FESTIVAL PANORAMA 30 ANOS

 


A partir desta sexta-feira, 13 de janeiro, um dos mais importantes festivais de arte do corpo, dança e performance da América Latina, o FESTIVAL PANORAMA celebra seus 30 anos ocupando espaços icônicos da cidade, como os teatros João Caetano e Nelson Rodrigues, o Museu de Arte do Rio (MAR), a Praça Tiradentes e as Arenas Dicró e Fernando Torres. 

“A edição de 30 anos celebra o corpo como matéria-prima da dança e da performance e discute a relação que temos com a história do Rio e do Brasil”, diz Nayse López, diretora artística do Panorama desde 2005. 

Em seu primeiro final de semana, o festival apresenta "Encantado", mais recente trabalho da coreógrafa Lia Rodrigues. O espetáculo estreia no teatro tradicional carioca nos dias 13 e 14, no Teatro João Caetano, depois de sua aclamada turnê mundial que passou pelos festivais de Outomne e Kunsten e pela Brooklin Academy de Nova Iorque, e de uma belíssima temporada no Centro de Artes da Maré e semanas de temporada lotada em São Paulo. 

Outro grande destaque é “The Hot One Hundred Choreographers”, solo de Cristian Duarte, que revive a história da dança numa peça com trechos de 100 diferentes coreógrafos, dos clássicos e contemporâneos aos pop, que será apresentado no Teatro Nelson Rodrigues nos dias 14 e 15. 

Também estão na programação do festival: “Looping: Rio Overdub”, versão carioca do espetáculo dos artistas baianos Felipe Assis, Rita Aquino e Leonardo França, que volta ao Rio para fazer o público dançar a democracia na praça, no dia 13, no Circo Crescer e Viver; e o espetáculo "Rezos para rasgar o mundo", da artista Tieta Macau, que acontece no Museu da História e Cultura Afro-Brasileira no dia 13. 

Com patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, o evento retoma o formato presencial após duas edições virtuais e acontece até o dia 28 de janeiro, apresentando grandes nomes como Alejandro Ahmed, Alice Ripoll e Marcelo Evelin. 

“O eixo curatorial desta edição emergencial e de volta ao espaço urbano depois de dois anos de edições pandêmicas online é a história que nossos corpos contam. Que história da dança construímos e que histórias do Rio e do Brasil ainda precisam ganhar sua própria narrativa dentro da dança?”, questiona Nayse López.

Celebrando a volta à sua versão presencial, o Festival Panorama também abre espaço para a cocriação por meio de residências com artistas de fora do Rio de Janeiro. Os interessados podem se inscrever no site do Panorama e os resultados poderão ser vistos na programação do festival.  

A edição 30 anos do Festival Panorama tem apoio da Samambaia Filantropias, do Consulado Francês no Rio de Janeiro e do Instituto Goethe.

O Festival Panorama mantém a tradição de democratizar a arte: todas as atrações têm entrada franca ou a preços acessíveis (até R$ 30). 

Abaixo, segue o serviço da programação do Panorama 30 Anos. 

ENCANTADO | LIA RODRIGUES COMPANHIA DE DANÇAS (RJ)
13 jan | 19h
14 jan | 18h
Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n, Centro)
Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia-entrada e lista amiga) 

Duração: 60 min
Classificação indicativa: 16 anos

A palavra ‘encantado’, do latim incantatus, designa algo que é ou foi objeto de encantamento ou de feitiço mágico. ‘Encantado’ é também sinônimo de maravilhado, deslumbrado ou fascinado e uma expressão de cumprimento social.

No Brasil, a palavra ‘encantado’ tem ainda outros sentidos. O termo se refere às entidades que pertencem a modos de percepção de mundo afro -ameríndios. Os ‘encantados’, animados por forças desconhecidas, transitam entre céu e terra, nas selvas, nas pedras, em águas doces e salgadas, nas dunas, nas plantas, transformando-os em locais sagrados. São seres que atravessam o tempo e se transmutam em diferentes expressões da natureza. Não experimentaram a morte, mas seguiram em outro plano, ganhando atribuições mágicas de proteção e de cura. Deste modo, as ações predatórias que ameaçam a vida na Terra, a destruição sistemática das florestas, dos rios e do mar impactam também a existência dos Encantados. Não há como separar os encantados da natureza ou a natureza desses seres.

