criou uma peça sonora para o Oi Futuro Ipanema. Já o inglês Philip Jeck, artista sonoro que costuma trabalhar com toca-discos dos anos 50 e 60 e discos de vinil descartados, desenvolveu algo semelhante, só que com discos brasileiros encontrados em lojas, sebos ou mesmo dados por artistas próximos. Para a sua performance ao vivo, colaborou com o quarteto Rádio Lixo. Outro destaque digno de nota foi a proposta apresentada pela artista Vivian Caccuri. Sua “Caminhada Silenciosa” de 8 horas ao redor de pontos de interesse acústico, significou a primeira incursão do festival para “fora dos palcos”, uma pesquisa que se manteve anualmente até virar tema central em 2019.

2015

O destaque absoluto da 5ª edição foi uma ocupação no galpão/ateliê do Tunga através de uma espécie de ‘festival dentro do festival’. A cada dia, um artista diferente (Ava Rocha, Lucas Santtana, DEDO, Lilian Zaremba, Luísa Nóbrega, Barrão, Fèlicia Atkinson, dentre outros) desenvolveu um diálogo com a instalação "Delivered in Voices"  justamente a primeira obra sonora da carreira deste que foi um dos gênios máximos da arte contemporânea brasileira. Infelizmente, foi o último trabalho de Tunga, que sucumbiria meses depois vítima de um câncer.

2015 também foi marcado como o ano em que o Novas Frequências desenvolveu ações extra-festival realizadas em diferentes momentos do ano. Negro Leo e Chinese Cookie Poets se apresentaram no festival escocês Counterflows e na mítica casa de shows Cafe Oto, em Londres. Um dos nomes mais incensados da nova cena de noise e power electronics, a estadunidense Pharmakon, realizou uma performance na Audio Rebel. E, finalmente, QRG tocou no ICAS Festival, em Dresden.

2016

Os dois primeiros dias do Novas Frequências 2016 foram realizados no Galpão Gamboa durante a reabertura do espaço após ampla reforma e aumento de área útil. Um total de 25 atrações ocuparam as diversas salas e níveis do Galpão através de performances, lives, DJ sets, instalações sonoras e uma rodada de negócios, onde curadores e diretores de festivais europeus se encontraram com a cena local em busca de trocas e parcerias. A grande novidade em 2016 entretanto, ano em que o NF foi finalista do Prêmio Bravo! de Melhor Evento de Cultura do País, veio a ser uma parceria com o SHAPE, uma plataforma voltada para música, a arte sonora e a performance audiovisual fundada por festivais e centros culturais da Europa que possibilitou a vinda de 13 artistas emergentes de 12 países.

2017

2017 ficou marcado como o ano em que William Basinski lotou a Igreja da Lapa em missa para David Bowie num dos eventos mais concorridos da história do festival. Durante a 7ª edição, o Novas Frequências foi eleito pelo segundo ano consecutivo como um dos 100 melhores festivais do mundo de acordo com a plataforma inglesa Resident Advisor. Também realizou uma instalação sonora multicanal nos pilotis do MAM-Rio com 14 caixas de som, uma cortesia dos artistas Nicolas Field e Pontogor, e desenvolveu três performances com a dupla Dewi de Vree & Patrizia Ruthensteiner, uma delas em plena Lagoa Rodrigo de Freitas.

2018

Das performances diárias de piano acústico em diálogo com os sons da cidade - da Pedra do Arpoador ao Aterro do Flamengo; do Paço Imperial à Praça Xavier de Brito - performadas pela irlandesa Áine O’Dwyer, aos gigantes da música experimental Keiji Haino, Fennesz e Moritz Von Oswald, passando pelo misto de show/performance/ instalação com duração de 24 horas no Oi Futuro Flamengo encabeçado pelo Cão, teve de tudo um pouco na 8ª edição do Novas Frequências, a edição do infinito.

2019

“Fora do palco”, tema da 9ª edição, foi uma espécie de grito/manifesto em função de uma música 360º, espalhada por todos os cantos da cidade. Foram oferecidos ao público jantares harmonizados a partir das frequências dos chakras; apresentações de música acusmática inspiradas nas encruzilhadas da cidade; filmes de artista; trilha sonora para ser escutada em fones de ouvido durante percurso a pé; parcerias inéditas entre artistas do som e da dança/performance; concertos guiados por sons ambientes da Amazônia, Rio de Janeiro e Serrinha do Alambari; intervenção – em movimento – em uma Kombi de feira; cortejo de ruído pelas ruas do Centro; uma ocupação de dois dias no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Em 2019, o Novas Frequências também se expandiu para além da capital do Estado com uma programação extra "Fora do Rio". Das serras à Baixada; de Niterói ao Norte Fluminense, o festival passou por 10 municípios num processo de descentralizar a cultura, formar novos públicos e fomentar novas redes.

Biografias

Abenç0ada: viver no mundo exige que se dê partes de sua confiança as outres (BA)

http://cargocollective.com/bartira

Bartira, natural de Feira de Santana, Bahia, é artista sonora, musicista de eletrônica experimental e pesquisadora. Seu trabalho se apresenta através de performances, instalações e intervenções sonoras, resultado de pesquisas sobre conceitos de táticas sônicas de dominação (sound systems e paredões) que procuram preservar narrativas pretas existentes no contexto de tecnologia e cultura. Entrelaçando arte sonora e a produção intelectual e tecnológica preta, a artista tem criado trabalhos de ficções sônicas, enquanto pesquisa da realidade-ficção negra e sua intersecção com noções de hauntology e pós-humanidade. A espiritualidade do candomblé, seus elementos multissensoriais e a encruzilhada enquanto plataforma criativa que gera práticas e linguagens híbridas, também possui papel determinante nos seus trabalhos. Entendendo essas práticas espirituais como tecnologias em si, que conectam todos os tempos, suas narrativas sônicas se interessam por essas várias realidades alheias às timelines e que se articulam furtivamente no fundo virtual de nossa existência.

A convite do Novas Frequências, viver no mundo exige que se dê partes de sua confiança as outres é um podcast que conta a história das encruzilhadas, dos minerais escondidos debaixo da terra, em silêncio, em histeria, engatilhando as células imortais de Henrietta Lacks, um x no xerox. Cópias de cópias que cruzam e se expandem e se transformam em outros xs.

Aya Ibeji: KWEEN (RJ/SP)

https://soundcloud.com/ayaibeji

Aya Ibeji é uma artista multidisciplinar e tem atuado como DJ, residindo na Casa Imersiva OlharTransNegro, ativando cabeças e desvendando o poder do fluxo de possibilidades. Conectando passado-presente-transfuturo, utiliza da identidade como força de movimentação, acreditando nas desfragmentações e construções de uma possível criação. Trabalha com a vida tentando não definir a sua trajetória através de limitações. Segue vivendo e acreditando nas possibilidades do viver e ser travesti.

KWEEN, desenvolvido especialmente para o Novas Frequências, é uma experimentação sonora e visual que explora os elementos do vogue e do house trabalhando as des(construções) de novas tecnologias travesty.

b-Aluria: Xenoglossia (RJ/MG)

https://b-aluria.bandcamp.com/

Gabriela Nobre é artista sonora, poeta e performer nascida no Rio de Janeiro. É doutoranda em Estudos Contemporâneos das Artes, na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde pesquisa as partituras verbais como interface entre música/arte sonora e poesia/texto literário. É mestra em língua e literaturas francófonas pela mesma instituição. Sua atuação na música se dá principalmente com o b-Aluria, projeto que investiga as relações entre som e palavra, ruídos, colagens e falas que criam narrativas descontínuas em busca de respostas às insuficiências da palavra escrita. É membro do selo Música Insólita, que se desdobra num site de conteúdo sobre a música experimental e curadora do podcast de mesmo nome, que divulga artistas da cena.

Organizou o evento O Outro Baile, em parceria com Paulo Dantas e Daniela Avellar. Criou, em colaboração com Bianca Tossato e Verónica Daniela Cerrotta, o evento Estúdio Escuta, sessões de difusão de artistas experimentais com foco na experiência de escuta. Possui parceria com diversos outros nomes da experimentação no Brasil, como os trabalhos Corda e Corte (com Verjault); Perverto (com Teratosphonia, projeto de Nanati Francischini) e Fantasma (com Bernardo Girauta). Seu segundo projeto solo, -ada, lançou recentemente um álbum split de estreia em parceria com L£V1 ÄT4.

Criado para o Novas FrequênciasXenoglossia – das vozes que constroem a sua própria garganta é uma peça para vozes, ruídos e texturas. Sua proposta é deslocar a palavra xenoglossia de seu usual contexto religioso, psiquiátrico, linguístico. Resgatá-la do estado de crença que constitui as mazelas e tragédias de nosso tempo.

Barulhista x J.P. Cuenca: Descarrego (MG/SP, RJ/SP)

Nascido na cidade de Belo Horizonte, Barulhista é um artista sonoro e produtor fonográfico premiado pelo trabalho na produção de trilhas sonoras originais para cinema, teatro, dança e publicidade. Indicado pelo baterista Martin Atkins como um dos mais interessantes músicos brasileiros contemporâneos. Atualmente reside em São Paulo.

Escritor e cineasta, João Paulo Cuenca ganhou o Prêmio Machado de Assis com seu livro Descobri que estava morto, ligado ao longa-metragem A morte de J.P. Cuenca. Nos anos 2000, foi guitarrista de bandas como Netunos e Glamourama. Seu último projeto musical foi SUB, um duo de música eletrônica e guitarra com o produtor Daniel Limaverde, em 2015.

Descarrego é o trabalho audiovisual inédito preparado por Barulhista e J.P. Cuenca para o Novas Frequências. Sobre a obra, eles afirmam: “O único modo de salvar-se do abismo é olhá-lo e sondá-lo e baixar a ele, como antídoto e ascese. Para então subir, descendo ao outro lado. Timbres eletroacústicos brasileiros, drones do subsolo, Alva Noto jogando capoeira”.

Camila Proto: Zonas de Escuta (RS)

https://www.camilaproto.com/

Camila Proto é artista multimídia e mestra em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Seu trabalho, tanto no âmbito poético, quanto teórico, percorre o universo intersemiótico por meio de propostas participativas e conceituais, criando territórios movediços no entre da linguagem, da ciência e da filosofia, enquanto possíveis traduções da realidade.

Em 2017, participou do Circuito Universitário Internacional da Bienal de Curitiba, onde foi premiada com o segundo lugar pelas instalações interativas-sonoras Signos e Língua-mãe. Em 2019, participou do NIME (International Conference of New Interfaces for Musical Expression), em Porto Alegre, com a instalação Ilha Sonora, a qual também foi selecionada para o Prêmio de Arte Contemporânea da Aliança Francesa e premiada pelo edital CoMciência do MMGerdau, em Belo Horizonte. Em 2020, foi indicada ao 13º Prêmio Açorianos de Artes Plásticas na categoria “Destaque em artista início de trajetória”, selecionada mais uma vez como finalista do Prêmio de Arte Contemporânea da Aliança Francesa e apontada pelo comitê de curadoria do Museu de Arte do Rio Grande do Sul para realizar sua primeira individual na instituição em 2021.

