terça-feira, 20 de abril de 2021

EM CARTA À BIDEN, ESTRELAS DE HOLLYWOOD E DA MPB PEDEM QUE NÃO FAÇA ACORDOS COM BOLSONARO PARA A AMAZÔNIA


Leonardo DiCaprio, Jane Fonda, Mark Ruffalo, Rosario Dawson, Joaquin Phoenix, Katy Perry, Orlando Bloom, Alec Baldwin, Roger Waters, Uzo Aduba, Sônia Braga, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Alice Braga, Wagner Moura, Walter Salles e Fernando Meirelles são alguns dos nomes de artistas dos Estados Unidos e do Brasil que assinam uma carta divulgada hoje dirigida ao presidente Biden para que não faça acordos com o presidente Jair Bolsonaro para a Amazônia, assumindo um compromisso conjunto pela defesa da floresta amazônica e do clima em solidariedade aos povos indígenas.

Na carta, os artistas atentam para a cumplicidade de Bolsonaro na destruição da floresta, fazendo vista grossa para a grilagem e a extração ilegal de madeira, e permitindo que o fogo consuma milhões de hectares de floresta tropical e ameace ainda mais os territórios indígenas. "A proteção da floresta amazônica é essencial para as soluções globais de enfrentamento das mudanças climáticas. No entanto, a integridade desse ecossistema vital está se aproximando de um ponto crítico devido às crescentes ameaças à floresta e seus guardiões indígenas por parte do governo Bolsonaro, incluindo desmatamento, queimadas e ataques aos direitos humanos", afirmam na carta, que contou com o apoio das organizações Amazon Watch Artists for Amazonia We Stand United 342 Amazônia para mobilização dos artistas nos dois países.

Eles também apontam os impactos do governo de Bolsonaro na floresta e nos povos indígenas. "As terras indígenas, que são as mais protegidas da Amazônia, foram invadidas, desmatadas e queimadas impunemente. Os direitos dos povos indígenas, que são os guardiões da floresta, foram violados por Bolsonaro e seu governo".

O apoio dos artistas soma-se às demandas de lideranças indígenas e da sociedade civil brasileira e norte-americana que pedem que Biden escolha: ou a floresta amazônica ou Bolsonaro. O governo de Joe Biden vem mantendo há mais de um mês conversas a portas fechadas com a administração de Jair Bolsonaro sobre meio ambiente na preparação para a cúpula sobre o clima convocada por Biden para os próximos dias 22 e 23.

"No Brasil, o presidente apoiou publicamente a violação das leis ambientais, e o desmatamento aumentou drasticamente desde sua eleição. Ele também cortou recursos para a proteção dos povos Indígenas, no que o Conselho Indigenista Missionário, da Igreja Católica, chamou de 'extermínio planejado'. Pedimos que o governo Biden intensifique os esforços diplomáticos para ajudar a proteger os ativistas do clima e os defensores dos direitos humanos", afirmou Rosario Dawson na última quinta-feira no Fórum Climático da Amazônia.

"Nosso futuro climático depende da proteção da Amazônia e do apoio aos defensores indígenas da floresta. Tenho orgulho de prestar minha solidariedade, junto aos meus companheiros artistas e outros ativistas norte-americanos, aos defensores Indígena das florestas brasileiras, que demandam soluções justas e efetivas para a proteção e defesa da Amazônia, incluindo a manutenção dos combustíveis fósseis dentro do solo. Aqui nos unimos para exigir: "Presidente Biden: com Bolsonaro não há acordo!", adverte Mark Ruffalo.

A carta termina com um apelo por ações urgentes, mas enfatiza que um acordo com Bolsonaro não é a solução. Em vez disso, as celebridades pedem que o presidente Biden "continue os diálogos com a sociedade civil, com os governos subnacionais, com os povos Indígenas e as comunidades da bacia amazônica, que têm soluções e formularam propostas para sua consideração, incluindo a Plataforma Climática da Amazônia, antes de anunciar pactos ou disponibilizar recursos".

Os artistas signatários da carta afirmam que este é um momento decisivo para se unirem em uma só voz em apoio aos povos indígenas da floresta amazônica. Embora um acordo sobre a Amazônia possa ficar num impasse no curto prazo após pressão da sociedade civil brasileira e norte-americana, os governos Bolsonaro e Biden mantêm estreito diálogo.