O Panorama 30 Anos presta uma homenagem à Lia Rodrigues, criadora do festival, com a estreia em teatros cariocas de Encantado, trabalho mais recente da Lia Rodrigues Companhia de Danças, iniciado no contexto da pandemia de Covid-19. O espetáculo fez uma bela e concorrida temporada no Centro de Artes da Maré e encerrou recentemente uma aclamada turnê mundial.

A Lia Rodrigues Companhia de Danças foi fundada em 1990, no Rio de Janeiro, e se mantém em atividade durante todo o ano, com aulas, ensaios do repertório e trabalho de pesquisa e criação, sempre em colaboração com os artistas-bailarinos. Desde 2003, a companhia colabora com a Redes de Desenvolvimento da Maré, no Morro do Timbau, onde realiza atualmente suas atividades diárias, ajudando a construir e garantir a manutenção de local adequado para a dança, além de oferecer aulas e oficinas para jovens da comunidade e doar um grande acervo de vídeos de dança e livros. Em 2004, ampliando suas ações, realizou neste espaço a criação de diversos trabalhos: Contra aqueles difíceis de agradar, Encarnado, Hymnen, apresentações de seu repertório aquilo de que somos feitos e formas breves, entre outras atividades. Em 2007, foi criado o Centro de Artes da Maré, sede da companhia e que abriga outras iniciativas, como a Escola Livre de Dança da Maré. Lá foram desenvolvidos os espetáculos Fúria, Para que o Céu não Caia, Pindorama, Pororoca e Piracema, além do projeto 'Dança para Todos', com aulas gratuitas. 

FICHA TÉCNICA
Criação: Lia Rodrigues
Dançado e criado em estreita colaboração com: Leonardo Nunes, Valentina Fittipaldi, Andrey da Silva, Larissa Lima, Ricardo Xavier, David Abreu, Tiago Oliveira, Raquel Alexandre, Daline Ribeiro, Alice Alves e Felipe Vian
Assistente de criação: Amália Lima
Dramaturgia: Silvia Soter
Colaboração artística e imagens: Sammi Landweer
Criação de luz: Nicolas Boudier com assistência técnica de Baptistine Méral e Magali Foubert
Montagem e operação de luz: Jimmy Wong
Trilha sonora/mixagem: Alexandre Seabra (a partir de trechos de músicas do povo GUARANI MBYA / aldeia de Kalipety da T.I. Tenondé Porã, cantadas e tocadas durante a marcha de povos indígenas em Brasília, em agosto e setembro de 2021, contra o 'marco temporal', uma medida inconstitucional que prejudica o presente e o futuro de todas as gerações dos povos indígenas).
Produção e difusão: Colette de Turville com assistência de Astrid Toledo.
Administração França: Jacques Segueilla
Produção Brasil: Gabi Gonçalves / Corpo Rastreado
Produção e idealização do projeto Goethe Institut: Claudia Oliveira
Secretária: Gloria Laureano
Professores: Amalia Lima, Sylvia Barretto e Valentina Fittipaldi
Co-produção: Scène nationale Carré-Colonnes; Le TAP - Théâtre Auditorium de Poitiers; Scène nationale du Sud-Aquitain; La Coursive – Scène nationale de La Rochelle; L’empreinte, Scène nationale Brive-Tulle; Théâtre d’Angoulême Scène Nationale; Le Moulin du Roc, Scène nationale à Niort; La Scène Nationale d’Aubusson; Kunstenfestivaldesarts (Brussels); Brussels, Theaterfestival (Basel); HAU Hebbel am Ufer (Berlin); Festival Oriente Occidente (Rovereto); Theater Freiburg; l’OARA - Office Artistique de la Région Nouvelle Aquitaine; Julidans (Amsterdam); Teatro Municipal do Porto; Festival DDD, dias de dança; Chaillot – Théâtre national de la Danse (Paris); Le CENTQUATRE-PARIS; e Festival d’Automne à Paris. 
Apoio: FONDOC (Occitanie) / França; Fundo internacional de ajuda para as organizações de cultura e educação 2021 do ministério federal alemão de Affaires étrangères, do Goethe-Institut e de outros parceiros; Fondation d’entrepriseHermès/França, com a parceria de France Culture.