Desenvolvido para o Novas FrequênciasZonas de escuta são mapas em forma de lambe-lambe que tomam as ruas do Rio de Janeiro. O que aconteceria se pudéssemos adentrar um território literário por meio dos sons que ali se escutam? Ou se, de repente, as linhas do texto transformassem-se em relevos, fronteiras e espaços, a cada sonar da palavra? Zonas de escuta convidam à visita de distintos universos literários através do que ali soa, juntamente ao que ressoa em relação a tudo que está à sua volta.

Cássio Figueiredo: Necrose Manifesto (RJ)

https://cassiofigueiredo.bandcamp.com/

Natural de Volta Redonda, Cássio Figueiredo desde 2014 trabalha sonoramente o isolamento, a distância, a noite, a decadência urbana e a melancolia, utilizando diferentes instrumentos e processos, tais como loopsdrones e gravações de campo, violino, guitarra, instrumentos virtuais e tapes. Lançou 15 álbuns e EPs, principalmente pela Seminal Records e em seu próprio Bandcamp, dentre eles: Presença (com participação e produção de Cadu Tenório), VésperasRJ2019NIGREDO e Órfãos, do projeto paralelo Ruínas (com participação de Leandra Lambert, com quem também assina o duo petitemort). Fez shows no Fosso, Aparelho, Desvio, Escritório, Estúdio Mata e no encerramento do SomaRumor - Encontro Latino-Americano de Arte Sonora, no Espaço Apis. Atualmente é mestrando de filosofia pela UFRJ e pesquisador no The New Centre for Research & Practice.

Necrose Manifesto, trabalho que Cássio Figueiredo apresenta no Novas Frequências, é sobre“suspender a sobrevivência individual enquanto um critério suficiente para vida, e torná-lo simplesmente necessário. Submeter as funções atreladas ao indivíduo à indiferenciação vermicular pela necrose induzida, emparelhá-lo a seu duplo, cadavérico, mas não menos morto. Trazer para fora o que já sempre esteve dentro. Morte sincrônica: nada a perder. Aprender a se mover no desespero.”

DEAFKIDS: Código Pictorial (SP)

https://deafkidspunx.bandcamp.com/

“Um disco de dub? Um disco de noise? Um disco de psych? Nada dos supracitados. É um disco do DEAFKIDS”. É assim que a revista inglesa The Wire, a principal publicação de música experimental do mundo, se referiu ao trabalho deste power trio de noise punk com abordagem experimental formado por Douglas Leal (guitarra), Marcelo dos Santos (baixo) e Mariano de Melo (bateria). Sua sonoridade desafiadora incorpora elementos da música industrial e de vanguarda, da música psicodélica, das técnicas do dub, os ritmos e pulsos hipnóticos da música brasileira, africana e indiana, e os limites expandidos do groove do d-beat (hardcore punk).

Em 2017, assinaram contrato com a Neurot Recordings, o aclamado selo independente dos membros da banda estadunidense Neurosis, atraindo atenção mundial em Configuração do Lamento, seu álbum de estreia na gravadora. Logo em seguida, saíram em uma turnê europeia com o Neurosis, dividindo também os palcos com bandas como Converge, Wolves in the Throne Room e Eyehategod. Em setembro de 2020, lançaram o disco colaborativo Deafbrick, com Petbrick - duo formado por Iggor Cavalera (Sepultura, Soulwax, Cavalera Conspiracy) e Wayne Adams (Big Lad, Death Pedals).

Em tempos de um colapso do sistema nervoso coletivo em escala mundial, Código Pictorial, vídeo que o DEAFKIDS apresenta na 10ª edição do NF, se propõe como uma interrupção do fluxo convencional de informações ao qual estamos submetidos, em uma narrativa febril e psicotrópica que explora as oposições, as intersecções e o desconhecido de nossos diversos filtros de realidade, em suas correlações com os aspectos mentais, físicos e psíquicos do ser contemporâneo. Concebida em uma era de simulacros e hiper-realidades, pandemias e infodemias, a obra traz um questionamento sobre o que somos, onde estamos e para onde vamos através de estímulos sensoriais de abstração como um exercício de reprogramação.

Drendiela: Tempo Circular (MG/DF)

https://soundcloud.com/drendiela

Drendiela é uma multi-artista mineira, residente em Brasília e estudante de antropologia. Há dois anos, começou a se aventurar na música eletrônica, produzindo colagens estranhas e experimentais que atravessam os gêneros downtempo e ambiente, com texturas e elementos de glitch, a fim de criar paisagens sonoras. Recentemente deu início ao seu projeto como Djeia a-gênero, em que lançou um primeiro set, já durante a pandemia, cujos sons são cheios de emoção e melancolia. Em fevereiro de 2019, lançou o trabalho STEVIA, composto por cinco faixas homônimas.

Para o Festival Novas Frequências, a intenção de Drendiela é sintetizar, pela primeira vez, o visual com o sonoro em formato de vídeo-arte. “Nos últimos anos, tenho cultivado um interesse considerável pelo espaço sideral, que se deve em boa parte ao Jyotiṣa, termo sânscrito da astrologia dos Vedas, que significa, literalmente, ‘conhecimento da luz’. Nessa dualidade de céu e terra, acredito na máxima ‘as above, so below’, que reverbera na minha crença de que somos constantemente influenciados pelo movimento dos planetas transitando pelas constelações. Para mim, o éter e as estrelas em sua vastidão é o que fica entre os extremos, um cenário que carrega infinitas possibilidades pela sua não-limitação de espaço. O que busco contemplar nas minhas criações é um lugar fora do tempo concebido, um tempo circular e não linear, onde passado presente e futuro coexistem”.

EVEHIVE x MAIWSI AYANA: Pito do Pango (RJ/SP, SP)

https://soundcloud.com/evehive

Evellyn Tavares nasceu em São Gonçalo, Rio de Janeiro, e reside atualmente em São Paulo. É produtora musical, faz parte da BANDIDA Coletivo e é integrante da Casa de Cosmos. Em parceria com o também produtor b o u t, idealizou o selo e festa Global Kunt, focados em vogue beat para performances e batalhas de dança da cena Ballroom. Além das atividades artísticas, também trabalha em projetos com o intuito de compartilhar seus conhecimentos. Atua como instrutora de discotecagem na LAB Bandida e na Oficina de Discotecagem Para Mulheres (Oficina das Minas). Diante do atual cenário, longe das pistas, produziu parcerias com artistas como Linn da Quebrada, Monna Brutal, Tássia Reis e Taslim. Recentemente, anunciou seu primeiro EP autoral, do qual lançou os singles PANGO e XEREKAUM.

MAIWSI AYANA é multiartista visual com trabalhos em moda, dança e fotografia. Nascida na zona leste de São Paulo, é bacharel em design de moda pelo SENAC. Como estilista, criou a marca #byMAIA e com esta participou do “Projeto Empreender” da TV Futura. Em 2016 estudou e trabalhou com produção cultural na Secretaria de Cultura de São Paulo através do Programa Jovem Monitor Cultural. Em 2017, começou trabalhar com a Batekoo e atualmente direciona e dança na Cia de Dança da Batekoo, onde compõe o ballet da MC Deize Tigrona. Atualmente integra a Cia de Dança Afro Oyá e realiza trabalhos como dançarina para videoclipes. Em 2020, criou o Afro 150BPM, projeto de oficinas que propõe a junção de movimentos de ritmos afro-diaspóricos traçando uma narrativa desde as danças afro-brasileiras ao funk carioca e paulista, descolonizando e preparando corpos para a aprendizagem de técnicas de ambos os elementos.

A videoperformance Pito do Pango apresenta uma curadoria focada em influências latinas e africanas, incluindo remixes e faixas autorais que criam uma trajetória de forma crescente ao unir movimentos e sons num rito de autodescoberta entre luz e sombras.

Artistes convidades:

MAIWSI AYANA: Dançarina, Figurinista e Stylist

Guilla: Videomaker

Flora Holderbaum x Marina Mapurunga x Nanati Francischini x Tânia Neiva: (In)fleXos (SC, CE/BA, SP, SP/PB)

https://soundcloud.com/flora-holderbaum
https://teratosphonia.bandcamp.com/
http://mapu.art.br/
https://soundcloud.com/t-nia-neiva

Flora Holderbaum é violinista, artista da voz, compositora e professora do departamento de música da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). É central em seu trabalho a poética vocal e instrumental e seus cruzamentos com a música experimental e eletroacústica. Possui experiência como intérprete, pesquisadora e compositora em eventos musicais no Brasil e no exterior. Organizou a conferência internacional “Sonologia 2019-I / O”, em parceria com o NuSom - USP.

Nanati Francischini é guitarrista e improvisadora. Utiliza a guitarra elétrica para criar subversões na relação corpo-instrumento, além de associá-la a diversos objetos aleatórios. À frente do Teratosphonia, explora sonoridades e visualidades inspiradas no noise, no drone e no metal extremo. Já participou de festivais como o Sesc Jazz e o Festival de música criativa CHIII. Atualmente realiza uma pesquisa de mestrado junto ao Nusom (Núcleo de Pesquisas em Sonologia na USP), integra o LAURA (Lugar de Pesquisas em Auralidades) e a Orquestra Errante (grupo de pesquisas e práticas em livre improvisação musical).

Marina Mapurunga é artista e pesquisadora do audiovisual e da arte sonora. Cearense, reside na Bahia, onde é professora de som dos cursos de cinema e artes visuais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Em seu projeto solo AnimuLa, explora sons do violino elétrico com pedais, voz, objetos com piezo, sons sintetizados e gravações de campo. A maioria dos cantos de AnimuLa são constituídos por glossolalias e sintaxes deformadas. É doutoranda em música (sonologia) pela USP, pesquisadora do NuSom (Núcleo de Pesquisas em Sonologia da USP) e do LinkLivre (Grupo de Estudos e Práticas Laboratoriais em Plataformas, Softwares Livres e Multimeios da UFRB); coordenadora do SONatório (Laboratório de Pesquisa, Prática e Experimentação Sonora, projeto de extensão da UFRB) e da OLapSo (Orquestra de Laptops do SONatório). É integrante da rede Sonora – músicas e feminismos e da Orquestra Errante.