Artistas para a Amazônia

"Nos últimos dois anos, vimos aumentos históricos no desmatamento, incêndios e ataques a comunidades indígenas, florestais e ribeirinhas na Amazônia brasileira. Também vimos a crise humanitária e de saúde do Covid-19 se desenrolando em Manaus e se espalhando pela Amazônia e pelo Brasil, criando um epicentro global da pandemia. Essas crises poderiam ter sido evitadas, mas, em vez disso, foram exacerbadas pelas políticas e retórica do presidente Bolsonaro e seu governo. O governo Biden não deve confiar no Bolsonaro! Qualquer negócio ou fundo para proteger a Amazônia, a biodiversidade e o clima deve estar condicionado aos resultados e ao respeito aos direitos humanos", afirma Marcelo Furtado, conselheiro da Conectas Direitos Humanos e membro do Círculo Fundador de Artistas da Amazônia.

Amazon Watch

"Se o governo Biden leva a sério a demonstração de liderança na ação climática, incluindo o fim do desmatamento e outras ameaças na Amazônia, ele deve ouvir as comunidades indígenas e de linha de frente e a sociedade civil, não apenas o governo Bolsonaro. Em vez disso, encorajamos o governo Biden a considerar a Plataforma Climática da Amazônia e o Plano de Vida na Amazônia, desenvolvidos por organizações indígenas e regionais da Bacia Amazônica", disse Leila Salazar-López, Diretora Executiva da Amazon Watch.

Histórico:

A sociedade civil brasileira e norte-americana se mobilizou rapidamente nas últimas semanas após relatos preocupantes de que um acordo entre Estados Unidos e Brasil poderia ser anunciado na Cúpula de Líderes sobre o Clima que o presidente Biden promove nesta semana. Em resposta, um sem número de cartas e declarações impactantes foram publicadas rejeitando esse possível acordo: Cerca de 200 organizações representantes da sociedade civil e dos movimentos sociais brasileiros se manifestaram no dia 6 de abril, recebendo cobertura da mídia internacional. Na última semana, legisladores brasileiros publicaram uma carta, assim como 15 senadores norte-americanos. As declarações reivindicam que o governo Biden rejeite qualquer acordo com o Brasil até que o desmatamento seja reduzido, os direitos humanos sejam respeitados e a participação expressiva da sociedade civil seja obtida.

Na última quinta-feira, vozes amazônicas do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela e Equador se uniram a legisladores, artistas, jovens ativistas pelo clima e um bispo católico dos EUA no Fórum Climático da Amazônia para exigir que o governo Biden concentre esforços na justiça climática e nos direitos humanos em suas políticas em prol da Amazônia. Os participantes promoveram a Plataforma Climática da Amazônia e o Plano de Vida para conter a escalada de pandemias que impelem a Amazônia e o mundo para o colapso 

Esta carta também é acompanhada por uma declaração de solidariedade à sociedade civil brasileira, divulgada hoje e assinada por mais de 80 organizações ambientais norte-americanas e internacionais . Entre os signatários estão organizações ambientais como Amazon Watch, Greenpeace, Sunrise Project, Fridays for Future, 350.org, Rainforest Action Network, Rainforest Foundation US, Anistia Internacional, Planète Amazone, Global Witness, Friends of the Earth US, California Environmental Justice Alliance, e CEJA Action, além de muitas outras. Essa declaração demonstra o movimento crescente exigindo que o governo Biden apenas avance com propostas para enfrentar o desmatamento na Amazônia que sejam "construídas a partir do diálogo com a sociedade civil e com as comunidades da linha de frente, e que nenhuma negociação deve seguir até que o Brasil reduza drasticamente as taxas de desmatamento para os níveis exigido pela lei nacional de mudança climática".

A Amazon Watch é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1996 para proteger a floresta tropical e defender os direitos dos povos indígenas da Bacia Amazônica. Firmamos parcerias com organizações indígenas e ambientais em campanhas em prol dos direitos humanos, da responsabilidade corporativa e da preservação dos sistemas ecológicos da Amazônia.

Fonte: Assessoria de Imprensa 








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