Lia Rodrigues é artista associada do Théâtre national de la Danse (Paris); Le CENTQUATRE- PARIS

Uma produção da Lia Rodrigues Companhia de Danças com apoio da Redes da Maré (Campanha “A Maré diz não ao Coronavírus" - projeto Conexão Saúde) e do Centro de Artes da Maré.

Agradecimentos: Thérèse Barbanel, Antoine Manologlou, Maguy Marin, Eliana Souza Silva, Equipe do Centro de Artes da Maré.

Encantado é dedicado a Olivier.

LOOPING: RIO OVERDUB | FELIPE ASSIS, RITA AQUINO, LEONARDO FRANÇA (BA)
Resultado de residência artística realizada durante o Panorama 30 Anos
13 jan | 20h30
Circo Crescer e Viver (Rua Carmo Neto, 143, Cidade Nova)
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)

Duração: 90 min
Classificação indicativa: 16 anos

Festa, dança e política. As festas de largo de Salvador e suas contradições são a paisagem predominante deste projeto, que emerge do encontro entre pensamento sonoro e pensamento coreográfico e adquire novas cores e sotaques em cada cidade. Looping constitui um estudo do tempo: repetição e acumulação. Movimentos de tensão e distensão da cultura, através de procedimentos que organizam sonoridades, corpos e espaços. Assim como nas ruas, o que está em jogo são arranjos coletivos através de uma participação estético-política. Looping: Rio Overdub é uma edição especial que comemora os 30 anos do Festival Panorama com a participação de artistas locais. 

Looping: Bahia Overdub, espetáculo co-dirigido por Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino estreou em 2015. Indicado ao PRÊMIO BRAVO! de melhor espetáculo de Dança 2016, se apresentou no Festival Panorama nos anos de 2016 e 2017, além de diversos outros festivais internacionais no país. Realizou turnê nacional Palco Giratório Sesc 2018, apresentações em Buenos Aires e no Festival DDD Dias da Dança 2019 em Portugal. Em 2018, o espetáculo mobilizou a realização de uma residência artística junto a Scottish Dance Theatre em Dundee, que resultou na obra Looping: Scotland Overdub, com turnê na Escócia 2018-2019 e apresentação no Festival de Edimburgo 2019. Esta experiência consolidou Looping como dispositivo de criação, articulado à formação e reflexão crítica, que possibilita a produção de versões próprias do trabalho em diferentes cidades, com a participação de artistas locais. 

FICHA TÉCNICA
Concepção e criação: Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino
Criação musical: Mahal Pita e Felipe de Assis
Músicos: Felipe Assis
Oficinas artísticas: Fábio Osório e Rita Aquino
Intérpretes-criadores: a definir
Coordenação de produção: Felipe de Assis
Técnico de luz: Rangell Souza 

THE HOT ONE HUNDRED CHOREOGRAPHERS | CRISTIAN DUARTE (SP)
14 jan | 19h30
15 jan | 18h 
Teatro da CAIXA Nelson Rodrigues (Av. República do Paraguai, 230 - Centro)
Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia-entrada e lista amiga)

Duração: 52 min
Classificação indicativa: Livre

O artista escocês Peter Davies elaborou uma série de pinturas nas quais figuram textos que tomam a própria arte como assunto, fazendo dela sujeito e matéria para discutir o papel do artista na definição da cultura pop. Nesses text paintings, Davies transportou para as telas alguns de seus rankings pessoais. The Hot One Hundred é sua lista particular de cem artistas. Com The Hot One Hundred Choreographers, Cristian Duarte cria uma experiência coreográfica a partir deste procedimento-lista de Davies. Ele "devorou" vários ícones da dança, coreógrafos e peças que o instiga(ra)m para construir um solo onde a coreografia é gerada pelo trânsito de referências e memória do corpo. A "hot list" pode ser conferida no site Lote 24hs. 

The Hot One Hundred Choreographers retorna ao Festival Panorama após 11 anos para duas apresentações dentro da programação que celebra as 30 edições do festival. 

Cristian Duarte vive e trabalha em São Paulo. Seu trabalho como coreógrafo tem sido apresentado no Brasil e internacionalmente. Entre seus trabalhos estão: Despedançada (Site-específica, 2021), Hack100 – Um pano de fundo (Audiovisual/2020), O que realmente está acontecendo quando algo acontece? (2017), Ó (2016), Biomashup (2014), Jamzz (2013), The Hot One Hundred Choreographers (2011), Médelei – eu sou brasileiro (etc) e não existo nunca (2006) e Against the Current, Glow para o Cullberg Ballet de Estocolmo (2015). Graduou-se na P.A.R.T.S. Performing Arts Research and Training Studios em Bruxelas. Sua prática artística tem sido marcada pela criação de contextos para experimentação e formação em dança como a residência artística Lote e as plataformas Desaba com Thelma Bonavita e A piece...together? com Paz Rojo. 