Tânia Mello Neiva é doutora em música pela UFPB e atualmente desenvolve pesquisa de Pós-Doutorado sobre musicistas da cidade de João Pessoa que trabalham com uso de tecnologia. É uma das coordenadoras do Fórum de Mulheres em Luta da Universidade. É membro do +Um Coletivo de Arte, atuou em parceria com a dançarina Tatiana Tardioli (2003 – 2010) e junto ao grupo Teatro da Passagem (2007-2009). Em 2015, iniciou trabalho solo enquanto compositora/performer. Desenvolveu diversos projetos com diferentes artistas durante a residência artística RASA (2018), na cidade de Caruaru, PE, no Centro de Formação Paulo Freire do MST.

A partir do improvável improviso de quatro artistas de diferentes localidades, cria-se um quinto lugar de (in)flexão. Distopia em movimento aberto e lento, cruzamento de imagens e sonoridades que refletem a impossibilidade dos encontros, os obstáculos que atravessam o dia-a-dia comum. Imagens de um modus operandis do contexto pandêmico, sobreposto às singularidades que ocupam um espaço cotidiano de invenção.

Fronte Violeta: CLARÃO (SP)

https://frontevioleta.com/

Fronte Violeta é um duo formado por Anelena Toku e Carla Boregas que investiga o som a partir de encontros, seu comportamento em diferentes ambientes e como ele se constrói de maneira multissensorial. Seu som busca combinar, de forma mutável, música eletrônica, experimentações sonoras e visualidades com temas da natureza e questionamentos contemporâneos. Através de sistemas poéticos contemplativos e efêmeros, a dupla propõe situações imersivas, performativas ou laboratoriais em que cada projeto se desenvolve de maneira particular. Sua trajetória inclui performances sonoras, peças audiovisuais, criação de situações e espaços, práticas teatrais e colaboração com artistas. Entre seus trabalhos mais recentes estão a peça audiovisual Lapso, a performance baseada em uma partitura efêmera Notação Floral, a dramaturgia sonora do espetáculo Revolta Lilith, a peça sonora para sauna Vaso e a criação do espaço dedicado às sonoridades inventivas AUTA, em parceria com a artista Juliana R.

CLARÃO, obra do Fronte Violeta para o Novas Frequências, circula entre os campos sonoro, visual e olfativo sugerindo uma presença possível e efêmera. Além da peça audiovisual, um incenso feito de matérias primas naturais foi criado pela dupla para ser queimado durante a exibição do trabalho - e o público poderá adquiri-lo através do site do Novas Frequências.

Tudo está em contato com tudo na terra sem dono.

Além do corpo-tempo-tela, absortas numa lenta circulação.

Ouvir os cheiros e observar o invisível através do vidro rasgado.

A matéria dissolve a memória que preenche as nossas mãos.

G. Paim: f̸u̸t̸u̸r̸o̸ (MG/PR)

https://soundcloud.com/g-paim

Gustavo Paim é um músico e poeta envolvido com o punk e a música eletrônica. G. Paim, como assina seu projeto solo, é um registro intermitente de tentativas de experimentação condensadas sob o território da música eletrônica de pista, ou o oposto. Em outras palavras, se utiliza de processos como tape loopsdronesfeedbacksamples destruídos e texturas distorcidas para chegar aos resultados de sua produção.

Nascido em Belo Horizonte e residente em Curitiba, é membro co-fundador do selo Meia-Vida, responsável pela identidade visual do selo e co-curador dos lançamentos e eventos. Já esteve à frente de bandas como Cãos, Círculo Avesso e As Lágrimas. Foi criador, curador, organizador e artista participante nas quatro edições anuais do festival PERTURBE, de 2012 a 2015. Seu último álbum, Idiomático, foi lançado em julho de 2020.

O trabalho de G. Paim para o Novas Frequências, f̸u̸t̸u̸r̸o̸, é um diário audiovisual de colagem sonora e spoken word que explora as possibilidades de criação, fracasso e experimentação sob o gesto da rasura.

Grace Passô: Ficções Sônicas (MG)

Nascida em Belo Horizonte, Grace Passô é atriz, dramaturga e diretora de teatro. Tem criações autorais no teatro e cinema, além de produções em parceria com artistas multidisciplinares. Um de seus últimos trabalhos, a peça de teatro e média-metragem Vaga Carne, inaugura o projeto Grãos da Imagem, que tem como uma de suas pesquisas o mergulho em dimensões sonoras da palavra. De griô a vocalista de textos teatrais, experimenta invenções que desafiem noções estáveis da linguagem. Atuou em filmes recentes como Praça ParisNo coração do mundo e Temporada, pelo qual ganhou prêmio de melhor atriz no Festival de Brasília de 2018. Também foi premiada no teatro pelo Shell SP e RJ, APCA e Prêmio Leda Maria Martins.

Ficções Sônicas, uma co-produção do Festival Novas Frequências com a 34ª Bienal de São Paulo, é uma imaginação sonora da peça radiofônica Pra Dar Um Fim no Juízo de Deus, de Antonin Artaud, mergulhada na noção de não-lugar de experiências diaspóricas. Disparada pelo termo desenvolvido pelo escritor Kodwo Eshun, a obra reúne os músicos Barulhista, Maurício Badé e Thelmo Cristovam em faixas musicais distintas, dialogando com a voz de Passô. “É um fazer vibrar o futuro nesse texto antigo que sempre teve o futuro em si. É uma evocação de palavras resistentes a automação da sensibilidade. É um encontro entre aliens.”

Irmãs Brasil: Pink (SP/RJ)

https://vimeo.com/irmasbr

Irmãs Brasil é uma dupla existência de corpas estranhes e artistas travestis formada por Viní Ventania e Vitória Jovem. Nascides em uma família de peões de rodeio em Amparo, foram criades no ambiente machista do interior de São Paulo. As primeiras referências artísticas vieram da família: o pai, palhaço de rodeio; a mãe, rainha de bateria. Hoje radicadas no Rio de Janeiro, o trabalho artístico da dupla coloca em choque as linguagens da dança, do teatro e da performance com operações de imagens e signos para criar desvios nas tecnologias heteronormativas e coloniais. Buscam criar um estado constante de acidentes, escuta e relações em rituais de preparação da carne que dão acesso ao sobrenatural. Partem da necessidade de escaparem vivas, bem como de presentificar fantasmas e arrebatamentos. Indicadas ao prêmio PIPA 2020, o trabalho que desenvolvem apontam questões urgentes à sobrevivência de corpas dissidentes.

Seus trabalhos estiveram presentes em exposições coletivas como “ELÃ – o nome que a gente dá às coisas”, no Galpão Bela Maré e “Estado de Graça”, na Galeria Pence, ambas no Rio de Janeiro, entre 2019 e 2020. Recentemente participaram da ação “A disputa do Brasil” na abertura da exposição Uóhol de Rafael Bqueer – Uhura Bqueer e participaram da mesa de debate sobre performatividade de genêro – “Corpo Nós”, ambas no Museu de Arte do Rio (MAR).

Concebido especialmente para o Novas Frequências, a instalação audiovisual Pink projeta narrativas de diversas partes do mundo onde os direitos humanos são violados. Nesse pequeno jardim à frente das paisagens bélicas, duas travestis traçam estratégias de defesa e permanência. “Como sobreviver a essas realidades de condenação? Como produzir memória sobre as nossas existências? Como juntas podemos adiar o fim? Como encontrar os nossos amuletos em meio às ruinas? Existir em frente a esses disparos e construir possibilidades de vida. É sempre um risco aparecer!”

Isabel Nogueira: Estilhaço (RS)

https://isabelnogueira.com.br/

Isabel Nogueira é compositora e artista sonora. Sua produção dialoga com voz, escuta e sintetizadores. Tem os projetos artísticos Bel_Medula, sobre canções; Women in Space, com as artistas Linda O Keeffe (Irlanda/UK) e Sophia Lycouris (Grécia/UK), envolvendo performances multimídia; e desenvolve projetos de música experimental com seu próprio nome. Possui formação em escuta profunda pelo Instituto Deep Listening e desenvolve workshops em escuta e processos criativos. É professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordena o Sônicas: grupo de pesquisa sobre música e gênero. Foi orientadora da residência artística para mulheres no Projeto Concha (2019) e mentora no projeto RS Music Lab (2020), ambos realizados em Porto Alegre (RS).

Desde 2016, tem lançado álbuns de música experimental por selos do Brasil, Itália, Peru e Estados Unidos. Em 2019, lançou o álbum de canções PeleOsso com o Bel_Medula. Tem atuado em festivais no Brasil (Kinobeat, Música Estranha, FIME) e no exterior (Live Arts Culture – Itália, Feminoise – Argentina).

estilhaço é um trabalho comissionado para o Novas Frequências que começa com disparadores de explosões de escuta a partir de áudios-guia em podcasts. Por meio destes disparadores, o público do festival é convidado a produzir trechos em som, texto, vídeo, mapa, fotografia, desenho e enviar para o site do festival. A partir deste material, a artista irá selecionar elementos para, em diálogo com suas próprias escutas dos disparadores, realizar a obra final em um vídeo-poema-sonoro.

Jocy de Oliveira x Lilian Zaremba: La Loba e Naked Diva (PR/RJ, RJ)

https://vimeo.com/user14579136

Jocy de Oliveira é compositora, pianista e escritora, considerada uma das pioneiras na música eletrônica e na arte multimídia no país. Nascida em Curitiba, estudou piano em São Paulo, Paris e nos Estados Unidos — onde se formou em composição pela Washington University e foi professora associada na University of South Florida e na New School for Social Research, em Nova York. Em 1960, aos 25 anos, apresentou nos teatros municipais do Rio de Janeiro e São Paulo a ópera Apague meu spotlight, com música eletrônica, coreografia, cenários de luz e gravações com vozes de atores como Sérgio Britto e Fernanda Montenegro. Já em 1961, foi idealizadora da Primeira Semana de Música de Vanguarda, no RJ e em SP.

Criadora de sua própria linguagem artística, escreveu diversas óperas e composições para instrumentos tradicionais nas quais utiliza meios eletrônicos que interferem e fazem parte da obra, como Mobius Sonorum (1984) e For Cello (1995). Gravou em 1981, pelo selo Fermata, o clássico Estórias para Voz, Instrumentos Acústicos e Eletrônicos. Como pianista, foi solista sob a regência de Stravinsky e apresentou audições de compositores que a ela dedicaram obras, como Iannis Xenakis, Luciano Berio, Claudio Santoro e John Cage. É de 2017 sua nona ópera, Liquid Voices – A história de Mathilda Segalescu, que utiliza as linguagens teatral e cinemática. O filme em longa metragem foi finalizado no início de 2019 sendo lançado e premiado, dentre outros, na Seleção Oficial do London International Film Festival (prêmio de melhor sound design), Nice International Film Festival (prêmio de melhor música), Madrid International Film Festival (prêmio de melhor cenografia) e Polish International Film Festival (prêmio de melhor música-vídeo).

