segunda-feira, 21 de maio de 2018

GRUPO RECORD PUBLICA EDIÇÃO ÚNICA E COMEMORATIVA DE COLETÂNEA DE CRÔNICAS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



 “Autorretrato e outras crônicas”, de Carlos Drummond de Andrade, foi o primeiro livro a ser impresso no recém-inaugurado parque gráfico da editora Record, em 1989. O poeta havia morrido dois anos antes e a coletânea viria a ser uma homenagem póstuma, com textos inéditos. Organizada por Fernando Py, a obra trazia crônicas escritas num largo período, entre 1943 a 1970, e publicadas na revista Leitura, no Correio da Manhã e no Jornal do Brasil. Esta nova edição, autorizada pelos herdeiros e pela nova casa editorial que abriga a obra de Drummond, será única e comemorativa dos 75 anos do Grupo Editorial Record.
No livro, foi incluído um encarte feito a partir de pesquisas no acervo da família Machado, proprietária da Record, da própria editora e da obra do autor guardada pela Casa de Rui Barbosa. A capa da primeira edição, a folha de rosto com um selo do sesquicentenário de Machado de Assis, cartas trocadas entre o editor Alfredo Machado e Drummond e ainda contratos de livros assinados pelo poeta estão entre as pérolas encontradas nos arquivos e que agora vêm a público no livro.
A capa foi inspirada na original, a partir do retrato de Drummond feito por Portinari, em 1936. Além das crônicas e do texto original do organizador, essa edição traz ainda uma apresentação feita por Sônia Machado Jardim, atual presidente do Grupo Record. Para Fernando Py, “a atividade de cronista, em Drummond, é muito afim da sua poesia. Nestas crônicas, podemos notar o tom coloquial, o humour, e não raro a ironia (ou ‘autoironia’, como na crônica de abertura), bem típica dos melhores momentos do poeta.”
“Autorretrato e outras crônicas” chega às livrarias em maio.
TRECHO:

“Diz o espelho:

O sr. Carlos Drummond de Andrade é um razoável prosador que se julga bom poeta, no que se ilude. Como prosador, assinou algumas crônicas e alguns contos que revelam certo conhecimento das formas graciosas de expressão, certo humour e malícia. Como poeta, falta-lhe tudo isso e sobram-lhe os seguintes defeitos: é estropiado, antieufônico, desconceituoso, arbitrário, grotesco e tatibitate. O maior dos nossos críticos passados, presentes e futuros, o sr. Pontes, que tirou do próprio nome essa consistência de cimento armado, característica do seu estilo, incumbiu-se de lembrar-lhe todos os dias que ele não é poeta; que poeta, só B. Lopese Théodore de Banville. Mas o sr. Drummond teima em não escutar a lição desse douto espírito, e a todo momento nos oferece mesquinhas produções poéticas, de que resultam cólicas e explosões nas pessoas de bom gosto, o sr. Pontes inclusive.

O sr. Drummond de Andrade passa por ser o autor de um poema (?) ou que melhor nome tenha, a que deu o título “No meio do caminho”. Essa produção corre mundo e é considerada ora obra de gênio, ora monumento de estupidez. Na realidade, não é nenhuma dessas coisas, nem pertence ao estro do sr. Drummond. Com efeito, quem se der ao trabalho de examinar-lhe o texto verificará que se trata tão somente da repetição, oito vezes seguidas, dos substantivos ‘meio’, ‘caminho’ e ‘pedra’, ligados por preposições, artigos e um verbo. Não há nisto poema algum, bom ou mau. Há apenas alguns vocábulos, que podem ser encontrados facilmente no Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, revisto pelo sr.  Aurélio Buarque de Holanda.

Esse pequeno fato literário fez despertar em alguns julgadores a suspeita de que se trata de um mistificador. Tem-se por vezes a impressão de que o sr. Drummond se diverte com o escândalo produzido por seus escritos, escândalo de que emergem as seguintes opiniões a seu respeito: ‘É um burro.’‘É um louco.’‘É superior a Castro Alves e igual a Baudelaire.’”

SOBRE O AUTOR:

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu em Itabira, Minas Gerais. Poeta, contista e cronista, considerado um dos maiores nomes da poesia brasileira de todos os tempos, é autor, entre outros títulos, de Alguma poesiaBrejo das almasSentimento do mundoClaro enigmaFazendeiro do ar Fala, amendoeira.

SERVIÇO

AUTORRETRATO E OUTRAS CRÔNICAS

Carlos Drummond de Andrade
  
Preço: R$ 39,90

Páginas: 256

Editora Record / Grupo Editorial Record     

Fonte: Imprensa Grupo Editorial Record

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