FICHA TÉCNICA
Concepção, criação e performance: Cristian Duarte
Colaboração e criação: Rodrigo Andreoli
Iluminação: André Boll
Edição de trilha: Tom Monteiro
Hot contribuições: Bruno Freire, Júlio Rocha e Tarina Quelho
Figurino: Cristian Duarte
Design e conceito do site: Cristian Duarte e Rodrigo Andreoli
Webdesign e programação: Roberto Winter
Fotografia: Carolina Mendonça
Apoios/Agradecimentos: Artist Faculty program at School of Dance - Herberger Institute at Arizona State University/USA, Simon Dove, Universidade Anhembi Morumbi, Valéria Cano Bravi, PUC-SP - Artes do Corpo, Rosa Hércoles, Peter Davies e mais de cem coreógrafos.
Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) 2011 – Criação em Dança, Produzido originalmente para o 15o Cultura Inglesa Festival. Para conhecer a lista dos 100 coreógrafos-obras, clique aqui. 

REZOS PARA RASGAR O MUNDO | TIETA MACAU (MA) 
13 jan | 17h30
Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB) (Rua Pedro Ernesto, 80, Gamboa)
Entrada franca

Duração: 30 min
Classificação indicativa: Livre

Chão de areia, alguns escritos, pés que amaciam o chão. Em comunicação com o invisível plurisônico, caboclos bradam. Versos e curas. O que de passagem passa, envulta, o que não se vê, entre o som e o giro, ponto e presença se firmam. Rezos é um dos rastros no qual Tieta (en)cruza o som pa|lavra, da escrita ao ponto cantado, enquanto aparição de cura|ataque e de inversão lexical da lógica do pretenso norte global (em declínio). Um mergulho no estudo do tempo como dimensão incorporada, e por ele a possibilidade de diálogo com um invisível, que nem sempre é transparente. Algo alinhado com a passagem de Beatriz Nascimento que nos recorda que incorporar é lembrar. Em algumas ações Macau vem se deslocando da intenção de fazer arte, e se reaproximando da iminência de assumir o compromisso de (re)lembrar, (re)viver em comum acordo com o invisível. Rezos é um rastro, uma colagem, uma aparição. Uma presença envultada, assombração da memória, ou um rezo de cura.

Artista transdisciplinar, filhe da serpente, criadore de macumbarias cênicas e outras espirais. Tieta Macau é interessada em processos de criação, produção cênica afroreferenciada, poéticas populares e afrodiaspórica, historiografia da arte, escrita em dança entre outras encruzas. Ume das criadores do Coletivo DiBando, atua em colaboração com vários artistas e grupos entre o Maranhão , Ceará e Bahia como Grupo Afrôs, Brecha Coletiva, LABORARTE, Viramundo entre outros. Foi aprovade na edição 2020/2021 dos Laboratórios de Criação do Porto Iracema das Artes (CE) com o projeto Lança de Cabocla. Com o projeto Assombros e Trincheiras teve aprovação na categoria criação do Panorama Raft, em coprodução com o Festival Panorama. Ume das artistas convidada a colaborar na Plataforma EhCHo edição 2021, plataforma de fomento e difusão internacional idealizada por Denise Ferreira da Silva e outros artistas e pesquisadores. Premiade melhor atriz em curta metragem no 49° Festival de Cinema de Gramado e em longa como melhor atriz coadjuvante no 43° Guarnicê de Cinema. Atualmente está participando do programa de bolsas de pesquisa e criação do PACT ZOLVERREIN (ALE). É licenciada em Teatro pela UFMA (MA), cursa o bacharelado em Dança e o mestrado em História Social na UFC (CE).

FICHA TÉCNICA
Criação e performance: Tieta Macau
Criação e performance sonora: Ruan Francisco
Colaboradorys: Abeju Rizzo, Elton Panamby e Inae Moreira
Produção: Encante Território Criativo
Imagens: Luiza Fernandes e Té Pinheiro

Fonte: Assessoria de Imprensa

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