Lilian Zaremba é artista visual, roteirista, produtora radiofônica e pesquisadora doutora em teorias da comunicação. Desde 1997, explora diferentes aspectos da linguagem e transmissão radiofônica associada às artes sonoras. Idealizou, curou e coordenou o “I Rádio-Fórum: o rádio fora do Rádio, no Centro Cultural Banco do Brasil” (1997) trazendo ao Rio de Janeiro representantes das emissoras públicas da França, Alemanha e Inglaterra, além de artistas nacionais. Publicou vários artigos de pesquisa sobre o universo da linguagem radiofônica organizando os três números da coletânea Rádio Nova, Constelações da Radiofonia Contemporânea (ECO/Ed.Publique 1997-2000) e o livro Entreouvidos: sobre Rádio e Arte (Oi Futuro/SOARMEC 2010). Participou da X Documenta de Kassel com a transmissão de sua rádio fantasia Crab Nebula (2007).

No primeiro dia do Novas Frequências 10 anos, as peças de Jocy de Oliveira para voz e eletroacústica La Loba e Naked Diva ganham o acompanhamento visual de Lilian Zaremba. Trechos das óperas multimídia Illud Tempus (1995) e As Malibrans (1998), as peças, regravadas em estúdio por Gabriela Geluda (voz) e Marcelo Carneiro (difusão) especialmente para o festival, servem de base para o trabalho de Zaremba, uma videoarte que cria outros horizontes imagéticos em relação às originais.

Kakubo: LAYA:TAMESHIGIRI (Tempo: Teste de Corte) (PR/SP)

https://soundcloud.com/kakubo

Com uma formação que combina estudos de música eletroacústica e música eletrônica de pista, a produção musical de Kakubo destila sonoridades industriais e colagens que utilizam o ruído sonoro e percussões brutas. Através de uma viagem rítmica por gêneros e timbres, vem lapidando um estilo único no cenário da música eletrônica brasileira contemporânea. Em 2020, lançou o álbum Andaluz pelo selo Gowpe.

Kakubo é artista residente da MAMBA NEGRA, festa/label/agência queer de São Paulo conhecida por ocupar espaços marginalizados da cidade e impulsionar lutas por representatividade feminina, liberdade sexual e de gênero. Sua trajetória é marcada pela presença em festas independentes pelo país e apresentação nos importantes eventos Red Bull Music Festival São Paulo, Boiler Room e SP na Rua.

Com uma formação que combina estudos de música eletroacústica com incursões que vão do avant-techno analógico às tortuosas mutações para as pistas de dança, Kakubo destila de forma abrangente gêneros e timbres eletrônicos a um imaginativo de colagens sonoras entre névoas de ruído e distorção, em uma extravagante viagem rítmica sobre percussões brutas em ambiente cinemático e fusão de texturas.

Nesta edição do Novas FrequênciasKakubo observa os conceitos sobre infinitude e transformação pela ótica de filosofias orientais milenares, utilizando arquivos de domínio público virtuais como matéria-prima de análise e amostragem (sampling). A experiência audiovisual é construída pelos parâmetros: dilaceração e tempo; ou Tameshigiri (em japonês, técnica de corte por espadas) e Laya/Tala (na cultura hindu, tempo e estrutura rítmica), utilizando-os como vetor de investigação em função de sua arquitetura musical, bem como em raio-x em busca de sua própria identidade cultural.

Luiza Schulz Vazquez x Celina Kuschnir: Trust the Wind (RJ/Áustria, RJ/Argentina)

Luiza Schulz Vazquez é compositora e artista sonora carioca que pesquisa e performa com o som em diversos contextos das artes. Atualmente trabalha com composição de música para filme, dança, teatro e instalações performáticas entre Brasil e Áustria, depois de finalizar e concluir uma pesquisa híbrida pelo som e prática intensiva específica na Universidade de Música e Artes Performáticas de Viena e Bacharelado de Artes em Composição de Mídias na Universidade Anton-Bruckner, em Linz, Áustria. Em 2012, iniciou estudos na área da engenharia, da engenharia de som, música moderna e contemporânea na Universidade de Artes de Berlim. Desde então, sua pesquisa e prática se dá no campo da composição eletroacústica. Seu trabalho, solo ou em parceria, foi apresentado em inúmeros festivais, teatros, museus e eventos, tais como MuBE - Museu de Escultura em São Paulo (BR), Echoraum (AT), Ars Eletronica (AT), São Paulo Fashion Week (BR), Grand Theatre Warsawa (PL), Stream Festival (AT), Dansand! - KAAP (BE), The Acousmatic Project (AT), FKL - Symposium Paesaggio Sonoro (ITA), Tanz Tendenz (DE), Atom Bar (ARG), dentre outros.

Celina Kuschnir é designer formada em comunicação visual pela PUC-RJ. Desenvolve projetos de design gráfico e cenografia na área da cultura, tendo trabalhado com artistas como Gilberto Gil, Moreno Veloso, Mãeana, Bem Gil, Ava Rocha, dentre outros. Em sua pesquisa, tem como canal de comunicação as artes visuais, práticas manuais e composições musicais, fazendo uso de diversas mídias a fim de despertar sutilezas e instintos adormecidos. Através do projeto Sol propõe uma rede de criação e troca de saberes com o foco na criação e no desenvolvimento das potencialidades criativas.

A pesquisa e estudo das partituras de Luiza Schulz Vazquez Trust the Wind e Ü baseiam-se em mecanismos de chance, signos e direções do vento. Instruem memória e improvisação, através de notação gráfica e tonal, com base em noções de tempo: planejamento e determinismo, opostos ao acaso, não-determinismo e tempo relativo. Interpretadas sonoramente pelo Quinteto de Cordas da Camerata de Laranjeiras e visualmente por Celina Kuschnir, as partituras refletem sobre as mudanças climáticas em contexto de aquecimento global.

“DATA

mapas digitais de navegação

sobre tecidos e tramas

de ópera moderna

entre florestas abstratas

e trânsito de linguagem

e informação”

“um caminho possível

entre pedra, cipós e ventos da floresta moderna

- pontos de energia,

notas,

mudam o curso do recorrido do mapa

oferecer data para movimentar pontos de expansão”

Quinteto de Cordas da Camerata de Laranjeiras:

Rodrigo Ramos - Violino I

Adriel Kelcio- Violino II

Gabriel Vaillant - Viola

Gibran Moraes - Violoncelo

Lucas Lapos - Contrabaixo

MahalPita: M8TADATAH (BA/SP)

https://soundcloud.com/mahal_pita

Nascido em Salvador, MahalPita é produtor musical e artista transmídia. Tem como linha de trabalho a transfiguração das culturas urbanas da Bahia, conectando-as com as possibilidades tecnológicas e os estímulos contemporâneos das diásporas globais. Sua pesquisa passa por experimentações entre som, imagem e tecnologia, transitando pelo multiverso do popular, na fronteira entre o sagrado e o profano. Seus trabalhos de produção musical têm ampliado as discussões sobre novas possibilidades de cruzamento entre entretenimento, arte e política a partir da ressignificação de elementos pertencentes à cultura afro-brasileira.

Foi colaborador do grupo BaianaSystem, emprestando seu olhar na criação de produções autorais, remixes e releituras de artistas como Tom Zé, Ney Matogrosso, BNegão, Margareth Menezes, Rico Dalasam, Flora Matos, Karol Conka, dentre outros. Atualmente se dedica aos seus projetos solo. Em 2020, lançou o EP MANO*MAGO, com Giovani Cidreira, e inicia o lançamento dos singles que apresentam a narrativa M8TADATAH.

Na ocasião do Novas Frequências, M8TADATAH se configura como uma performance vídeo-sonora que intersecciona transcomunicação instrumental, samba reggae, liturgias egípcias, genocídio negro e parte do estudo simbólico do eco enquanto camadas de presenças, energias, traumas e memórias acumuladas que se repetem em um espaço x tempo. Assim, é constituído uma espécie de ectoplasma sonoro onde camadas de som e textos se sobrepõem a manifestações de áudios capturados ao vivo por microfones instalados em meio ao espaço público do Pelourinho, em Salvador. Tal ação cria uma experiência de repetição, acúmulo e novos arranjos de memórias. O resultado é um cruzamento entre improviso sonoro, spoken word e investigações mediúnicas (psicometria, transcomunicação instrumental e tiptologia). O F.E.V. (Fenômeno Eletrônico de Voz) é a gravação de vozes do outro mundo em fitas cassete, gravadores de rolo e outros equipamentos de gravação. É uma expressão mais recente para o fenômeno de Transcomunicação Instrumental (TCI), e se refere especificamente à maneira pela qual as vozes são gravadas usando tecnologia.

Manuel Pessôa de Lima x Lola Lustosa: Análise de frequências (SP/DE, RJ/DE)

Manuel Pessôa de Lima é compositor-performer, desenvolve trabalhos com a cor vermelha e se interessa por temas que abordam o fracasso. Tem atuado em trabalhos solo, incorporando a fala, como no projeto Pianista FracassadoO Piano da Luz Vermelha é um outro trabalho solo que adquire vários formatos partindo do piano e da luz vermelha. Produziu instalações como o Cubo Vermelho, e uma performance de 10 dias de duração chamada The Cube. Lançou em 2016 o trabalho de colagens sonoras 36 English to Portuguese Lessons pelo selo Editions Verde, com uma versão ao vivo pelo Cafe Oto em 2017. Em 2020 lançou pelo selo Black Truffle o LP Realejo.

Lola Lustosa é artista, performer e cineasta independente que utiliza principalmente o tempo, a luz, o espaço, a improvisação e o movimento do corpo como inspirações para seu trabalho. “O teatro como arte marcial” é sua maneira de expressar seus desejos pessoais em relação ao futuro. Radicada em Berlim desde 2011, desenvolve uma pesquisa sobre diálogos e memórias sociais, desde xamanismo, povos originários, tropicalismo e referências carnavalescas a antigas mitologias, feitiçaria e o novo underground. Já apresentou seus vídeos e performances em diversos festivais e participou de exposições no Rio de Janeiro, São Paulo, Berlim, Paris, Estocolmo, Helsinque, Roma, Cidade do México, Hong Kong e Chandigarh.

Sobre Análise de frequências: em cada um dos 40 dias que antecedem o festival, Manuel Pessôa de Lima sorteia um nome dentre os cerca de 40 participantes do Novas Frequências 10 anos, e produz um pequeno monólogo em fita cassete que fica entre um diário e introdução do artista sorteado. Lola Lustosaparte desse material para a produção de peças sonoras livres, entremeadas em seu cotidiano. O podcast é a compilação do material gerado por ambos, incluindo a participação de convidados.

Marcela Lucatelli: Crise (SP/Dinamarca)

https://www.marcelalucatelli.co/

Marcela Lucatelli é uma das vocalistas e compositoras mais inovadoras de sua geração. Nascida no Brasil e radicada na Dinamarca, ganhou reconhecimento internacional por seus trabalhos performáticos sensoriais e politicamente carregados. Segundo a publicação britânica The Wire, Lucatelli escreve “partituras para os limites dos corpos e da voz”. Recentemente lançou Anew, um álbum para piano e voz onde utiliza um manual de programação de computador como um artefato antropológico de ficções coletivas pós-industriais da contemporaneidade, construindo, por sua vez, sua própria ficção sonora através dele.

Suas peças são executadas por grupos vocais como o Danish National Vocal Ensemble e o Neue Vocalsolisten Stuttgart, juntamente com alguns dos coletivos musicais mais ousados da Europa e EUA, como Apartment House (Reino Unido), Bastard Assignments (Reino Unido) e Mocrep (EUA). Suas obras foram estreadas em diversos festivais como Donaueschinger Musiktage, Darmstadt Internationale Ferienkurse für Neue Musik, Nordic Music Days, WOMEX, entre outros. Recebeu o Prêmio de Talento em Composição da Fundação Carl Nielsen e Anne Marie Carl-Nielsen em 2019.

Em Crise, peça inédita para o NFMarcela Lucatelli apresenta uma leitura performática de trechos do livro A Verdade Seduzida, do jornalista, sociólogo e pesquisador baiano Muniz Sodré, deixando-se consumir por excesso e reversibilidade. ''Um conto da tradição oral nagô na Bahia explica como os brancos conseguiram dominar o universo: limitaram-se a fazer as obrigações, enquanto os negros descuidaram-se das suas.''

Marta Supernova: Na era da redenção dos unicórnios: possíveis sotaques, possíveis diásporas (RJ)

https://www.mixcloud.com/martasupernova/

Marta Supernova é artista visual e sonora, DJ, produtora musical e percussionista residente no Rio de Janeiro. A corporalidade e materialização de sua poética perpassa diversas mídias e experimentações: de práticas comunitárias e educativas de agência e cuidado a concepções e questionamentos políticos. Buscando reafirmar o meio da cultura eletrônica como um espaço de pertencimento e criação, pensa a produção de uma arte anormal (não-normativa) que estimula a presença e a confluência de grupos cujas existências desencaixam espaços e linguagens. Percebe e vivencia comunidades negrodescendentes, afroameríndias, ameafricanas, afrolatinas e LGBTQIAP+ e a partir desse convívio e do entrelaçar desses grupos, buscando entender como produzem conhecimento, cultura e como constroem a vida em alternativa ao paradigma hegemônico.

Como artista, já expôs em espaços como Bienal do Mercosul (2020), Museu de Arte do Rio (2018), Despina (2018), Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica (2019), Galeria Aymoré (2019) e no Museu da República (2020). É curadora e produtora da festa anormal Quero Quando Levo e idealizadora da obra-membrana audiovisualsound.

Na era da redenção dos unicórnios: possíveis sotaques, possíveis diásporas, obra desenvolvida para o Novas Frequências, trata sobre a linha tênue entre um mito e uma verdade histórica. “O que faz o mito ser real é o quanto ele é contado, o quanto ele permeia nosso cotidiano, nossa imaginação, o quanto a gente é capaz de fabular a partir dessas histórias que nos são ditas, sejam elas fatos ou não. Uma verdade histórica pode virar um mito?”

May HD: Vinil (dest)ruído, distopia e quarentena (BA)

https://linktr.ee/mayhd

Andrea May é artista visual e sonora, curadora independente e mestra em artes visuais pela Universidade Federal da Bahia. Também conhecida como May HD, atua profissionalmente como DJ e VJ. Seu projeto solo Noisy Turntablism consiste na livre improvisação utilizando discos de vinil preparados ou destruídos que, somados a efeitos eletrônicos, conectam o experimentalismo à potência do sensível feminino em criações sonoras viscerais. Com esta proposta, já se apresentou no Ciclo de Música Contemporânea - CMC (2018 e 2019), Festival Digitália, Curto Circuito na Audio Rebel (RJ); Centro da Terra (SP), Fauhaus (SP), Casa Híbrido (BH), desenvolvendo parcerias com artistas como Junix 11, Ida Toninato (Canadá), Bella, Marcela Lucatelli, Nanati Francischini, Aishá Roriz, dentre outros.

May HD é também coordenadora e curadora de projetos de artes visuais como o Atelier Coletivo Visio, um ponto de encontro para troca de informações, desenvolvimento de projetos colaborativos e ações como oficinas, exposições e outros formatos. Participa também da Collab, uma rede colaborativa de criação à distância que promove diálogos e a interatividade da arte, valorizando as diferenças; e do Noise Invade, um coletivo dedicado à estética do ruído através de experimentações sonoras e visuais.

Na criação da obra multimídia Vinil (dest)ruído, distopia e quarentenaMay HD buscou interpretar, sonora e visualmente, uma reflexão contraditória à utopia explícita nas letras dos principais hinos do Brasil: Hino Nacional, Hino da Independência, Hino da Proclamação da República e Hino à Bandeira. Com o propósito de cancelamento desta programação que, em verdade, é totalmente distópica, a artista imerge nos fundamentos da mídia tática e da culture jamming posicionando-se em uma ação de “artivismo” a partir das potencialidades abertas pelo deslocamento do senso político para o cotidiano e, principalmente, para as artes.

Maya Dikstein: Treme (RJ/Israel)

http://mayadikstein.com/

Filha de imigrantes, Maya Dikstein nasceu no Rio de Janeiro e trabalha em Tel Aviv. Se formou em cinema e atualmente investiga o espaço como um lugar praticado e sua construção através de movimentos e usos, a imaterialidade do que se deixa escapar em ações e intensidades. Suas obras evidenciam o corpo humano, jogam com experiências temporais e se caracterizam por um cruzamento entre performance, instalação e som. Maya investiga a voz humana e sua relação com movimento, excrementos e libido.

Em 2014, participou de residência artística organizada pelo programa Rumos/Itaú Cultural em parceria com Phosphorus e Casa Juisi, em São Paulo. Fez parte do grupo Aprofundamento no Parque Lage, Rio de Janeiro, com orientação de Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale e Marcelo Campos. A artista expôs extensamente dentro e fora do Brasil: MuseumsQuartier (Viena), Erratum Gallery (Milão), Fondazione Antonio Ratti (Como), Geidai Museum (Tokyo), Institute for Humanities (Arizona), Bezalel (Tel Aviv), Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro), Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), entre outros.

Treme é o trabalho inédito de Maya para o NF, um conjunto de abalos transtornados em sons. A obra parte da notação do movimento sísmico e utiliza sinais coletados por sismógrafos implantados no território brasileiro para o desenvolvimento da composição sonora. “Frequentemente, no meu trabalho, procuro por dobras onde o som se revela incorporado, ao manifestar sua fisicalidade na matéria. Treme é uma fabulação do movimento infrassônico e redimensiona o inaudível bem abaixo de nossos pés.”

Mexo: rragrfrRrr (PB)

https://mexo.bandcamp.com/album/frrrrrrrag

Mexo é a persona multimídia de Matheus Fernandes, paraibano, diretor de arte e mídia pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e mestrando em música pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O projeto é consequência da curiosidade e urgência do artista em criar um espaço no qual fosse possível distorcer seu próprio corpo, sua identidade, dar ânimo a imaginários anômalos, encontrar (dis)soluções para um corpo e um som inconveniente à sua realidade no interior do Nordeste. Tendo desenvolvido suas práticas musicais e artísticas de forma independente e com poucos acessos, expressa através do meio digital seus devaneios catastróficos, obscenos e fantásticos, que parecem estar em constante confronto com o corpo de carne e osso que maquina o projeto. Com o mesmo feitio que adultera sua realidade visual, encontra métodos de trazer à tona os barulhos que o perseguem e o encantam, entregando auras densas e cismadas em seus três EPs — Dust (2016); Zona (2017); e Nano (2018) - e na recente mixtape fRrrrrrrag (2020).

A noção de fragmentação pode ser apreendida como uma marca das criações de Mexo, que vaga de forma fantasmagórica pela música experimental, eletrônica, pop, synth, latina, club, abstrata, ruído, industrial. O projeto transborda o fator artístico e se alia às pautas de corpo, gênero, tecnologia, psique, política e sociedade.

Para o Novas FrequênciasMexo executa uma videoperformance que descama as faixas da mixtape fRrrrrrrag propondo um escaneamento sobre sua identidade.

MONASSTEREO x Pedro Sodré x Nathalia Cipriano: Yangui - Memória para o Futuro (BA/RJ, RJ/Estados Unidos, RJ)

Lucas Carvalho (aka C-AFROBRASIL) é artista, músico e produtor. Reside hoje no Rio de Janeiro, onde recentemente fez parte do programa de formação da EAV - Parque Lage. Atualmente, é a pesquisa com música híbrida de caráter experimental e a arte sonora que têm guiado seus trabalhos. Suas investigações tangenciam as sonoridades da diáspora negra obtidas no próprio território onde nasceu (Recôncavo da Bahia) e seus trânsitos dentro da arte e da tecnologia, fazendo uso de suportes eletrônicos e expandindo experimentos entre som e imagem numa abordagem de campos como o sensível e o simbólico. De forma paralela, realiza experimentos com produção audiovisual, pós-produção de áudio e composição de trilha sonoras. A plataforma MONASSTEREO, por exemplo, é uma circunstância aberta de experimentação narrativo-sonora-visual onde pesquisa, sampleia e remixa produtos audiovisuais, sempre propondo uma reconfiguração da construção imagética a partir do som.

Pedro Sodré é estudante de produção eletrônica e design de som na Berklee College of Music (EUA) e tem se dedicado a criar experiências interativas/imersivas que exploram a manifestação de agentes energéticos a partir da conexão entre som e imagem. Seu trabalho se alinha com as práticas de “Mundificação” (Worlding) propostas por Ian Cheng, e manifesta perspectivas naif na construção de sistemas generativos que articulam data proveniente de sinais de controle, normalmente sensores, mídia e inputs do utilizador, em mitologias artificiais movidas por chance e automação.

Nathalia Grilo Cipriano é pesquisadora das tradições culturais negro-africanas e desenvolveu, ao longo de 8 anos, uma série de ações que movimentam as narrativas, sonoridades e imagéticas em torno da ancestralidade das populações pretas no continente africano e na diáspora. Criadora e curadora da Revista diCheiro, o primeiro periódico digital do país a trazer panoramas das estéticas e tradições africanas, é também a mulher à frente do projeto Música & História, que dissemina estudos e sensações sobre a música negra. Além disso, é produtora no Festival Instrumental Mulambo Jazzagrário, projeto que segue para sua 6ª edição e tem como objetivo visibilizar a cena instrumental periférica.

Yangui é uma espécie de carta ancestral onde são discutidas cosmo-percepções afrobrasileiras, reiterando a elementaridade tecnológica de assuntos e dispositivos entre-temporais que pensam a formação e construção de uma identidade a partir dos contos da diáspora africana. Uma ritualidade que evoca sons do passado e sons do futuro definindo um plano sonoro do agora.

Ficha Técnica:

Arte sonora e direção criativa: Lucas Carvalho

Direção visual, sistemas e efeitos visuais: Pedro Sodré

Oratória e narratividade: Nathalia Grilo Cipriano

Créditos Gerais:

Taipa: O Big-Bang do Criacionismo (Tatiana Nascimento)

Pensamentos sobre Exu: Luís Antônio Simas

Pensamentos sobre Yangui: Carolina Cunha

MYMK: Gris (DF)

https://mymk.bandcamp.com/

Bruno Sres, natural de Brasília, é um compositor e artista sonoro cujo trabalho autoral, MYMK, mergulha em um repertório de minimalismo com doses de melancolia. O projeto tem lançado, desde 2015, álbuns por diferentes selos, tais como Low Kick High Punch (Berlim/Brasil), SØVN (França), Sounds et al e Beacon Sound (Estados Unidos). MYMK está inserido em um exercício sobre colagens, texturas e camadas sonoras amparadas por um tratamento dos aspectos sensoriais — seja na compilação de sons sintetizados em processo de desintegração, seja na desconstrução de ritmos (ou em sua completa ausência).

Em compasso com o selo de Portland, Beacon Sound, MYMK lança em janeiro de 2021 The Amputees, uma obra voltada a arranjos mais imediatos e de instrumentação bastante processada. A proposta é, também, uma reflexão sobre o contexto das finitudes, em um cenário de desestruturação de garantias em sociedade.

O videoarte Gris, preparado para o Novas Frequências, explora o registro de um ensaio ocorrido em outubro de 2020, em espaço sonoro nos arredores dos blocos originalmente projetados para a composição da Unidade de Vizinhança São Miguel, na Asa Norte, em Brasília. Síntese, manipulação digital de ruídos em fita analógica e drone eletrônico se estruturam como uma proposta de sonoridades em constante contraste, orientada a uma certa sensação de solitude e beneficiada pela reverberação presente no cenário de edifícios brutalistas, no caso, o projeto arquitetônico de Mayumi Watanabe, o primeiro projeto de autoria feminina executado no Plano Piloto, em parceria com Sérgio Souza Lima.

Naves Cilíndricas: Tempo Real (CE/RJ)

https://navescilindricas.bandcamp.com/

Naves Cilíndricas é um projeto musical do artista Gabriel Junqueira. Cearense radicado no Rio de Janeiro, lançou dois álbuns em 2020: Imagens De Desastres Em Alta Resolução, pelo selo Meia Vida, e Névoa, via Domina Label. Vindo das artes visuais, encontra na música uma forma de expandir seu trabalho em suportes digitais, das relações entre corpo, materialidade e tecnologia. Seu processo musical se dá inteiramente no computador, somado, às vezes, à voz orgânica. Ainda que a música seja o suporte de Naves Cilíndricas, o mesmo é bastante pautado pela pesquisa imagética, como a figura mascarada que personifica o projeto, que faz parte de uma pesquisa de rituais em diferentes povos ao longo da história.

As composições presentes nos dois discos lançados são por vezes melancólicas e etéreas e por outras herméticas e ruidosas. Suas composições melódicas e computadorizadas compostas por timbres gerados digitalmente e vocais hiperprocessados, evocam simultaneamente imagens utópicas e distópicas, na tentativa de extrapolar limites entre corpo, som e imagem.

Tempo Real, trabalho audiovisual inédito que Naves Cilíndricas apresenta no festival, explora as relações entre corpo, memória e registro a partir de tecnologias de simulação e controle. Música e imagem se unem para criar um simulacro distorcido do agora: paisagens impossíveis que evocam o tempo presente.

Negro Leo: Nenhuma Fantasia (MA/RJ/SP)

https://negroleo.bandcamp.com/

Negro Leo é um artista maranhense radicado no Rio de Janeiro e atualmente residente em São Paulo. Cantor e compositor, trabalha principalmente com a matéria cancional e, ao longo dos anos, tem sido acompanhado por diversos nomes da música experimental carioca e paulista, como os integrantes do Chinese Cookie Poets e Sérgio Machado. Em 2020, durante a pandemia, lançou Desejo de Lacrar, seu 9º disco desde 2012. Neste lançamento, o músico confirma sua habilidade em captar os arranjos sociais contemporâneos. Se no seu disco passado apreendia o sujeito das ruas do centro do Rio de Janeiro através do “Lek”, aqui, disseca o impacto político das dinâmicas e comportamentos nas redes sociais.

Negro Leo já tocou em diversos palcos prestigiados no mundo, como Cafe Oto (Londres), Counterflows Festival (Glasgow), Festival NRMAL (CDMX), Virada Cultural Paulista (SP), Aniversário da Cidade de São Paulo (SP), ADR Lincoln Center (Nova Iorque), Le Guess Who? (Utrecht), dentre outros. Seu disco Coisadofoi patrocinado por importantes instituições alemãs no âmbito da cultura, como Haus Der Kulturen Der Welt, Forberg Schnider e Goethe Institute. Esteve ao lado de Ava Rocha na China (Pequim e Xangai) para uma residência artística em 2019, integrando o projeto China Tropical e trabalhando ao lado dos expoentes da música eletrônica chinesa Gooooose e 33.

Em Nenhuma Fantasia, dois personagens que são a mesma pessoa, dialogam defronte uma TV desligada. Uma vez filmados assim, são aprisionados dentro da TV e refilmados em novo diálogo fora dela. São diversas vezes reexibidos até que se construa uma espécie de espelhamento infinito da imagem reproduzida na TV, a cada novo diálogo filmado. O vídeo, feito para os 10 anos do festival, apresenta camadas de significado em código morse, e versa sobre a condição humana em meio aos excessos do sistema capitalista.

O Grivo: Constelação (MG)

http://www.ogrivo.com/

O Grivo é um projeto criado pelos mineiros Nelson Soares e Marcos Moreira. Em fins dos anos 90, realizaram seu primeiro concerto, iniciando suas pesquisas no campo da chamada “música nova”. Em função da busca por novos sons e por distintas possibilidades de orquestração e montagem, o duo trabalha com a pesquisa de fontes sonoras acústicas e eletrônicas, com a construção de máquinas e mecanismos sonoros e com a utilização, não convencional, de instrumentos musicais tradicionais.

Em consequência desta pesquisa, que leva ao contato com os objetos e materiais mais diversos, cresce a importância das informações visuais e da sua organização nas montagens do grupo. A isto se soma um diálogo, também ininterrupto, com o cinema, vídeo, teatro, artes visuais e a dança. A proposição de um estado de curiosidade e disposição contemplativa para a escuta e a discussão das relações dos sons com o espaço são as ideias principais sobre as quais se apoiam os trabalhos do O Grivo.

Constelação é um vídeo produzido especialmente para o Novas Frequências que mostra a montagem de uma instalação de mesmo nome. Lembrando uma espécie de cidade futurista precária, motores fazem com que pequenos objetos percutem e raspem folhas de aço e outras superfícies de metal produzindo uma gama de sons extremamente variados.

Paulo Dantas x Thiago Rocha Pitta: Silêncios, assim como as montanhas, serão consumidos pela vida (eventualmente) (RJ, MG/RJ)

Paulo Dantas é músico/artista sonoro, professor e técnico de som. Seus interesses enquanto pesquisador o levaram a colaborar com artistas de diferentes cenas das artes e da música experimental em âmbito nacional e internacional, tanto em processos criativos quanto na realização de atividades técnicas, na publicação de artigos, playlists e compilações. Em sua produção artística recente, vem promovendo diálogos entre música, fonografia e design de sons através de especulações e usos de diferentes dispositivos de gravação, sintetizadores e outros objetos com performances em festivais sediados no Brasil e em outros países (Oscillation 2019 - Bélgica; Mostra de Arte Sonora Brasileira/Festival Dystopie 2020 - Alemanha). Foi compositor residente do Abstrai Ensemble (Rio de Janeiro) e no EMS - Elektron Music Studio (Suécia). Foi artista residente nos programas Taizai - Katsudou - Izu (Japão) e Interfaces (Q-O2, Bélgica) e recém aceito no programa de residências de pesquisa TOKAS - Tokyo Arts and Space (Japão).

A prática diversificada do artista multimídia Thiago Rocha Pitta está conectada a uma fascinação profunda com as sutis transformações do seu entorno  a lenta erosão e alteração da areia do deserto, a descida de uma neblina e as flutuações de formações subaquáticas. Suas instalações, vídeos e pinturas têm capturado a vibração de um planeta vivo por meio do treinamento do olhar do observador acerca das lentas transformações materiais, as progressões físicas de minúsculas partículas de um território e as alterações repentinas do tempo. Suas obras integram as seguintes coleções públicas: MoMA PS1, Nova York, EUA; Maison Européene de la Photographie, Paris, França; Hara Museum, Tóquio, Japão; Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA; Colección Jumex, Cidade do México, México; Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP; e MoCP - Museum of Contemporary Photography, Chicago, EUA, entre outras.

A partir de um período de residência no espaço multidisciplinar Fundação Abismo e inspirado em diversos trabalhos do artista multimídia Thiago Rocha PittaPaulo Dantas prepara um novo trabalho para a sua série tplgy., conjugando sons gravados na Fundação a sons produzidos por sintetizadores. Essa nova peça funcionará como gatilho para a produção de um vídeo, por Thiago Rocha Pitta, focado em sua obra Abismo sobre Abismo.

Paulo Vivacqua: música prescrita (ES/RJ)

https://www.anitaschwartz.com.br/artista/paulo-vivacqua-2/

Paulo Vivacqua vive e trabalha no Rio de Janeiro. Com formação em música, elabora seu trabalho a partir do cruzamento das linguagens sonora, visual e textual. Busca um território híbrido entre a materialidade e a sonoridade em instalações que se relacionam intrinsecamente com a arquitetura e os contextos dos ambientes em que são montadas. Componentes e dispositivos sonoros, entre objetos e materiais diversos, são usados plasticamente em um jogo de forma e função que ativam narrativas imaginárias no espaço e paisagens sonoras temporárias.

Participou de mostras nacionais e internacionais de relevância nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil. Suas obras Interpretação e Ohm estiveram na 30º Bienal de São Paulo, de 2012.

No Novas Frequências, os desenhos-partituras da série memo são interpretados por três artistas convidados, Mariana Carvalho, Didac Tiago e Adriano Motta, trazendo as figuras que ficam entre signos, ritmos e fragmentos desenhados ou escritos, alguns com cores, para a dimensão do tempo, como um acontecimento que tem a partitura gráfica como dispositivo imaginário. “A ideia proposta foi de uma música não discursiva, de acordo com a própria liberdade e multidirecionalidade das linhas do desenho. Música parada, que não vai nem fica, música mais lagoa mais que rio, com sedimentos, camadas e fluxos internos auto recorrentes.”

Radio Diaspora x Paola Ribeiro: TRIGRAMA (SP)

Radio Diaspora é o duo formado por Romulo Alexis no trompete e Wagner Ramos na bateria  ambos os instrumentos são seminais na tradição musical negra e formam a célula principal da sonoridade explorada, que se expande ainda por outros instrumentos de sopro, voz, bateria eletrônica e efeitos. Como o próprio nome diz, a dupla bebe dos códigos musicais presentes na rica herança da diáspora africana, trabalha com o free jazz e a improvisação, além de manipular samples diversos para formar suas músicas e discos. A dupla lançou dois EP’s homônimos pelo Sê-Lo, de Salvador, em 2016 e 2017. Em 2019, lançaram o álbum Cachaça!, que inclui participações de Luiz Viola, Paola Oliveira e Thayná Oliveira. Já em 2020, lançaram, em março, o álbum Revoada.

Paola Ribeiro é artista e educadora. Mestranda na linha de processos e procedimentos artísticos do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP), se formou bacharel em artes visuais pelo Centro Universitário Belas Artes. Atuou como educadora para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Tomie Ohtake e no SESC. Na Fundação Bienal, atuou como educadora para 3 Bienais de São Paulo e como produtora do artista Tal Isaac, da 33º Bienal. Faz parte do grupo L.I.V.E (Laboratório de Improvisação Vocal e Experimentação). Atualmente pesquisa a ação do corpo no espaço através da articulação de linguagens.

Sobre a obra: constituindo a estrutura oracular no I-Ching, o TRIGRAMA é a porta do acesso ao acaso. No encontro entre os artistas, seu significado escorre do uso ocidentalizado por John Cage para a iconoclastia de reminiscências afro-diaspóricas do free jazz. Número de identidade positiva em inúmeras culturas, o “3” sintetiza a unidade versátil onde sua estrutura aponta ao mesmo tempo o equilíbrio de uma pirâmide enraizada e a instabilidade dinâmica de um triângulo invertido. TRIGRAMA aciona o caos criativo em tempo real em um alinhamento fértil de experimentação de sonoridades, ativando um espaço virtual permutável constituído de três linhas-pontos-potências.

Veneno x Novas Frequências: Acaptcha x DESAMPA (MG, SP) / Carla Boregas x Akin (SP, SP) / ERAM x EPX (RS, PE/SP)

https://veneno.live/

Rádio Veneno foi criada em 2018. Nasceu da ideia de unificar e solidificar iniciativas musicais diversas do Brasil. Com base no centro de São Paulo, comporta hoje programas de diversas vertentes, estéticas e conceitos. A rádio dispõe de uma programação 24 horas por dia, 7 dias por semana e é responsável pela criação de eventos e conteúdo, sempre visando promover os seus artistas residentes.

Para o Novas Frequências, foram selecionados 6 artistas com programas recorrentes na rádio para criarem duplas e estimularem o diálogo entre as diferentes linguagens exercidas por cada um. As duplas são formadas por Carla Boregas (Vela no Vale) x Akin (Busca), Acaptcha (Acaptcha Robot Radio) x DESAMPA(Embaixada) e ERAM (ERAM EXP) x EPX (Passos Estintos). As gravações das performances serão realizadas no estúdio da rádio e os efeitos visuais ficarão por conta do artista paulistano Gabriel Rolim.

Acaptcha

https://soundcloud.com/acaptcha

Acaptcha é artista sonora, dj e programadora. Co-fundadora e curadora da A-MIG, plataforma nômade que transmite mixtapes e experimentos sonoros de artistas emergentes ao redor do mundo. É residente da rádio Veneno, com uma extensa pesquisa de ritmos, percussões e beats e muitas combinações estranhas. Participou de projetos como Red Bull Music Academy Festival e colaborou, dentre outros, com os selos brasileiros Meia Vida, Tormenta, Domina e Gop Tun.

DESAMPA

https://soundcloud.com/desampa

DESAMPA é um artista multimídia paulistano. Frequentou o Red Bull Music Academy em Paris em 2015. Estudou piano clássico desde os 7 anos e migrou para a música eletrônica após a faculdade. Cria experimentações utilizando samples, percussão pesada e melodias com voz e sintetizadores para compor cenários futurísticos que o levam a territórios desconhecidos, inspirados por emoções cruas e sonhos surreais.

Carla Boregas

https://soundcloud.com/carlaboregas

Carla Boregas explora a manipulação de sintetizadores, baixo elétrico, gravação de campo e sons acústicos com enfoque na repetição, textura e sensorialidade, criando ambientes imersivos e também amplos cenários sonoros – tanto em seu trabalho solo como em colaboração com outros artistas. Carlaco-fundou a banda Rakta e é metade da dupla transdisciplinar Fronte Violeta. Seu trabalho mais recente é o álbum Linha D'Água (Bokeh Versions/ UK - Desmonta/ BR), em parceria com o multi-instrumentista M.Takara. Mensalmente apresenta o programa Vela No Vale na Rádio Veneno.

Akin

https://soundcloud.com/akindeckard

Akin Deckard é produtor eletrônico-experimental e curador musical, integrante do selo Domina e co-fundador do núcleo interdisciplinar Metanol FM, rádio online pioneira na difusão da produção eletrônica contemporânea local. Em 2017 e 2018 foi curador do Red Bull Music Academy São Paulo e, entre os anos de 2012 a 2019, gerenciou o espaço independente S/A.

ERAM

https://soundcloud.com/eramexp

ERAM é o projeto da artista multidisciplinar Marê Viscaíno, desenvolvido a partir de sua participação no coletivo Arruaça. ERAM compõe o casting de artistas da agência alemã GHETTO TRAXX e apresenta um programa na Rádio Veneno no qual traz a mistura de elementos da música popular – como rap, funk e beat – na mistura com o experimental e música de pista de diversos gêneros. Lançou em 2020 uma música pelo selo Raiders, de Berlim, no álbum Queens of Club, representando o Brasil.

EPX

https://soundcloud.com/pininga

Eduardo Pininga é natural de Pernambuco e radicado em São Paulo nos últimos 13 anos. É DJ e produtor multidisciplinar, tendo co-produzido o coletivo Tormenta (SP) e sido parceiro de produção e tour DJ de Linn da Quebrada. Já produziu faixas exclusivas para selos internacionais como Staycore (Suécia), GHE20G0TH1K (NY), Hiedrah (Argentina), Parkingstone (França) e o mexicano N.A.A.F.I. Em 2020, participou do álbum de remixes da banda Teto Preto e co-produziu a canção “Luta Por Mim”, de Jup do Bairro. Após anos comandando um programa pela extinta Radar Radio (UK), atualmente mantém, através da Rádio Veneno, o programa mensal Passos Estintos.

Renata Roman: Ou ver dentro (SP/Cuba)

https://ateliesonoro.blogspot.com/

Renata Roman é artista sonora brasileira, autodidata e interdisciplinar baseada em Havana, Cuba. Pesquisa poéticas do som e da escuta e suas relações com memória, espaço e ativação de materialidades. Possui obras em diversos formatos e mídias, sobretudo instalações, rádio arte, música experimental e gravações de campo.

É criadora e mantenedora do projeto Mapa Sonoro de São Paulo (SP SoundMap), um banco de dados com paisagens sonoras gravadas e coletadas na cidade e em seu entorno. É produtora da mostra Errática e co-produtora do projeto Dissonantes, ambas as propostas têm como objetivo central promover a visibilidade da produção de mulheres na cena experimental. Com seus trabalhos, participou de várias mostras, como: 30º Bienal de Artes de São Paulo (Mobile Radio), FILE Hypersonica 2012 (BR), Radiopherenia (UK), (H)ear XL II Multimedia Sound Art Exibition (UK), Hilltown New Music Festival (IR), Ecos 2013 (PT), Süden Radio (DE/IT), Datscha Radio (DE), Radio Documenta14, entre outros. Possui peças comissionadas por Tsonami Festival Internacional de Arte Sonoro 2015 (CH) e KUNSTRADIO (AT).

Ou ver dentro é um vídeo sonoro comissionado para o Novas Frequências. “Ouvir o que está, antes de ver. A janela está fechada. As luzes se apagaram. No entanto, um mundo se revela.”

Sofia Galvão x Henrique Vaz (PE/SP, PE)

https://cargocollective.com/sofiagalvao

https://soundcloud.com/henrique_vaz

Sofia Galvão é natural de Recife (PE) e atualmente reside em Ubatuba (SP). Seu trabalho emerge da fusão de uma dupla formação: nas artes cênicas e nas áreas de eletrônica e computação, onde as gambiarras de circuitos eletrônicos aparecem como mote para uma criação que alia corpo, poesia e música. Em 2014, passou a integrar o UM Coletivo, grupo através do qual atua como artista. Em 2019, foi convidada para a Residência Instrumentes, na qual desenvolveu seu mais recente trabalho, MARESIA. Em 2018, deu início à sua pesquisa de doutorado e trabalhou como professora no departamento de design da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Henrique Vaz é natural de Recife, doutor em processos e teorias composicionais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Se intitula performer da "gambiologia", na qual seu gesto permeia atividades da luteria, aspectos de uma ética corporal ou aparece na escritura de tempos e ornamentação de espaços compositivos. Suas pesquisas são guiadas por questões relativas ao impacto sociotécnico da informação digital, aos paradigmas teológico-jurídico-econômicos das tecnologias, políticas de acesso, à crise do sujeito de direito e reconfigurações do humano sob os regimes de virtualização da biodiversidade e colonização algorítmico-genética.

Sobre a obra inédita para o Novas Frequências, uma vídeo-performance baseada em partitura musical e corpórea, os artistas ponderam: “A dor que precede o nascimento. O adeus da partida. O vale que dá sentido ao pico. Caminhos sinuosos. A água que flui do rio pro mar. A onda às vezes afoga, às vezes afaga. Picos de adrenalina ao surfar. Inspira, vida. Expira, morte. Deixar morrer, o luto. Renascimento tem a ver com ciclos. Imagem e som gerados por códigos matemáticos. A tela como interface. O corpo como interface. Pele é contorno, membrana. Osmose permanente. Textura, teia, fractal. A vida nada mais é que uma espiral ascendente e infinita.”

Tantão e Os Fita: Piorou samples (RJ)

https://linktr.ee/tantaoeosfita

Tantão e Os Fita é um trio de música eletrônica do Rio de Janeiro, formado pelo artista visual, vocalista e compositor Carlos Antônio Mattos (Tantão) e pelos produtores Abel Duarte e Cainã Bomilcar. Possuem três álbuns lançados, Espectro (2017) e Drama (2019) e o recente Piorou, todos pelo QTV Selo. Em 2020, lançaram o EP Dois Leões, pelo Mamba Rec, e remixes da produtora Valesuchi e da banda Teto Preto.

Já realizaram shows em festivais como RedBull Music Festival (SP), Eletronika (BH), KinoBeat (POA), Antimatéria (RJ), MIMPI (RJ), na Mamba Negra (SP) e em casas de show como Audio Rebel e Circo Voador, além de participar da peça Selvageria, do diretor Felipe Hirsch e Cia. Ultralíricos (SP).

A obra do trio para o NF X é um sequenciador online onde o público pode compor batidas utilizando samples do recém lançado álbum Piorou. Além disso, um pacote de samples originais do álbum estará disponível para download.

Test: Confundir x Informar (SP)

https://testdeath.com.br/

Test é um duo de death/grindcore formado pelo vocalista e guitarrista João Kombi e o baterista Barata, que ficou conhecido, inicialmente, por tocar na porta de grandes shows de metal, se apresentando na rua, com um gerador alimentado por uma Kombi. As apresentações tiveram início em 2011 e desde então a banda cresceu e passou a dividir os palcos com nomes já consagrados como King Diamond, Napalm Death, Carcass, Exodus, Brujeria, dentre outros.

Apesar de terem começado como uma dupla, a banda também já adotou o formato "big band" em alguns shows, com mais de 14 músicos num mesmo palco. A ideia foi evidenciar as diferentes texturas e dinâmicas das músicas do segundo álbum, que conta com a participação de nomes como João Gordo, Rômulo Nardes (Bixiga 70), Jair Naves, Fernando Catatau e Kiko Dinucci. Com um ritmo compulsivo de gravações e shows, o Test chega aos 10 anos de vida com doze álbuns (entre full-lengths e EPS), mais de 600 shows em todas as regiões do Brasil e 13 turnês internacionais (EUA, México, Argentina, Colômbia, Paraguai e Europa).

Para o Novas Frequências, a banda promete desconstruir o seu trabalho em formato audiovisual, com um quebra-cabeça que busca mais confundir do que informar.

Thessia Machado: everydayeveryday (PR/Estados Unidos)

https://thessiamachado.com/

Thessia Machado é uma artista visual e sonora nascida em Curitiba que vive em Nova Iorque. Constrói os próprios instrumentos há mais de uma década utilizando-se de peças encontradas e modificadas com o objetivo de ampliar as dimensões do som e sua produção. Muitas de suas instalações são ativadas por fatores atmosféricos, como luz, movimento e ondas eletromagnéticas, controlando e organizando o ambiente. Assim, a artista cria sons que não existiam antes ou que não eram perceptíveis e os faz emergirem no ambiente.

As esculturas, desenhos e instalações sonoras da artista são amplamente exibidas nos Estados Unidos e na Europa. Inaugurou exposição individual no Arts Club of Chicago, no início de 2019. Já se apresentou com seus instrumentos feitos à mão e modificados em instituições respeitáveis, como o Drawing Center, a American Academy in Berlin e a Issue Project Room, e em porões dilapidados e espaços experimentais por todo o Brooklyn e além. Machado fez residências na The MacDowell Colony, Homesession, Yaddo, Ipark, NARS Foundation e no Museu Irlandês de Arte Moderna. Ela recebeu bolsas da New York Foundation for the Arts, do Experimental Television Center e do Bronx Museum.

No vídeo de Thessia Machado realizado para o festival, everydayeveryday, os sons de dentro e de fora se misturam em uma composição responsiva ao lento progresso do sol. “A sensação simultânea de cambalear no tempo enquanto se permanece imóvel durante a quarentena. Os dias simplesmente fluem em um rio sem margens - ao mesmo tempo interminável, aparentemente invariável. Avançando com breves espasmos de contemplação, os dias revelam pequenas riquezas à observadora atenta.”

Thiago Nassif: Reflexão (SP/RJ)

https://thiagonassif.bandcamp.com/

Thiago Nassif é um músico, compositor e produtor radicado no Rio de Janeiro. Formado em engenharia de som e produção musical, sua pesquisa investiga os aspectos visuais dos sons ou as sensações visuais que os sons geram e é atravessada por atividades diversas que vão da composição à engenharia de som e artes visuais.

Lançou em 2020 seu quarto disco, Mente, pela gravadora britânica Gearbox Records. Co-produzido por Arto Lindsay, o trabalho conquistou a crítica internacional, tendo sido publicado transmitido em diversos meios como The Wire Magazine, NY Times, Pitchfork, BBC 6, WWFM, entre outros. Em MenteNassif aprofunda as influências que já haviam sido exploradas no seu álbum de 2016, Três, também produzido por Lindsay, em que ele misturava características da música eletrônica, no-wave, tropicalismo, jazz e rock.

Pensado a partir do título e arte da capa do último álbum de Nassif Mente, o trabalho em vídeo “Reflexão”, realizado a convite do Novas Frequências, propõe, através do uso de espelhos, interações que geram fluxos de som e imagem. “É a dobra invertida que vai de encontro ao refletido. Como dobrar o espelho? Fazer o espelho devolver não o reflexo, mas a reflexão.”

Ventura Profana x Podeserdesligado: TRAQUEJOS PENTECOSTAIS PARA MATAR O SENHOR(BA/SP, RJ/SP)

https://www.instagram.com/venturaprofana/
https://podeserdesligado.bandcamp.com/

Ventura Profana nasceu na Bahia em 1993 e vive em Belo Horizonte. É compositora, cantora evangelista, escritora, performer e artista visual. Foi criada em templos batistas e se considera uma missionária. Sua prática está enraizada na pesquisa das implicações e metodologias do deuteronomismo no Brasil e no exterior, através da difusão das igrejas neopentecostais. Uma das finalistas do prêmio PIPA 2020, lançou neste ano o EP Traquejos Pentecostais para Matar o Senhor em parceria com o produtor Podeserdesligado. Considera sua música como “cristã”, pois parte da religião e a questiona.

Podesersdesligado é um projeto de Live PA do artista e performer Jhonnata Vicente que questiona o parco acesso de pessoas pretas a equipamentos para se produzir música no Brasil. Busca denunciar narrativas apropriadoras, que insistem em excluir pessoas negras do protagonismo de suas próprias histórias. Formado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde começou a investigar sonoridades no campo majoritariamente visual da performance, seu trabalho se desdobra em vários formatos: produção de beats, música eletrônica experimental e trilha sonora para filmes. Recentemente colaborou com o álbum Pajubá remix da cantora Linn da Quebrada e assina a produção musical do ministério de louvor de Ventura Profana.

TRAQUEJOS PENTECOSTAIS PARA MATAR O SENHOR é fruto da junção benta dos louvores~ministrações de Ventura Profana ao toque~batida saturado de shofar e tambor de Podeserdesligado, que invocam fôlego para ressuscitar o ensejo de restituição, na congregação preta, trans~travesti, originária. “Com cantigas proféticas, de vitória e encantaria, freamos o plano necropolítico e alvejante de condenação do devorador. Desembainhamos espadas flamejantes e com exatidão acertamos a flechada na cabeça do inimigo.”

Ficha Técnica

Curadoria e direção geral
Chico Dub

Chico Dub é curador com foco em música experimental, música de vanguarda e arte sonora. É curador do Festival Novas Frequências, gestor do Incidências Sonoras - plataforma de música experimental e arte sonora vinculada ao Coincidência, um programa de intercâmbios culturais entre a Suíça e América do Sul desenvolvido pelo instituto suiço Pro Helvetia - e membro do conselho consultivo da SIM (Semana Internacional de Música de São Paulo).

Além do Novas Frequências – festival realizado desde 2011 que integra a rede ICAS, um network internacional que compreende mais de 40 festivais de sons avançados e que é considerado o principal festival sul-americano em seu nicho –, já realizou curadorias para inúmeros festivais, residências, centros culturais e museus, como: Centro Cultural São Paulo, Virada Cultural São Paulo, Labverde - Imersão artística na Amazônia (Manaus, 2020), OneBeat Residency (Estados Unidos, 2020), Silo - Arte e Latitude Rural (Rio, 2019), Videoex (Zurich, 2019), ArtSonica Residência Artística (Rio, 2019), Escuchar (Sonidos Visuales) (Buenos Aires, 2018), Red Bull Music Academy SP (2017), Revisitando Smetak (Rio, 2017), MAR - Museu de Arte do Rio de Janeiro (ciclo Margem, 2016), HOBRA - Residência Artística Holanda Brasil (Rio, 2016), Red Bull Music Pulso (SP, 2016), Dia da Música (Rio, 2015), Eletronika (BH, 2013-2015), SESI Cultura Digital (Rio, 2014-2015), World Stages Residency (Theatre Royal Stratford East, London), Cine-Seizure (Arnolfini - Centre for Contemporary Arts, Bristol, 2014), Festival Imersões (Rio, 2014), Sónar São Paulo (2012), além das séries Invasão Paraense e Invasão Baiana para os CCBBs de Brasília, SP e Rio (2012, 2014 e 2015).

Dentre as exposições coletivas de arte sonora que realizou curadoria estão: "Canção Enigmática: relações entre arte e som nas coleções MAM Rio" (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2019-2020); "Lado B: o disco de vinil na arte contemporânea brasileira" (Sesc Belenzinho, 2019); "Disco é Cultura "(Castelinho do Flamengo, 2017); "Gambiarra Sonora" (Festspielhaus Hellerau, Dresden, Alemanha, 2016).

Direção de produção

Valéria Martins

Produção executiva

Damiana Guimarães

Assistente de direção artística e produção técnica

Natália Lebeis

Controler

Cida Souza

Contabilidade

Ione Carneiro

Comunicação

Pérola Mathias

Assessoria de imprensa

Leila Grimming

Direção de arte e identidade visual

Adriano Motta / O Divino

Edição de corte e streaming
Caco Chagas

Website

Rafael Rocha

Direção e edição de vídeo

Fabiano Araruna

Patrocínio

Oi, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Lei Estadual de Incentivo à Cultura

Correalização

Oi Futuro

Parceria Institucional

34ª Bienal de São Paulo

Apoio Institucional

ICAS – International Cities of Advanced Sound, Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, Institut Français Brasil, Goethe Institut, Abrafin

Apoio

Ximeninho, Gohan

Idealização e fundação

Chico Dub e Tathiana Lopes

 Realização

Outra Música

Fonte: Assessoria de Imprensa

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